O Sistema de Consórcios encerrou 2025 com resultados inéditos e consolidou um dos ciclos mais positivos de sua história. De acordo com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o setor superou todas as projeções iniciais e registrou crescimento expressivo em praticamente todos os seus principais indicadores.
As vendas de cotas somaram 5,16 milhões de adesões ao longo do ano, alta de 15% em relação às 4,49 milhões de adesões em 2024 e mais que o dobro da estimativa inicial de crescimento, que era de 6%.
Além do crescimento em número de adesões, o volume financeiro movimentado pelo setor atingiu um novo patamar. Em 2025, os créditos comercializados ultrapassaram R$ 500,27 bilhões, avanço de 32,1% na comparação com os R$ 378,73 bilhões registrados em 2024.

O resultado evidencia não apenas a ampliação da base de consorciados, mas também a mudança no perfil das contratações, com maior demanda por cotas de valor mais elevado, com prestações mensais compatíveis com o bolso do consorciado.
Com isso, o tíquete médio alcançou R$ 86,74 mil em dezembro, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior: R$ 78,35 mil.
Para Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, “O desempenho anotado foi positivo especialmente no crescimento do número de consorciados, considerado o aumento de conhecimento da essência da educação financeira”. “Apoiados no planejamento, os participantes vêm conquistando seus objetivos pessoais, evolução patrimonial, melhoria da qualidade de vida, entre outros”, comenta.
Base de participantes ativos segue crescente
O número de participantes ativos também bateu recorde. Em dezembro de 2025, o Sistema de Consórcios contabilizava 12,76 milhões de consorciados em grupos em andamento, crescimento de 13,8% frente aos 11,21 milhões registrados no fim de 2024. O dado reforça a tendência de expansão contínua observada desde janeiro de 2022, período em que o setor acumulou 47 recordes consecutivos nesse indicador, com exceção de apenas um mês.
Na avaliação da ABAC, a evolução da base ativa reflete o avanço da educação financeira no País e o maior entendimento do consórcio como ferramenta de planejamento de médio e longo prazo, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas.
Crédito liberado
Outro indicador que evidencia o impacto do setor na economia é o volume de créditos disponibilizados por meio das contemplações.
Ao longo de 2025, 1,77 milhão de consorciados foram contemplados, crescimento de 4,1% em relação ao ano anterior. Esse movimento resultou na liberação de R$ 123,16 bilhões em créditos, valor 22,4% superior ao registrado em 2024.
Esses recursos representam uma injeção potencial significativa na economia, com reflexos diretos em setores estratégicos como automóveis, imóveis, agronegócio, eletroeletrônicos e serviços.
“Ao estar cada vez mais presente na cultura financeira do brasileiro, o Sistema de Consórcios, por consequência, tem contribuído diretamente para o controle das finanças pessoais de forma responsável e consciente, sem imediatismos, com a tranquilidade que decisões equilibradas proporcionam”, complementa Rossi.
Automotivo forte
O segmento de veículos automotores, que engloba veículos leves, motocicletas e veículos pesados, manteve-se como o principal em número de participantes e volume financeiro.
Em 2025, o setor respondeu por 3,55 milhões de adesões, com crescimento de 7,3%. O volume de créditos comercializados ultrapassou R$ 213 bilhões, enquanto os créditos disponibilizados somaram mais de R$ 91 bilhões.
Nos veículos leves, o consórcio teve participação relevante nas vendas nacionais. Cerca de 30% dos automóveis comercializados no mercado interno tiveram origem em créditos provenientes de contemplações, o equivalente a um veículo a cada três vendidos. O segmento encerrou o ano com 5,38 milhões de consorciados ativos e movimentou R$ 132,86 bilhões em negócios.
Duas rodas
As motocicletas seguiram como o segundo maior segmento em número de participantes. Em 2025, o setor registrou 1,44 milhão de adesões, alta de 8,3%, e movimentou R$ 30,48 bilhões em créditos comercializados. O consórcio foi responsável por 30,8% das motos potencialmente adquiridas no mercado interno, impulsionado pela demanda de profissionais que utilizam o veículo como instrumento de trabalho e alternativa de mobilidade urbana.
Apesar da retração de 2,6% nas contemplações, o crescimento do tíquete médio e do volume financeiro reforçou a relevância do segmento dentro do sistema.
Imóveis avançam
O consórcio imobiliário outro grande destaque de 2025. As vendas de cotas cresceram 36%, enquanto o volume de créditos comercializados avançou 48,4%, totalizando R$ 283,53 bilhões. O número de participantes ativos chegou a 2,83 milhões, alta de 32,9% em um ano.
As contemplações permitiram a liberação de R$ 30,24 bilhões em créditos, com potencial participação de 24,2% no total de imóveis financiados no país.
O uso do FGTS também ganhou relevância: somente em 2025, mais de R$ 357 milhões foram utilizados por consorciados para pagamento de parcelas, lances ou complementação de crédito.
Outros segmentos
Os consórcios de eletroeletrônicos e bens móveis duráveis registraram crescimento expressivo, com alta de 51% nas adesões e salto de 141,3% no volume de negócios, impulsionados principalmente pelo aumento do tíquete médio e pela retomada do consumo no segundo semestre.
Já o segmento de serviços movimentou R$ 1,13 bilhão em créditos comercializados, com crescimento de 26,1%, refletindo a retomada de gastos com turismo, saúde, educação e reformas.
Para 2026, a ABAC projeta crescimento de até 11% no Sistema de Consórcios, apoiado na expectativa de estabilização da inflação, possível redução da taxa Selic e manutenção do nível de emprego.
“Os bons desempenhos registrados pelos diversos indicadores consorciais foram produtos das decisões daqueles que, ao optarem pelo mecanismo, vêm participando e propiciando resultados crescentes e significativos nos totais mensais de adesões e nos negócios financeiros, inclusive com vários recordes, e, por decorrência, com maior presença na economia”, finaliza Rossi.





