O consórcio de imóveis tem conquistado cada vez mais espaço no mercado brasileiro. Esse modelo de aquisição, que ganhou força a partir da década 1990, com a chegada do Plano Real, já demonstra um perfil diversificado de consumidores, abrangendo desde quem busca a casa própria até investidores que veem no consórcio uma oportunidade de renda futura. Segundo a ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), essa modalidade chegou ao seu maior volume da história em setembro de 2024: 11,07 milhões de consorciados.
Luiz Fernando Savian, sócio-fundador da Unifisa, relembra a trajetória desse mercado. “O consórcio começou no Brasil por volta de 1962 com os automóveis. Durante muitos anos, ele foi sinônimo de aquisição de veículos porque não era autorizado o consórcio de imóveis. Somente em 1991 o Banco Central autorizou a formação de grupos para imóveis. Então, ele é relativamente novo, mas já ocupa uma posição de destaque”, explica.
Desde então, o consórcio de imóveis evoluiu. Inicialmente, ele atendia principalmente quem desejava sair do aluguel ou adquirir imóveis na planta. Hoje, sua aplicação se diversificou. “Muitos clientes utilizam o consórcio como forma de investimento. Compram uma cota, são contemplados, adquirem um imóvel e o alugam, gerando uma renda extra”, destaca.
Diante da mudança no perfil consumidor, o Customer Experience (CX) e o investimento em tecnologias têm sido fundamentais na jornada do consumidor de consórcio. “A compra do imóvel requer um cuidado que não coloque em risco o comprador. Estruturamos para que a experiência do cliente seja prazerosa”, pontua.
Mudanças no perfil do consumidor
Nas últimas duas décadas, o perfil do consumidor de consórcios mudou significativamente. Luiz Savian observa que, antigamente, o público era formado majoritariamente por pessoas entre 40 e 55 anos, em busca de planejamento e estabilidade. Com o tempo, as gerações mais jovens descobriram os benefícios do consórcio.
“Hoje, vemos uma forte adesão de consumidores entre 20 e 35 anos. Embora inicialmente o consórcio não fosse atraente para este público, mais imediatista”, comenta e acrescenta que o consórcio é um planejamento no qual, primeiro, o consumidor investe e depois usufrui do bem. “Antes, o público jovem não entendia essa espera, mas atualmente eles reconhecem as vantagens do planejamento financeiro oferecido por esse sistema”.

Luiz Savian pontua ainda que a espera é compensadora, pois evita o pagamento de juros e tem uma pequena taxa de administração. A adesão do público jovem reflete uma nova mentalidade em relação ao consumo. “Esses consumidores procuram o consórcio para programar a compra de bens, como imóveis ou veículos e fazer sua poupança. Mudou o perfil de consumidores e o sistema se adaptou para atender essa demanda”.
A experiência do cliente como diferencial
A transformação do perfil do consumidor trouxe novos desafios para as administradoras de consórcios, exigindo serviços mais personalizados e com tecnologia de ponta. Luiz Savian destaca a importância da experiência do cliente no setor e na Unifisa. “Investimos em treinamento para nossa equipe comercial, realizamos pesquisas de satisfação e criamos um departamento exclusivo para assessorar o cliente em cada etapa da jornada”.
Além disso, a empresa adotou tecnologias avançadas para simplificar processos, como a análise de crédito e o atendimento virtual. Contudo, Luiz Savian ressalta a importância de manter o atendimento humanizado. “Embora a tecnologia seja essencial, muitos clientes ainda valorizam o contato humano. Isso é algo cultural, especialmente entre nós, latinos”.
Além disso, reforça que os clientes são orientados a como fazer o investimento em consórcios. Ele se torna uma poupança que contribui para que o consumidor guarde dinheiro, de forma responsável.
Consórcio como alternativa em tempos de alta dos juros
O cenário econômico brasileiro, marcado por altas taxas de juros e restrições de crédito, tem ampliado a atratividade do consórcio como alternativa ao financiamento tradicional. Isso, segundo o executivo, acontece porque o consórcio é planejamento de compra, enquanto financiamento ocorre no imediatismo. “O consórcio não atende ao perfil do consumidor imediatista, mas sim daquele que planeja suas aquisições”, explica. Em momentos de juros altos, é percebida ainda uma leve migração de clientes que buscam evitar o custo elevado do financiamento. “A espera do consórcio compensa em função do custo”, frisa.
Ele também destaca que o consórcio pode ser uma solução viável para quem deseja adquirir bens e serviços sem comprometer o orçamento. “É um sistema de planejamento que permite a compra sem juros, com custos mais controlados e previsíveis, atendendo tanto quem busca o primeiro imóvel quanto quem deseja diversificar seus investimentos”, completa.
A força do consórcio no mercado atual
O mercado de consórcios no Brasil existe desde 1962, quando surgiu como uma alternativa para driblar as dificuldades de acesso ao crédito em um cenário de restrições econômicas e falta de financiamento para bens consolidados. A primeira modalidade criada foi voltada para a compra de automóveis. Desde então, o segmento evoluiu significativamente, abrangendo bens como imóveis, motos, caminhões, serviços e até mesmo produtos como equipamentos agrícolas.
A regulamentação oficial veio com a criação da Lei n.º 11.795, em 2008, conhecida como a Lei dos Consórcios, que trouxe maior segurança jurídica para o setor. Hoje, o mercado é supervisionado pelo Banco Central do Brasil, consolidando o consórcio como uma ferramenta acessível e versátil para planejamento financeiro e aquisição de bens e serviços.
Com mais de 60 anos no Brasil, esse sistema se reinventa para atender às demandas do mercado e às expectativas dos consumidores. “Só em 2024, foram vendidas mais de 2 milhões de cotas de consórcios. São números que mostram um crescimento muito grande. O sistema ficou mais conhecido e é seguro, e isso deu mais credibilidade”, comenta. “Nós, da Unifisa, entramos com a marca em 1995. O cliente, quando entra na nossa empresa, sabe que terá uma experiência segura”, finaliza.
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