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Confiança em crise: por que os brasileiros acreditam mais nas marcas do que no governo?

Confiança em crise: por que os brasileiros acreditam mais nas marcas do que no governo?

Empresas lideram confiança no Brasil, mas enfrentam o desafio de entregar valor real à sociedade em meio a uma crise de ressentimento e descrédito institucional.
Empresas lideram confiança no Brasil, mas enfrentam o desafio de entregar valor real à sociedade em meio a uma crise de ressentimento e descrédito institucional.
Empresas lideram confiança no Brasil, mas enfrentam o desafio de entregar valor real à sociedade em meio a uma crise de ressentimento e descrédito institucional.

O brasileiro, historicamente otimista, agora vive uma crise de esperança: apenas 34% acreditam que o País estará em melhores condições nos próximos anos. Esse pessimismo, segundo levantamento apresentado no Eldeman Trust Barometer 2025, se relaciona diretamente com a instabilidade política, econômica e social.

O dado acende um alerta. O estudo anual da Edelam, que mede níveis de confiança pública, evidencia uma inversão de expectativas. Enquanto a confiança no governo e na mídia segue em declínio, as empresas se mantêm como as instituições mais confiáveis. Mas, isso não significa que estejam isentas de cobranças.

Com base nesses dados alarmantes, o CONAREC 2025 trouxe à tona uma reflexão urgente sobre o cenário atual de desconfiança institucional no Brasil.

“A confiança é a base para construir uma boa experiência”, destaca Ana Sartor, diretora sênior de Engajamento Corporativo & Reputação na Edelman Brasil. Ela reforça que o índice de confiança brasileiro permanece em uma zona de neutralidade e, diferentemente de anos anteriores, não apresentou o crescimento típico em períodos eleitorais.

Crise de ressentimento

O estudo, que analisa a percepção de confiança em mais de 25 países, também revela que a renda influencia significativamente a visão institucional. Quanto maior a renda, maior o índice de confiança. No Brasil, pessoas com alta renda registram 59 pontos no índice. Já entre os mais pobres, predomina o sentimento de que nenhuma instituição – seja governo, empresas, mídia ou terceiro setor – tem capacidade real de atender suas necessidades. Essa desilusão alimenta o que o barômetro classifica como “crise de ressentimento”, um fenômeno global que, por aqui, ganhou força após a pandemia.

Mesmo sendo líderes em confiança, as empresas não escapam ilesas. O levantamento mostra que cresceu a percepção de que as marcas não estão entregando valor real à sociedade. “As pessoas esperam que as empresas façam mais. Os CEOs têm permissão para agir – e as pessoas esperam que eles façam isso”, pontua Ana. A demanda é clara: os líderes empresariais devem assumir protagonismo social, articulando ações conjuntas com o poder público, o terceiro setor e os meios de comunicação para enfrentar os grandes desafios coletivos.

A mudança também é perceptível nos agentes em quem a população mais confia. Cientistas, especialistas técnicos e os CEOs das empresas onde as pessoas trabalham agora ocupam os primeiros lugares nesse ranking. Na sequência, vêm jornalistas e cidadãos comuns. Já figuras tradicionalmente próximas, como vizinhos e líderes comunitários, perderam relevância após o isolamento social da pandemia.

Restaurando a confiança

O estudo ainda revela outro fator preocupante: a associação entre ressentimento social e receio diante de novas tecnologias. Quanto maior o nível de ressentimento, maior é a desconfiança em relação à Inteligência Artificial. Isso representa um obstáculo adicional para empresas que investem em inovação, mas falham em promover inclusão e escuta ativa em suas estratégias.

Para restaurar a confiança, o Edelman Trust Barometer propõe quatro passos:

  • Reconhecer a existência da crise de ressentimento;
  • Compreender o que a sociedade espera das instituições;
  • Agir com consistência e colaboração intersetorial;
  • Estruturar um novo ecossistema de confiança.

Na visão de Ana, esse processo exige mais do que boas intenções: requer transparência, ação coordenada e coragem para mudar.

Por fim, o painel deixa um recado claro: a reputação das marcas não depende apenas de bons produtos ou campanhas criativas. Em um Brasil marcado por desconfiança, desigualdade e ceticismo, as empresas que quiserem manter sua relevância precisarão fazer muito mais e com verdade.

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