Se um dos drives na escolha do consumidor era o fator emocional e afetivo, com a chegada da pandemia ela se tornou fundamental. Na aceleração inédita de tecnologia e processos a que as empresas foram obrigadas a assumir com a virada do comportamento e das necessidades no cenário de temor e incertezas criado pelo novo coronavírus os aspectos emocional e instintivo também precisaram de um olhar mais acurado dos players de mercado, como fica esclarecido na sala “Em um Mundo veloz e mutante há espaço para o básico, o emocional e o instintivo”, apresentado neste CONAREC.
Com mediação de Cintia Gonçalves, CEO da Wiz&Watcher, e participação de Luiz Eduardo Serafim, da 3M, Mateus Silveira, da FCA LATAM, Mateus Kiefer, do Grupo Elo, e Christina Larroudé, da Camil Alimentos, o slot colocou luz sobre a corrida imposta a todas as empresas para adaptarem-se ao cenário caótico sem perder de vista a qualidade emocional que a digitalização acelerada pôs em xeque.
Durante este momento de crise ficaram claras muitas mudanças na forma de consumo, quem não conhece alguém que se arriscou na cozinha ou começou um novo curso durante a pandemia? “Vemos mudanças no comportamento do consumidor pela redução da mobilidade decorrente do distanciamento social, a redução de mobilidade, doas compras digitais e do ‘contactless’ nas transações físicas, mas não só”, diz Mateus Silveira, da FCA LATAM. “Em casa, as pessoas passaram a se dedicar mais a aprender coisas, a ampliar o seu conhecimento e, mais importante, a ressignificar o tempo que agora aproxima a vida profissional da pessoal’”, completa o participante.
O debate mostrou denominadores comuns em casos de sucesso, muitas vezes pouco visíveis na entrega final, como um ambiente de trabalho saudável e empático interno como chave para resultados relevantes para sua empresa. “É essencial desenvolver em talentos socioemocionais, para criar organizações mais saudáveis, com um ambiente mais empático, criativo, para ter um ambiente mais feliz”, ensina Luiz Eduardo Serafim, Head de Marketing e e-commerce da 3M. Para ele, no fundo, todas as decisões são tomadas por impulsos emocionais, mesmo que elaboradas em cima de conhecimento e estratégias.
Mateus Kiefer, COO da Elo concorda com a importância da valorização do drive emocional. “Estamos com as emoções muito à flor da pele, apesar do tempo decorrido”, diz Kiefer, referindo-se ao semestre em que o país está sob a pandemia do novo coronavírus. “Diante das incertezas a questão emocional definiu comportamentos novos e voláteis que nos obrigou a rever o modo de ler os nossos clientes.”
Para Christina Larroudé, Diretora de Marketings da Camil Alimentos, um dos grandes pontos positivos da crise sanitária foi a redescoberta dos momentos em família.
“Redefinimos todas as campanhas, porque as pessoas estão mais emocionais e coisas que as pessoas precisavam, adaptamos tudo pra que as pessoas ficassem em casa”, conta Christinna Larroudé
“Em um primeiro momento, muitos se preocuparam em estocar alimentos”, conta a diretora. “Em uma segunda fase, as pessoas estavam com seus armários cheios de arroz e feijão e sem a eventual ajuda que tinham nas suas cozinhas. E tiveram de aprender a cozinhar”, diz ela. “O preparo da refeição, seguindo do compartilhamento em torno da mesa deram uma nova dimensão para o tempo dessas pessoas e famílias. Ganhamos muito tempo com a redução da mobilidade.” A revalorização do básico foi para Larroudé um grande ganho social.
Mudanças na relação com o trabalho
O debate rendeu bons insights, como o papel de uma liderança é importante para construir pilares, que façam as pessoas terem um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. E como parte disso, as empresas têm se atentado mais à saúde mental de seus funcionários, por meio de programas com os planos de saúde e uma gestão humanizada. O desafio é entender quais os problemas, como entender o dia a dia do funcionário e como está sendo esse momento de distanciamento social. Afinal, um colaborador satisfeito, traz uma performance melhor e consequentemente melhores resultados para a empresa.
Neste momento e para o futuro, fala-se muito em novas tecnologias e digital, mas pra tudo isso é preciso o humano, o contato humano, o insight são essenciais para gerar valor à empresa. “A gente vive em um mundo plural, não vivemos o período do E não do OU. Tirando o máximo de proveito dos homens e das máquinas” ressalta Mateus Silveira.
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