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Como crescer em um cenário de inadimplência alta

Como crescer em um cenário de inadimplência alta

Quais foram as estratégias de empresas de diferentes segmentos para crescer mesmo em um ambiente de alto endividamento da população
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Embora a crise econômica esteja ficando no passado recente do País, seu impacto nos processos e ações das empresas é inegável. Se o consumidor ficou mais receoso e passou a adotar ações para controlar o orçamento. Do lado das empresas o caminho não foi diferente. No Recover Money 2017, encontro que debate a recuperação de crédito e os desafios do endividamento nas empresas, companhias do setor de varejo, bancário e de construção falaram sobre o que fizeram durante a crise e o que fazem agora para manter o crescimento.
“O que vimos é que muitas empresas conseguiram crescer enxugando os custos, e não parando de investir. Há muito o que fazer”, afirmou Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper, que mediou o debate. Os dois últimos anos foram duros para o País. Contudo, pessoas e empresas não ficaram paradas. Na Telhanorte, empresa do Grupo Saint Gobain, processos foram reinventados e prioridades foram traçadas de forma mais clara.
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“O grupo inteiro sofreu nos dois últimos anos, mas o varejo sofreu muito mais”, disse Cristiana Ferreira da Silva, diretora administrativa financeira da empresa. “Se a venda cai e com custos atrelados a inflação, os resultados e o caixa desaparecem”, afirmou a executiva. Uma das ações da empresa para passar pela crise foi olhar para dentro de casa. “Foi um desafio grande no sentido de reinventar processos na empresa e definir prioridades, como atender bem o cliente e ter uma performance logística grande e com qualidade”, explicou.
A redução dos custos e o aumento da eficiência também fizeram parte do escopo de trabalho da empresa. “Focamos na parte de gastos e redução de custos. Criamos uma gestão matricial de gastos, definimos os responsáveis por contas e focamos em revisão de contratos”, disse. Ou seja, a empresa reviu o escopo dos contratos e conseguiu, assim, reduzir o escopo e renegociar com os fornecedores.
“A estratégia toda está focada em melhorar o salão de vendas, o digital e ferramentas que tragam facilidade para o consumidor no sentido de melhorar a venda. A gente não pode perder isso em termos de gestão de gastos da empresa”, avaliou a executiva. “A gente tem de se reinventar e isso é um grande desafio”.

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Na Óticas Diniz o plano de ação foi envolver o franqueado para elevar a experiência dos clientes, como explica Ariane Diniz, diretora-administrativa financeira da Óticas Diniz. “A maior parte da nossa rede se encontra em cidades menores e pequenas que nos permite relacionamento próximo, porque nosso produto é de primeira necessidade”, avaliou.
Para atrair o consumidor, a empresa investe em crediário próprio. E diante de um cenário de inadimplência, houve a preocupação de controlar a cobrança, que é terceirizada e é acompanhada de perto. “Temos uma melhoria no processo de cobrança e temos um consultor de vendas que acompanha não apenas a venda, mas todo o ciclo, inclusive o receber”, afirmou.
“Para os próximos anos, a ideia é realmente investir em treinamento dos nossos consultores e nos processos. Queremos inovar com a questão de experiência no sentido de interagir com o consumidor”, afirmou.

Diferenciação

Mesmo bancos, que durante a crise conseguiram ainda apresentar resultados, tiveram de adotar cuidados. O Citibank apostou na diferenciação. “O poder de diferenciação através de ferramentas é muito maior”, afirmou Roberto Jabali, diretor de Risco do Citibank. “A gente trabalha com modelos avançados e o Brasil. E mesmo sob esse cenário de restrição de algumas variáveis, os modelos estabelecidos nos deram a capacidade de gerenciar”, afirmou.
Segundo o executivo, ao longo do ciclo de crédito, a empresa desenvolveu a capacidade de gerenciar tudo o que tem e garantir alguns aprendizados. “Um dos grandes aprendizados é que o cliente de alto risco não tem uma volatilidade tão grande”, disse.
“Ao longo do período de crise, naturalmente a postura de crédito é mais conservadora. E acho que depois que a gente sair de uma crise como esta que passamos, normalmente as empresas e as pessoas tendem a sair bem mais fortalecidas e isso tira muito a indústria da zona de conforto”, considerou. E ainda completou: “O momento é de retomada e quem tiver a ousadia e a coragem de fazer os investimentos agora, sejam eles em tecnologia, processos e principalmente em pessoa, vai chegar na frente”.

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