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CM Entrevista: Vibe coding é chave para elevar CX a um novo patamar

CM Entrevista: Vibe coding é chave para elevar CX a um novo patamar

Adotar vibe coding no desenvolvimento significa investir em uma cultura de empatia e inovação, o que resulta em clientes satisfeitos.
Adotar vibe coding no desenvolvimento significa investir em uma cultura de empatia e inovação, o que resulta em clientes satisfeitos.
Adotar vibe coding no desenvolvimento significa investir em uma cultura de empatia e inovação, o que resulta em clientes satisfeitos.
Foto: Shutterstock
Monica Magalhães, especialista em Futuro do Trabalho pelo Banco Mundial.

Monica Magalhaes é futurista especialista em tecnologias emergentes. Ela fundou a Moovers, a maior comunidade de futurismo do Brasil, que hoje conta com mais de 10 mil membros. A Moovers atua como um espaço para a troca de experiências entre profissionais de diversas áreas. A ideia é promover debates sobre o impacto das inovações tecnológicas no futuro da sociedade. Monica, com sua vasta experiência, tem se dedicado a capacitar novos líderes em futurismo, oferecendo mentorias que visam estimular o pensamento crítico e a criatividade na solução de problemas complexos. Ela acredita que, para navegar na era da informação, é fundamental aprimorar a capacidade de antecipar tendências e agir de forma proativa diante das mudanças.

E agir de forma proativa diante das mudanças, do ponto de vista do consumo, requer entender como os comportamentos dos consumidores estão evoluindo. Afinal, a conectividade e o acesso à informação em tempo real permitem que os consumidores estejam mais informados e, consequentemente, mais exigentes.

Nesse ínterim, Monica Magalhães fala, em entrevista à Consumidor Moderno, sobre a interseção entre o futurismo e o conceito de vibe coding, termo que vem ganhando força e se refere à capacidade de compreender e moldar as experiências digitais de acordo com as emoções e comportamentos do usuário.

Em outras palavras, segundo Monica Magalhaes, Future Thinker pelo Institute for the Future/Silicon Valley e especialista em Futuro do Trabalho pelo Banco Mundial, explica como o vibe coding não somente prepara as pessoas para enfrentar os desafios do futuro, mas também contribui para a formação de um ambiente onde o consumo de tecnologia é cada vez mais influenciado por uma compreensão emocional e contextual.

A relação GenAI e vibe coding

Acompanhe na íntegra a entrevista.

Consumidor Moderno: Como a ascensão da Inteligência Artificial Generativa (GenAI) tem transformado o modo como pessoas sem formação técnica se envolvem com o desenvolvimento e, portanto, o consumo de tecnologia no cotidiano?

Monica Magalhães: Embora eu não seja programadora, assim como milhares de pessoas que não vêm do meio técnico, estou cada vez mais presente em plataformas de desenvolvimento de software, impulsionada, em grande parte, pela habilidade da IA generativa de produzir código. Nos últimos meses, tenho dedicado grande parte do meu tempo a criar bots, aplicativos e agentes que tornam meu cotidiano mais simples. Esses recursos organizam informações, enviam relatórios automaticamente, coletam dados e me fornecem resumos que antes eu mesma precisava buscar.

Isso tem gerado uma sensação interessante: enquanto penso “nossa, estou programando”, percebo que estou atuando de uma forma nova, entendo a lógica, mas não a linguagem. Eu me comunico com a IA, solicito que ela escreva o código e vou modelando o que desejo, da maneira que quero. No fundo, parece que ganhei uma superferramenta que amplia minha capacidade criativa e técnica – sem a necessidade de ter formação em programação. Para mim, isso é um sinal poderoso de como as fronteiras do desenvolvimento estão se transformando.

Invasão de território

CM: Por não ter formação nem atuar profissionalmente como desenvolvedora, você já sentiu que está “invadindo” um território que não é seu?

Sim, já senti isso inúmeras vezes. Era uma sensação de quase como se fosse uma fraude. Porém, essa percepção mudou quando descobri recentemente o conceito de vibe coding. Essa descoberta foi libertadora. Afinal, através dela, compreendi que não preciso ser engenheira de software para criar soluções com código.

CM: Afinal, o que é vibe coding?

Vibe coding é cocriar com a IA, interagir com a lógica, experimentar, testar e ajustar tudo de maneira fluida e intuitiva. Tudo isso sem o peso da perfeição técnica. Em outras palavras, o vibe coding representa uma nova forma de construir tecnologia, acessível a qualquer pessoa curiosa e criativa. Essa abordagem democratiza o acesso à programação, permitindo que pessoas de diferentes origens e níveis de experiência possam contribuir com ideias e soluções inovadoras.

A expressão vibe coding

CM: Quando surgiu o termo vibe coding”?

A expressão “vibe coding” ganhou notoriedade após ser utilizada pelo cientista da computação Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e ex-diretor de Inteligência Artificial da Tesla, em um tweet que rapidamente se tornou viral. Essa expressão ressoou de forma significativa entre os desenvolvedores de software, refletindo uma nova abordagem em relação ao uso da Inteligência Artificial (IA) em processos de programação. Frases como “eu estou na vibe coding” já se tornaram parte do vocabulário cotidiano desses profissionais.

Com o crescimento exponencial da IA generativa, o impacto sobre o trabalho dos desenvolvedores é inegável. Nesse contexto, surge uma linha tênue entre “deixar a IA fazer tudo” – o que podemos entender como uma entrega total ao processo automatizado – e a interação colaborativa com a IA, onde o programador atua como um facilitador, monitorando e ajustando as produções geradas pela máquina.

Habilidade técnica

CM: Qual é a importância em compreender essa distinção?

Essa diferença é crucial, pois diferencia os engenheiros de software de indivíduos não técnicos que também podem gerar códigos, mas sem a compreensão profunda do que está sendo produzido. Enquanto os desenvolvedores possuem o conhecimento necessário para interpretar e modificar o código, aqueles sem formação técnica podem apenas reproduzir resultados sem entender os fundamentos subjacentes.

Portanto, o conceito de “vibe coding” não se limita a uma simples tendência linguística, mas reflete uma transformação significativa no panorama do desenvolvimento de software. Nesse quesito, ressalto a importância da habilidade técnica e do entendimento crítico, mesmo em um ambiente em que a IA desempenha um papel cada vez mais proeminente.

CM: Como futurista, de que forma você enxerga a interação entre humanos e máquinas?

A interação entre humanos e máquinas não deve ser vista apenas como uma substituição, mas como uma oportunidade de colaboração que pode elevar ainda mais a qualidade e a eficiência do trabalho em tecnologia. Aqui, a adaptabilidade é uma das chaves para o sucesso nessa nova era. Ou seja, à medida que novas tecnologias emergem, a disposição para aprender e se ajustar será vital.

Interação com a IA: um novo patamar

CM: Afinal, vibe coding substitui a programação tradicional?

De acordo com Karpathy, você entra na vibe coding quando se entrega completamente às decisões da ferramenta, deixando de lado a estrutura tradicional do código e focando na interação com ferramentas de IA. Ele descreve um fluxo onde praticamente não se toca no teclado, delega comandos simples à IA, aceita automaticamente as sugestões de alterações e contorna erros por meio de mudanças interativas, tudo em um processo que prioriza a experiência criativa em vez do controle técnico rigoroso.

Portanto, vibe coding não substitui a programação tradicional; são abordagens diferentes. Há riscos de bugs, falhas de segurança e problemas de desempenho quando se confia cegamente no código gerado pela IA.

Mercado consumerista

CM: O que a vibe coding trará para o mercado em geral; o que vai mudar?

A geração de código por agentes está se tornando uma realidade, mas atualmente os casos de uso mais comuns parecem se concentrar na prototipagem. Ao refletirmos, percebemos que sempre houve um gap entre os arquitetos de software, que dominam o conhecimento técnico, e a dificuldade em criar interfaces amigáveis que realmente expressem suas ideias. O vibe coding está muito conectado com o conceito de tecnologia centrada no ser humano, onde o foco é a ideação e a experiência do usuário, o que vem de encontro com a filosofia “cliente no centro”. Na prática, o vibe coding parece ser um grande valor a ser agregado às equipes de desenvolvimento.

As equipes poderão se beneficiar da colaboração mais eficiente entre desenvolvedores e designers, uma vez que ferramentas de vibe coding facilitarão a comunicação e o entendimento mútuo. Esse alinhamento promoverá a criação de soluções mais inovadoras e responsivas, permitindo que as empresas se adaptem rapidamente às necessidades dos usuários. Além disso, a automação de processos permitirá que os profissionais se concentrem em tarefas mais complexas e criativas, aumentando a produtividade. As empresas que adotarem essa abordagem estarão mais bem posicionadas para responder a mudanças no mercado, uma vez que poderão iterar rapidamente em seus produtos e serviços. O vibe coding também incentiva uma cultura de feedback contínuo, onde o aprendizado e a experimentação são fundamentais. Isso não apenas melhora a satisfação do cliente, mas também impulsiona a moral e a motivação das equipes.

Experimentação e centralidade no ser humano

CM: Quais são os desafios para essa área?

Resta saber se a engenharia tradicional conseguirá se adaptar ou aceitar essa fluidez do vibe coding. Muitos desenvolvedores mais experientes ainda encaram essas plataformas com ceticismo, mas as equipes de produto e inovação estão cada vez mais motivadas a impulsionar essa experimentação, especialmente na fase de Produto Mínimo Viável (MVP). Em resumo, o vibe coding representa uma evolução significativa na maneira como o desenvolvimento de software é abordado. Ele promete não apenas melhorar a qualidade dos produtos finais, mas também transformar a dinâmica das equipes de trabalho, resultando em soluções mais criativas e eficazes para os desafios do mercado. A tecnologia centrada no ser humano que o vibe coding propõe será, sem dúvida, um diferencial competitivo no futuro próximo.

Principais ferramentas

Em resumo, o vibe coding busca tornar o processo de codificação mais intuitivo e acessível, mesmo para aqueles que não são engenheiros de software.

Abaixo, Monica elenca uma curadoria de ferramentas que podem facilitar a jornada do usuário:

Agentes de Codificação: ferramentas que auxiliam os desenvolvedores a interagir com o código de maneira mais fluida e produtiva. Entre os mais destacados, está o GitHub Copilot, amplamente reconhecido como um dos pioneiros no uso de IA na codificação, permitindo acelerar o processo de transformação de ideias em implementações. Outra opção interessante é o Cursor Chat, que possibilita a comunicação direta com o código a partir da interface da IDE (software que fornece um conjunto de ferramentas essenciais para o desenvolvimento de software), favorecendo uma interação mais natural e intuitiva.

Personalização nas empresas

Para ambientes empresariais, o Cascade se destaca com seu foco em colaboração e integração, introduzindo o conceito de “workflow agentes” que otimizam o trabalho em equipe. O Cline, por sua vez, é uma ferramenta colaborativa voltada para o Visual Studio Code, permitindo um diálogo contínuo entre programadores e a IA. Se a personalização é um fator importante para o usuário, ela indica o Augment Code, que aprende com o estilo de codificação da pessoa, adaptando-se ao contexto e melhorando a experiência. Para quem busca uma abordagem mais leve e inovadora, a opção é o Zed Editor, que oferece um modo de edição baseado em agentes que torna o processo de programação mais conversacional.

Outra ferramenta é o Roo Code, uma extensão para o VS Code que facilita a prototipagem (processo de criar versões iniciais, ou protótipos, de um produto ou serviço para testar e validar ideias antes do desenvolvimento final). Há também o Goose, que simplifica o uso de IA em projetos complexos, além do Cody, que auxilia na compreensão de bases de código grandes. O Tabnine, embora mais discreto, ainda é uma opção válida para aqueles que desejam integrar a IA de maneira sutil ao seu fluxo de trabalho.

Plataformas de vibe coding

As plataformas também desempenham um papel crucial na facilitação do vibe coding. O Claude Code, por exemplo, é amplamente elogiado por sua interação fluida no terminal, enquanto o Codex abriu caminho para a geração de código de qualidade através de modelos de linguagem. O famoso ChatGPT, por sua versatilidade, continua a ser um favorito entre os desenvolvedores, permitindo a criação rápida de scripts e componentes.

O Amp, focado em engenharia de software com grandes bases de código, e o Claude, que se destaca pela geração de código limpo e coerente, são opções ideais para projetos que demandam robustez. Para os que buscam explorar rapidamente ideias, o Claude Artifacts se mostra útil na geração de pequenos aplicativos e componentes reutilizáveis.

No campo do design, ferramentas como o Google Stitch e o Figma Make estão revolucionando a forma como as ideias são traduzidas em interfaces. O Anima, por sua vez, conecta design e código, permitindo a transição rápida de protótipos para MVPs. O BMAD, embora não seja uma ferramenta de design tradicional, traz a lógica Agile para fluxos de trabalho assistidos por IA. Enquanto isso, o Gamma facilita a criação de apresentações para comunicar ideias desenvolvidas.

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Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

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CAPA: Rhauan Porfírio
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