Um estudo publicado em 2024 pela Economics Letters analisou empresas listadas na China entre 2007 e 2022 e revelou que CEOs mais jovens têm maior propensão a administrar transformações digitais em suas organizações. Segundo a pesquisa, esses líderes demonstram maior disposição para assumir riscos e buscar inovações, impulsionando a modernização e a competitividade das empresas.
Essa nova geração de líderes também é vista como a mais preparada para lidar com tecnologias disruptivas como a Inteligência Artificial generativa (GenAI) – que está impactando diversas profissões ao redor do mundo – e para conduzir a transição de liderança em empresas familiares com um olhar voltado para a inovação e a descentralização de responsabilidades.
Liderança jovem
O mundo dos negócios está repleto de exemplos sobre a força e sucesso dessa liderança jovem. O caso mais conhecido talvez seja de Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Meta, que lançou a empresa aos 20 anos e se tornou o mais jovem CEO da lista Fortune 500.
No Brasil, existem diversos exemplos de jovens CEOs com menos de 40 anos que têm feito história e transformado o mercado. Fabiana Ramos, CEO da Pine, Paulo Ibri, CEO da foodtech Typcal, Ronaldo Tenório, CEO da Hand Talk, e muitos outros.
Mas quais são os maiores desafios e as principais oportunidades para lideranças tão jovens? E qual conselho valioso esses profissionais poderiam dar a tantos jovens que desejam assumir uma posição de liderança? Pedimos para alguns desses CEOs brasileiros com menos de 40 anos nos darem uma resposta. Confira!
Desafios, oportunidades e conselhos

“O desafio é provar, com consistência e resultados, sua capacidade de conduzir o negócio. Mais do que ter todas as respostas, liderar exige maturidade para reconhecer que o aprendizado é contínuo e que o verdadeiro papel do CEO é construir e gerir um time complementar, capaz de sustentar a empresa com solidez no longo prazo.
Por outro lado, é uma oportunidade de imprimir uma visão moderna e questionadora sobre gestão. É poder desafiar modelos que não fazem mais sentido. Seja curioso e tenha coragem de fazer perguntas. Não espere se sentir totalmente pronto para aceitar o desafio de liderar – não existem fórmulas prontas. Liderar é construir repertório ao longo do caminho. Tenha responsabilidade com as pessoas. Por trás de toda liderança que inspira, há sempre um time, um ecossistema e muitas mãos construindo em conjunto. Liderar é entender que suas decisões impactam diretamente a vida de outras pessoas e essa consciência deve ser o norte em cada passo da sua trajetória.”
Fabiana Ramos, CEO da Pine.

“O maior desafio é conquistar confiança rapidamente – especialmente quando se lida com grandes empresas e estruturas mais tradicionais. Por outro lado, a grande oportunidade está justamente na liberdade de pensar diferente. Crescemos num ambiente digital, acostumados a mudanças rápidas, experimentação e a romper com o status quo. Isso nos permite criar modelos mais ágeis, inovadores e centrados no usuário.
Não romantize a posição. O conselho que dou é: encontre um problema real que você acredita ser capaz de resolver melhor do que ninguém, e se jogue de cabeça. Estude, teste, erre rápido e siga em frente. Liderança não é sobre títulos, é sobre impacto e consistência.”
Thiago Brandão, CEO da Loyalme.

“No meu caso, o maior desafio, foi a transição de fundador para CEO. É fundamental saber separar bem essas funções para tomar decisões com mais maturidade e foco. A grande oportunidade está em liderar pessoas por meio de um sonho que nasceu dentro de mim. Inspirar pelo exemplo e motivar pela verdade do propósito. Não almeje o cargo. Almeje inspirar pessoas. É um jogo de consistência, coragem e autocontrole. Não espere estar pronto para liderar. Você nunca vai se sentir completamente preparado ou confortável para as decisões que precisa tomar.
Mas, é justamente nesse lugar, de incerteza e responsabilidade, que os maiores aprendizados acontecem. O mais importante é desejar, de verdade, transformar a vida das pessoas à sua volta. O resto vem com o tempo.”
Lucas Infante, CEO e cofundador da Food To Save.

“Quanto antes começarmos, mais erros podemos cometer e, em geral, mais arrojados somos, estando dispostos a assumir mais riscos. Se for para arriscar, ressalto que prefiro arriscar cedo e ter várias chances ao longo do caminho. Conselho: Seja bom em hard skills (habilidades técnicas) e busque excelência em soft skills (comportamentos/emoções). O primeiro é o mais fácil de aprender e desenvolver. O segundo exige mudanças internas como ser humano.
E o mais importante: um líder não realiza sozinho, e isso só se conquista com as atitudes e formas de comunicação corretas.”
Paulo Ibri, CEO da foodetch Typcal.

“O grande desafio é equilibrar a ousadia com a maturidade. Quando se é jovem, é natural ter energia, vontade de fazer diferente, quebrar padrões. Mas liderar uma empresa exige escuta, resiliência, decisões difíceis e uma dose de calma que muitas vezes só vem com o tempo, ou com muita consciência.
Por outro lado, a maior oportunidade está justamente nessa abertura para o novo. Seja curioso, de verdade, sobretudo: pessoas, negócios, cultura, comportamento, tecnologia, finanças, política. Liderança não é só sobre mandar bem na sua área, mas sobre conectar pontas que outros nem enxergam. E lembre-se: ser CEO é uma consequência, não um objetivo em si. Forme relações genuínas, tenha empatia e coragem para fazer o que precisa ser feito. A soma disso tudo é o que constrói uma liderança respeitada e inspiradora.”
Ronaldo Tenório, CEO e cofundador da Hand Talk.

“Manter a responsabilidade de liderar um negócio com consistência, mesmo estando em constante aprendizado e evolução é o maior desafio. Isso exige disciplina, escuta ativa e respeito por quem já construiu antes. Por outro lado, a maior oportunidade está na possibilidade de liderar com simplicidade, promovendo um ambiente leve, onde o crescimento pessoal das pessoas caminha junto com o da empresa. Entenda que conquistar uma posição de liderança é difícil. Exige preparo, resiliência e disposição.
Liderar é escutar quem precisa de atenção, é fazer com que as pessoas entreguem resultados não só para a empresa, mas principalmente para elas mesmas.”
Kassio Seefeld, CEO da TruckPag.
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