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Brasil tem 15 mil toneladas de plástico em cartões e maquininhas

Brasil tem 15 mil toneladas de plástico em cartões e maquininhas

O Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico no mundo. A transição para soluções digitais é vista como uma maneira de reduzir o impacto ambiental, sugere estudo
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Foto: Shutterstock

Estudos recentes mostraram que 70% dos brasileiros possuem três ou mais cartões de banco. Até o final deste ano, o número de cartões de crédito, débito e pré-pagos em circulação no mundo chegará a quase 30 bilhões, de acordo com um levantamento feito pela Statista, fornecedora global de dados de mercado e consumidores. Além da questão que se levanta sobre o endividamento, uma outra preocupação vai além do setor financeiro e envolve uma reflexão sobre o meio ambiente: Para onde está indo todo esse plástico financeiro?

Os números são impressionantes e merecem atenção. Se todos os cartões emitidos na última década fossem enfileirados, eles dariam volta ao redor do planeta na linha do Equador. A área física ocupada pelos cartões e maquininhas é equivalente a nada menos que os 20 estádios do Maracanã. Só em 2022, foram produzidas mais de 20 milhões de maquininhas no Brasil, um aumento de 494% se comparado com o total de 2012.

Na visão de Alexandre Mansur, diretor de projetos da consultoria, é preciso garantir a sustentabilidade do planeta e ter um olhar mais atento para proporcionar mais qualidade de vida às pessoas e para isso sugere a redução extração de recursos naturais.

“Eliminar esses materiais aponta para o caminho que devemos seguir para continuar vivendo num planeta viável. Precisamos pensar em serviços e produtos que gerem negócios e ofereçam qualidade de vida para as pessoas, substituindo objetos físicos por bens digitais, que não exigem a extração de matéria-prima da natureza. Essa transição virtuosa é chamada de desmaterialização da economia”, afirma.

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O material dos cartões e maquininhas

Os cartões são feitos de plástico tipo PVC. Quando descartados na natureza, cartões bancários ou maquininhas levam séculos para se desintegrar, representando um desafio ambiental significativo.

De acordo com o relatório, essa manipulação natural do PVC nunca foi vista desde o início de sua produção em meados do século XIX. Nesse contexto, praticamente todo o plástico PVC já produzido pela indústria mundial está presente em algum lugar, seja em produtos armazenados, aterros sanitários, lixões, nos oceanos ou até mesmo no sistema digestivo de animais.

Já as máquinas de pagamento usadas para a leitura de cartões contêm componentes eletrônicos complexos, como baterias e placas, que são classificados como lixo eletrônico quando não mais utilizados. No Brasil, nos últimos dez anos, cerca de 95 milhões dessas máquinas foram distribuídas. De acordo com o relatório, isso se traduz em mais de 28 mil toneladas de lixo eletrônico, uma vez que essas máquinas têm um ciclo de vida relativamente curto.

“Tirar os plásticos e as maquininhas do sistema financeiro é uma dessas oportunidades de reduzir um impacto ambiental significativo sem exigir grandes mudanças no estilo de vida das pessoas e com ganhos de eficiência econômica para o país”, sugere Alexandre.

O Brasil é o quinto país maior produtor de lixo eletrônico no mundo e produz dois milhões de toneladas do material por ano, segundo relatório da Universidade das Nações Unidas. De acordo com o levantamento, apenas 3% é reciclado.

Fintech que propõe o fim das maquininhas

A plataforma de serviços financeiros Infinite Pay, que desenvolvia maquininhas próprias de cartão de crédito, já iniciou a transição para os serviços digitais. Atualmente a empresa tem concentrado esforços no desafio de eliminar os plásticos de seus pagamentos.

“Desde 2019, quando desenvolvemos a nossa primeira maquininha da InfinitePay, sabíamos que essa era uma tecnologia de transição e que eventualmente iria sumir. Algo similar aconteceu com as câmeras digitais mais simples ou os aparelhos de GPS: ambos substituídos pelos smartphones”, explica Luis Silva, fundador e CEO da CloudWalk.

“Temos observado uma rápida adoção do InfiniteTap por clientes que antes usavam maquininha. Desde novembro de 2022, o número de comerciantes cresceu em média 123% ao mês”, aponta.

O futuro do plástico

Há muito tempo se discute sobre a finalidade dos plásticos no mundo, isso porque ele é o mais agressivo para o meio ambiente podendo demorar mais de 600 anos para se degradar. Além disso, contribui para os efeitos climáticos, pois mais de 99% de seus componentes derivam da indústria de combustíveis fósseis.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o mundo produz 430 milhões de toneladas cúbicas de plásticos por ano e apenas 9% desse plástico é reciclado. A organização estima que os custos sociais e ambientais dessa produção desenfreada chegam a US$ 1,3 trilhão.

Nos últimos anos, a produção de plástico atingiu níveis alarmantes. Apesar de inúmeras evidências científicas que apontam para os impactos negativos do plástico no meio ambiente e na saúde humana, a produção mundial continua a crescer. Estima-se que, anualmente, são produzidos milhões de toneladas de plástico, resultando em montanhas de resíduos e na contaminação de ecossistemas naturais.



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