O C6 Bank vai disputar espaço com Pluxee, VR e Alelo no mercado de benefícios corporativos. O banco fechou um acordo para comprar a Alymente, startup de benefícios flexíveis. A entrada leva o banco para um segmento que movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano no Brasil. O movimento faz parte da estratégia de ampliar sua atuação junto às empresas.
A Alymente atende mais de 100 mil beneficiários e tem entre seus clientes companhias como Heineken, Nissan, BIC e Pernod Ricard. A plataforma oferece vale-alimentação, vale-refeição e outros serviços em um cartão multibenefícios, além de ofertas de bem-estar e ferramentas para a gestão de funcionários.
A operação ainda depende da aprovação do Banco Central e do cumprimento de condições precedentes. Depois da conclusão, a empresa passará a se chamar C6 Benefícios e terá cartão emitido pela Mastercard.
Clientes PJ em foco
A aquisição amplia a oferta do C6 para clientes PJ. O banco já oferece conta, pagamentos e recebimentos, maquininhas, cartões, crédito, investimentos e soluções internacionais. Nos próximos meses, também pretende lançar uma solução de folha de pagamento, permitindo às empresas concentrar no banco o pagamento dos salários de seus funcionários.
“Nossa ambição sempre foi ser um banco completo para as empresas”, afirma Ricardo Botelho, head de Pessoa Jurídica do C6 Bank. Segundo o executivo, a estratégia é atender necessidades que vão além dos serviços financeiros tradicionais. E, além disso, ampliar a relação com pequenas e médias empresas, que representam uma parcela relevante dos clientes PJ do banco.
A chegada do C6 ocorre em um mercado ainda concentrado. As quatro maiores operadoras de vale-alimentação e vale-refeição – Alelo, Pluxee, Ticket e VR – respondem por cerca de 80% do volume do segmento, que atende mais de 22 milhões de trabalhadores no País. Para o banco, a entrada de novos participantes deve elevar a concorrência em produto, tecnologia, atendimento e preço.
Mais produtos exigem mais velocidade
Ampliar o número de serviços também aumenta a necessidade de desenvolver novas soluções em menor tempo. É nesse ponto que a Inteligência Artificial adotada pelo C6 entra na estratégia de expansão do banco.
O banco afirma ter reduzido em 88% o tempo médio de entrega de projetos de tecnologia após adotar IA agêntica, em parceria com a AWS.
Em um dos casos apresentados pela instituição, o desenvolvimento de um novo produto financeiro caiu de oito a dez sprints (ciclos de desenvolvimento) para uma única sprint. Uma plataforma de dados que tinha prazo estimado de três meses foi entregue em oito dias por dois arquitetos. Já uma revisão de compliance que levava dois meses passou a ser realizada em oito dias, segundo o banco.
Além disso, o banco afirma que a Inteligência Artificial é utilizada pelas equipes de engenharia, segurança, dados e machine learning. Antes da utilização da ferramenta em produção, 722 funcionários foram treinados em temas como modelos de linguagem, uso responsável de IA, segregação de dados e compliance.
Para José Luiz Santana, CISO do C6 Bank, o ganho de velocidade precisa acompanhar os controles exigidos pelo setor financeiro. “A chave para o sucesso da IA agêntica está em permitir que ganhemos velocidade no processo de construção de produtos sem deixar de lado a segurança e a governança com as quais toda solução no mercado financeiro deve nascer”, afirma.





