O Brasil se destaca por possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com aproximadamente 83% de sua eletricidade proveniente de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas e solares, segundo a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME). A participação é liderada pela energia hidrelétrica (63,8%), seguida de eólica (9,3%), biomassa e biogás (8,9%) e solar centralizada (1,4%), de acordo com o órgão do Governo Federal.
Em um cenário global onde a Inteligência Artificial (IA) demanda quantidades crescentes de energia para alimentar data centers e processar informações, o País encontra-se em uma posição estratégica para tornar-se um hub global de IA.
No entanto, desafios regulatórios, estruturais e de investimentos ainda precisam ser superados para que o Brasil aproveite plenamente esse potencial.
Brasil como fornecedor de energia limpa para IA
A crescente demanda por IA exige uma quantidade significativa de energia, especialmente com modelos cada vez mais complexos, como os sistemas de linguagem natural e deep learning.
Empresas de tecnologia buscam fontes energéticas sustentáveis para reduzir sua pegada de carbono e atender às exigências ambientais. O Brasil, com sua matriz energética predominantemente renovável, poderia atrair investimentos e empresas interessadas em desenvolver soluções de IA em um ambiente de baixo impacto ambiental.
Países como Estados Unidos, China e regiões da Europa Ocidental já investem fortemente em infraestrutura energética para suprir as demandas de IA. O Brasil, entretanto, ainda carece de um planejamento estratégico que integre sua matriz energética com o desenvolvimento da IA.
Segundo estudos feitos com base nos processos de conexão à Rede Básica junto ao Ministério de Minas e Energia, a demanda dos data centers pode atingir 9 GW até 2035, considerando novos projetos concentrados nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia.
De acordo com César Pereira, Gerente Executivo de Regulação, Informações ao Mercado & Capacitação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o avanço da Inteligência Artificial tem sido acompanhado pelos órgãos de planejamento e políticas do setor elétrico (Empresa de Pesquisa Energética e Ministério de Minas e Energia), de forma a considerar as necessidades de investimentos em transmissão e geração de energia.
“O Brasil tem um potencial enorme para produção de energias renováveis, como solar fotovoltaica, eólica, biomassas e pequenas centrais hidrelétricas, que podem atender este crescimento de demanda por energia. Além disso, novas tecnologias estão sendo desenvolvidas, como baterias, eólicas offshore e hidrogênio de baixo carbono, que diversificam ainda mais a matriz elétrica”, comenta.
Obstáculos estruturais
Para se tornar um centro de IA, o Brasil precisa investir significativamente em infraestrutura. Embora possua abundância de energia limpa, problemas de distribuição e a baixa qualidade da conectividade em diversas regiões impedem um avanço mais expressivo.
César Pereira explica que a companhia possui uma iniciativa nesse sentido. “Desenvolvemos uma plataforma para certificação de energia renovável, que atestará a procedência da energia produzida, de forma a estimular o mercado de certificação e a valorização de atributos ambientais por parte dos consumidores, como data centers”, revela.
A ação vai de encontro com a lista de fraquezas ainda encontradas no País:
- Data centers sustentáveis: Grandes data centers são essenciais para a IA, mas demandam alta disponibilidade de energia e eficiência na refrigeração, algo que ainda não foi amplamente explorado no Brasil;
- Expansão da conectividade 5G: A internet de alta velocidade é crucial para o treinamento e uso de modelos de IA. A expansão do 5G ainda avança lentamente em várias regiões;
- Logística e distribuição de energia: Apesar de gerar energia limpa, o Brasil enfrenta desafios na transmissão eficiente para grandes centros urbanos e polos tecnológicos.
Regulamentação: Brasil no mapa da IA
A regulamentação da IA no Brasil ainda está em estágios iniciais. Prova disso foi o Projeto de Lei nº 21/2020, criado para estabelecer princípios, direitos e deveres para o uso de Inteligência Artificial no Brasil, que foi considerado pouco consistente por muitos especialistas por não abranger os seguintes pontos:
- Segurança jurídica para investidores: Empresas estrangeiras e startups necessitam de regras claras para investir no país sem enfrentar altos riscos regulatórios;
- Incentivos para pesquisa e desenvolvimento: Os incentivos fiscais para projetos de IA ainda são insuficientes, diferentemente do que ocorre em países como Canadá e Alemanha;
- Políticas de inclusão digital: Para fomentar a IA, o Brasil precisa investir na qualificação da mão de obra e garantir que startups tenham acesso à infraestrutura tecnológica necessária.
Além da regulamentação, para que o Brasil se estabeleça no mapa global da IA, são necessários investimentos robustos em setores estratégicos:
- Parcerias público-privadas: Incentivos para que empresas invistam em data centers eficientes e infraestrutura energética para computação em nuvem;
- Apoio a startups e universidades: Programas de fomento à inovação que possibilitem o desenvolvimento de soluções nacionais em IA;
- Criação de hubs tecnológicos: Regiões como São Paulo, Recife e Florianópolis poderiam se consolidar como ecossistemas de IA, aproveitando a energia limpa como diferencial.
O Brasil possui um enorme potencial para se tornar um líder global na interseção entre energia limpa e Inteligência Artificial. Contudo, é necessário superar desafios. Com uma estratégia bem definida, o País pode atrair grandes empresas de tecnologia e transformar sua matriz energética limpa em um diferencial competitivo no cenário global da IA.
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