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FGV avalia os desafios econômicos do Brasil e o cenário de crédito

FGV avalia os desafios econômicos do Brasil e o cenário de crédito

Silvia Matos, da FGV, apresentou uma visão realista e prudente sobre o panorama macroeconômico do Brasil
FGV
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Durante o Seminário CCX 2025, promovido pela Grupo Padrão, a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), traçou um panorama realista – e cauteloso – do cenário macroeconômico do Brasil.

A especialista destacou os efeitos das tensões internacionais, o risco fiscal doméstico, os impactos do aperto monetário no crédito e os desafios estruturais de produtividade do País, que impactam decisivamente o mercado de crédito e inadimplência. Matos também pontuou como as lideranças devem estar atentas e acompanhando todo esse movimento, dia a dia.

A seguir, você confere os pontos principais da análise da especialista durante o painel Desafios e oportunidades no cenário econômico brasileiro.

Contexto global e seus reflexos no Brasil

Silvia ressaltou a influência das tensões comerciais globais – como a “guerra tarifária” entre Estados Unidos e China – sobre economias emergentes. “As tarifas dos EUA subiram de 2,5% para quase 17%. Isso gera inflação de curto prazo e dificulta o processo de queda de juros. Se não fosse esse cenário, o mundo poderia estar em um ciclo mais forte de retomada econômica”, destacou.

Apesar disso, ela aponta fatores que amenizam os impactos, como o enfraquecimento do dólar e o crescimento acima do esperado da China, que favorecem exportadores como o Brasil.

Inflação e produtividade: os entraves internos

O principal entrave à sustentabilidade do crescimento brasileiro, segundo Silvia, é a baixa produtividade, especialmente nos setores de serviços. “A inflação de serviços ainda está elevada porque temos um mercado de trabalho com baixa produtividade. Quando os salários sobem e a produtividade não acompanha, esse gap vira inflação”, analisou a especialista.

A economista também alertou que o crescimento baseado apenas em estímulos públicos e aumento de renda sem ganho de eficiência, leva a ciclos curtos de expansão seguidos de necessidade de ajustes. O que dificulta a estabilidade econômica do Brasil no longo prazo.

Desafios do crédito e da inadimplência

A desaceleração da economia brasileira já se reflete claramente nos indicadores de crédito, segundo Silvia. Com juros elevados e condições financeiras mais restritivas, os consumidores – especialmente os de baixa renda – enfrentam um cenário cada vez mais difícil.

“O crédito está mais caro, e isso atinge principalmente os mais vulneráveis. O setor de menor renda sofre mais com a inflação e tem mais dificuldade de acesso ao crédito”, diz.

Silvia também destacou que, apesar da resiliência de alguns setores, como agropecuária e indústria extrativa, o canal do crédito já mostra sinais claros de enfraquecimento. Além disso, os dados apontam para um pessimismo crescente tanto entre empresários quanto entre consumidores.

“As sondagens mostram que todos os setores estão mais pessimistas em relação ao futuro. A desaceleração está contratada”, alerta.

Risco fiscal como calcanhar de Aquiles

Um dos pontos centrais da fala de Silvia foi o alerta em relação à deterioração fiscal: “O problema fiscal é o nosso calcanhar de Aquiles. Gastamos muito, arrecadamos muito e entregamos pouco.” A especialista observa que, embora os gastos da União estejam relativamente controlados, os entes subnacionais – como estados e municípios – vêm aumentando suas despesas de forma expressiva no pós-pandemia. Com isso, a dívida pública se aproxima dos 80% do PIB, um patamar elevado para países emergentes como o Brasil.

Mercado de trabalho e os limites ao crescimento

Entender o que está por trás das taxas e dados divulgados é essencial. Exemplo disso é o baixo desemprego e, ao mesmo tempo, o limitado poder de compra do consumidor, que reduz a taxa de participação da população economicamente ativa e pressiona os salários, impactando, consequentemente, a inflação.

Além disso, os dados apontam para um problema estrutural: “Mesmo com mais postos de trabalho, os setores relatam dificuldade para encontrar mão de obra qualificada”.

A mensagem é clara: para evitar pressões inflacionárias duradouras não basta reduzir o desemprego, é preciso combinar geração de empregos com aumento de produtividade.

Principais insights

Ao final, Silvia Matos, nos deixou algumas conclusões pontuais sobre esse cenário atual e futuro do mercado de crédito, suas oportunidades e desafios. Confira os principais insights:

O agronegócio é um dos motores mais promissores da economia brasileira” – Com forte produtividade e uso de tecnologia, o setor responde por cerca de 25% do PIB e representa 30% da produção de energia renovável do País, segundo estudo da FGV.

O crédito no Brasil ainda é desigual e pouco acessível para os mais vulneráveis“– Para ela, a inadimplência entre quem ganha até dois salários-mínimos é muito mais alta. “Essas pessoas só têm acesso a linhas caras, como cartão de crédito e empréstimo pessoal.”

Educação financeira é chave para reduzir inadimplência” – A economista defendeu a inclusão da educação financeira no ensino básico como forma de melhorar o uso do crédito e evitar o superendividamento das famílias de baixa renda.

O descontrole fiscal compromete políticas públicas eficientes” – Silvia criticou o uso político do orçamento público, como emendas parlamentares e benefícios tributários sem avaliação de impacto, que somam até 7% do PIB.

Produtividade é o maior desafio e a maior oportunidade do Brasil” – Para ela, o Brasil não é um enigma. “Sabemos o que precisa ser feito. Se avançarmos um pouco nas reformas certas, podemos melhorar muito o desempenho econômico e o bem-estar da população”.

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