/
/
Boteco da CM: O que está travando a IA no CX das empresas?

Boteco da CM: O que está travando a IA no CX das empresas?

Entre hype e prática, especialistas mostram que dados, jornada conectada e cultura são os verdadeiros motores da transformação em CX.
Entre hype e prática, especialistas mostram que dados, jornada conectada e cultura são os verdadeiros motores da transformação em CX com IA.
Foto: Consumidor Moderno.
Milla Lettieri, diretora de Vendas Corporativas no Brasil da Zendesk, e Fabrícia Braga, gerente de Produtos Logísticos e Backoffice do Grupo Casas Bahia, no Boteco da CM.;
Empresas falham no uso da IA em CX não pela tecnologia, mas pela falta de dados organizados, integração e revisão de processos. Bots ineficientes, canais desconectados e foco em métricas erradas geram frustração e não resolvem o problema do cliente. O sucesso depende de estratégia, contexto e mudança cultural para realmente melhorar a experiência.

Você já parou para pensar por que tanta empresa investe em Inteligência Artificial, mas o cliente continua frustrado?

A promessa é de eficiência, personalização e resolução rápida. Mas, na prática, o que muitos consumidores encontram são bots repetitivos, jornadas quebradas e a sensação de estar falando sozinho.

No novo episódio do Boteco da CM, videocast da Consumidor Moderno, essa provocação abre a conversa com duas executivas que vivem o tema da IA no CX no dia a dia. As convidadas são Milla Lettieri, diretora de Vendas Corporativas no Brasil da Zendesk, e Fabrícia Braga, gerente de Produtos Logísticos e Backoffice do Grupo Casas Bahia. Elas exploram os principais insights de um dos mais aguardados relatórios do ano: o CX Trends.

E o diagnóstico vem direto: não é a tecnologia que falha – é a forma como ela é usada.

Sem dados, sem contexto, sem solução

Antes de pensar em IA, existe um passo que muita gente ignora: organizar a base de dados. Sem isso, não há inteligência que funcione.

“Sem base de dados, como é que você vai munir de informação sua IA?”, questiona Milla.

Mais do que coletar dados, é preciso conectá-los. Isso significa entender a jornada completa do cliente – por onde ele entra, como transita entre canais e onde estão os pontos de atrito. Caso contrário, a experiência vira um quebra-cabeça desconexo.

E tem mais: implementar IA sem repensar processos é como trocar o motor sem revisar o carro inteiro. Muitas empresas ainda tentam fazer um “ctrl C + ctrl V” de estruturas antigas em novas tecnologias, e o resultado não poderia ser diferente.

Omnichannel não é ter vários canais

Outro mito comum desmontado no episódio: estar em vários canais não significa oferecer uma experiência omnichannel.

Se o cliente precisa repetir informações a cada contato, algo está errado. E esse é um dos maiores gatilhos de frustração. A promessa de fluidez só se cumpre quando tudo está integrado – dados, histórico, contexto e atendimento.

Nesse cenário, surge também o conceito de multimodalidade. Ou seja, permitir que o cliente transite entre texto, áudio, imagem e vídeo no mesmo canal, de forma natural. Afinal, a expectativa hoje é simples: resolver rápido, do jeito que for mais conveniente.

E quando isso não acontece, o impacto é direto no negócio. Clientes frustrados não apenas abandonam a marca, como também amplificam experiências negativas.

Resolver é diferente de reter

Um dos pontos mais provocativos da conversa é a diferença entre retenção e resolução.

Muitos indicadores ainda celebram taxas altas de retenção em bots. Mas isso pode esconder um problema: o cliente não resolveu nada, só desistiu ou buscou outro canal.

“Retenção não quer dizer que eu resolvi o problema do meu cliente”, reforça Milla.

Por isso, novas métricas ganham protagonismo, como:

  • Resolução no Primeiro Contato;
  • Satisfação na jornada (CSAT);
  • Redução de Esforço do Cliente;
  • Tempo Médio de Atendimento com Contexto.

As bases para o IA CX

No Grupo Casas Bahia, esse movimento já está em curso. A implementação de IA exigiu não só tecnologia, mas mudança cultural, integração de sistemas e novos indicadores de sucesso.

Ela passou, primeiro, por organizar e unificar bases de dados que antes estavam espalhadas entre diferentes áreas, como atendimento, catálogo, lives e financeiro. Sem isso, o cliente precisava repetir informações a cada contato – um dos maiores pontos de fricção da jornada.

Na prática, a empresa começou com um projeto piloto no banQi, braço financeiro do grupo, estruturando uma jornada de atendimento mais fluida e conectada. Em cerca de quatro meses, foi possível colocar no ar um chatbot com IA capaz de resolver demandas já no primeiro contato, reduzindo a necessidade de o cliente migrar entre canais – e, principalmente, evitando retrabalho.

“Não adianta o cliente entrar nessa jornada e ele ficar frustrado e ligar. Eu preciso medir se ele teve o pedido dele solucionado”, explica Fabrícia.

O futuro do IA CX não é só tecnologia

Se existe um consenso entre as especialistas, é que a IA sozinha não faz milagre.

Ela depende de maturidade organizacional, clareza de objetivos e, principalmente, de contexto. Usar IA “por usar” não resolve – e pode até piorar a experiência.

No fim das contas, a tecnologia cumpre melhor seu papel quando libera o humano para fazer o que realmente importa: entender, acolher e resolver.

Ou, como resumem as convidadas: “experiência não é o detalhe, é a estratégia”.

Quer mergulhar nessa conversa cheia de insights e provocações sobre o futuro do CX? Então vale dar o play no episódio completo do Boteco da CM!

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Emília Rabello, da NÓS, revela como impacto social e lucro podem caminhar juntos — e por que o consumo das favelas não deve ser ignorado.
Boteco da CM: Por que o mercado ainda insiste em ignorar o consumo das favelas?
Emília Rabello, fundadora da NÓS, revela como impacto social e lucro podem caminhar juntos – e por que a economia da proximidade é a próxima fronteira do consumo.
Novas lideranças e reposicionamentos estratégicos reforçam foco em inovação, expansão e transformação digital.
Conheça as novas lideranças do Grupo Bimbo, PepsiCo, Ferrero e Eletromidia
Contratações e reposicionamentos estratégicos reforçam foco em inovação, expansão e transformação digital.
Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A..
5 perguntas para Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A.
CEO da Veste S.A. revela os bastidores do crescimento da empresa, as estratégias phygital para 2026 e como competir com o fast fashion no mercado premium.
Entre previsões de desaceleração e um calendário repleto de pausas, como a Copa do Mundo e eleições, o mercado mostra que o ritmo dos negócios já não segue os feriados.
O ano dos feriados, da Copa e das eleições em que ninguém, de fato, parou
Entre previsões de desaceleração e um calendário repleto de pausas, como a Copa do Mundo e eleições, o mercado mostra que o ritmo dos negócios já não segue os feriados.
SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]