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Da automação à transformação estratégica: o case da DM

Da automação à transformação estratégica: o case da DM

Projeto de implementação de IA no atendimento, realizado em parceria com a Solve4Me, permitiu à DM absorver 141% mais contatos sem ampliar a equipe
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A demanda cresceu 141%. A equipe, não. Em apenas um ano, a DM absorveu o salto no volume de contatos sem aumentar o quadro da Central de Atendimento. Com IA, a empresa também reduziu o TMA em 15%, melhorou a resolução no primeiro contato e aumentou a satisfação dos clientes. Mas, para a DM, ganhar escala foi apenas o primeiro passo. Agora, o desafio é conectar dados, canais e processos para enxergar não apenas a jornada de atendimento, mas toda a relação do cliente com os produtos – e agir sobre os problemas antes que eles cheguem à central.

Crescer sem inchar a operação é uma das promessas mais repetidas da Inteligência Artificial no atendimento. Na DM, isso se tornou realidade. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, a Central de Atendimento da empresa registrou 141% mais contatos, e absorveu esse volume sem aumentar o quadro de profissionais.

“O principal ganho com a adoção de IA foi a escala. Conseguimos fazer com que a empresa crescesse sem precisar crescer o número de headcount da operação”, afirma Danielli Lima, head de Operações da DM, que apresentou o case no CONAREC 2026 ao lado de Cleber Caetano, CSO da Solve4Me.

O resultado, no entanto, levanta uma nova pergunta. “Quando a gente vê uma implementação de sucesso de IA, sempre é questionado: qual é o próximo salto?”, provoca Cleber. Para a DM, a resposta está em seguir investindo na transição de uma simples automação para uma transformação estratégica.

Escala como ponto de partida

O salto no volume de contatos mostra a dimensão do desafio. Em doze meses, a demanda na central cresceu em ritmo muito superior ao que uma operação tradicional conseguiria acompanhar apenas com contratações. “Depois de um ano, nós praticamente dobramos”, resume Danielli.

Sem a IA, sustentar esse crescimento exigiria ampliar equipes, estruturas de treinamento e supervisão na mesma proporção. Com a tecnologia assumindo parte das interações, a empresa conseguiu expandir o negócio mantendo a operação do mesmo tamanho.

E o crescimento não veio às custas da qualidade. Com a IA, o Tempo Médio de Atendimento (TMA) caiu 15%, a resolução no primeiro contato (FCR) melhorou e a satisfação dos clientes aumentou. A combinação mostra que os atendimentos ficaram mais rápidos e mais resolutivos ao mesmo tempo, com menos clientes precisando voltar à central para tratar da mesma demanda.

Esse é o primeiro estágio da transformação: escala e eficiência garante que a empresa não trave diante do próprio crescimento. Mas, para Danielli, parar por aí seria desperdiçar o potencial da tecnologia.

Da eficiência à decisão

Com a IA absorvendo o volume, a natureza do trabalho humano muda. Os atendimentos que chegam às pessoas tendem a ser os mais complexos, e as decisões sobre o uso da tecnologia ganham peso no resultado do negócio.

“As pessoas precisam ter discernimento para tomar as decisões e conduzir atendimentos que muitas vezes vão ser mais complexos e que vão precisar vir por humano”, explica Danielli.

A preparação vale também para quem pensa a operação. “A parte estratégica precisa que as pessoas estejam preparadas para definir onde é a melhor aplicação, onde tem mais retorno para a empresa.”

Na prática, a pergunta evolui de “quanto conseguimos automatizar” para “onde a automação gera mais valor”. E essa escolha continua nas mãos das pessoas.

O cliente não enxerga canais

O passo seguinte, segundo a executiva, exige olhar para a integração da jornada do cliente. Muitas operações ainda se organizam por canal, com bot, URA e atendimento humano funcionando como frentes separadas. Mas, para quem busca ajuda, essa divisão não existe.

“A gente olha muito para os canais, mas para o cliente não existem canais. Na verdade, o cliente só quer resolver o problema dele. Não importa se é um bot, se é uma URA, se é um atendimento humano, ele precisa de uma solução”, afirma Danielli.

Por isso, o próximo salto passa pela integração. “A importância de conectar toda a jornada do cliente, conectar as pessoas, conectar os processos, conectar os canais de atendimento é inestimável. Hoje, eu acho que esse é o maior desafio.”

A executiva reconhece que o caminho esbarra em limitações estruturais, comuns a boa parte do mercado. “Muitas empresas, e eu falo até pela minha empresa, têm sistemas legados. Então, como conectar todos esses dados?”

A lista de fontes é extensa: canais de atendimento, registros de reclamações, ouvidoria e plataformas externas são algumas delas. Cada uma guarda uma parte da relação do cliente com a marca, mas, isoladas, impedem uma leitura completa do que ele vive.

Jornada de produto

A proposta da DM junto à Solve4Me foi justamente mudar o ponto de observação. Em vez de analisar apenas o caminho percorrido quando o cliente procura a central, a empresa passou a acompanhar toda a relação dele com os produtos.

“Precisamos conectar os dados de todos os canais para que a gente comece a olhar o cliente pela jornada que ele passa com os nossos produtos, e não apenas pela jornada de atendimento. Assim ganhamos eficiência, melhoramos a experiência e reduzimos o atrito”, explica.

A diferença tem impacto direto no negócio. A jornada de atendimento mostra onde os problemas aparecem, enquanto a jornada de produto mostra onde eles nascem, o que permite corrigir causas e reduzir a própria necessidade de contato. Depois de ganhar escala, a empresa busca agora ganhar inteligência.

Para Cleber, a reflexão define o rumo da companhia. “Você acabou de acertar os próximos passos da DM para engajar ainda mais o time e ter mais eficiência”, conclui.

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