Com a capacidade de processar grandes volumes de dados, automatizar processos e impulsionar a hiperpersonalização, além de outras vantagens, a Inteligência Artificial (IA) tem causado avanços incríveis em um setor que sempre foi muito atento à tecnologia: o setor financeiro.
O quinto relatório anual State of AI in Financial Services (Estado da IA em Serviços Financeiros), realizado pela NVIDIA, aponta que as empresas deste mercado que investem em IA estão obtendo benefícios tangíveis de forma muito veloz, incluindo aumento de receitas e redução de custos. Quase 70% dos entrevistados relatam que a IA gerou um aumento de receita de 5% ou mais, com alguns relatando um aumento de receita na casa de 10 a 20%. Além disso, mais de 60% dos entrevistados afirmam que a IA ajudou a reduzir os custos anuais em 5% ou mais.
Marisa Reghini, vice-presidente de Negócios Digitais e Tecnologia do Banco do Brasil, entende que entre todas as vantagens trazidas pela IA, a principal é, sem dúvida, a “automação inteligente”. “Essa junção da IA com a automação é um cenário que irá se solidificar nos próximos anos no setor financeiro”, diz.
Outro ponto destacado pela executiva com novas tecnologias, é a consolidação muito em breve de soluções já automatizadas. “A tokenização da economia, como o uso de célula de crédito de carbono (CDS), e a criação do Real digital, que já nascerão com IA embarcada, são outros dois grandes fatores importantes que devem se tornar realidade nos próximos anos”, afirma Marisa.
Segurança e IA
Sobre esse avanço, Marisa entende que o manter o equilíbrio entre inovação e proteção de dados sensíveis dos clientes será fundamental. “Esse é um grande desafio para toda a indústria”, aponta. A executiva avalia que, hoje, no Brasil contamos com a Lei Geral de Proteção de Dados, que versa sobre as formas de uso das informações pessoais e dá as diretrizes para que elas não sejam utilizadas de forma indevida.
E para manter o equilíbrio sobre o uso dessas informações no ambiente de inovação, Marisa aponta que é fundamental “ter uma governança de dados bem estabelecida”, se referindo a uma eficiência tecnológica com rastreabilidade e transparência. “Isso dará o conforto não só aos clientes, mas às instituições sobre o uso dos dados”, pontua.
“Uma das formas de colocar esse equilíbrio em prática é o uso de dados sintéticos, ao invés do uso de dados pessoais. Isso nos permite simular a realidade e criar novos modelos, processos e produtos baseados em uma simulação cada vez mais próxima do comportamento humano, sem o uso específico da informação de nenhuma pessoa ‘real’”, explica Marisa.
A MIT Technology Review elegeu os dados sintéticos como uma das tecnologias mais inovadoras de 2022. Nos últimos anos, eles ganharam mais atenção das organizações, já que podem ser usados para treinar modelos de IA quando os dados reais são escassos ou não disponíveis. Isso é muito útil em setores onde a privacidade é crucial – como o setor financeiro.
Brasil como referência digital no setor
Fintechs, Bantechs, Open Finance, Pix estão entre as soluções que colocam o Brasil como um dos mercados financeiros mais maduros do ponto de vista tecnológico. Para Marisa, alguns desafios como educação financeira, por exemplo, ainda precisam ser superados para alcançarmos uma posição mais estabelecida e de destaque. No entanto, ela vê o Brasil como uma referência no setor financeiro digital na América Latina, sobretudo, pelo comportamento do brasileiro com as novas tecnologias.
“Os brasileiros estão entre os maiores consumidores de redes sociais e aplicativos de comunicação, como o WhatsApp, o que facilita a interação direta com os consumidores/clientes em diversos ambientes”, diz.
Um outro grande fator para esse crescimento apontado por Marisa, é que as instituições financeiras no Brasil participam de um ambiente altamente regulado e isso é benéfico para avanços sustentáveis. “Isso proporciona credibilidade e segurança aos clientes ao consumir nesse ambiente digital e favorece a aceleração de investimentos”, afirma.
Ainda sobre todas as possibilidades com IA para o nosso setor financeiro, Marisa acredita que temos um futuro muito promissor. No entanto, um dos grandes desafios será garantir que essa tecnologia seja usada de maneira transparente e ética. “É essencial que os algoritmos sejam claros e compreensíveis para evitar decisões erradas ou que possam prejudicar os clientes. Além disso, é importante evitar que a IA perpetue ou amplifique vieses inconscientes”, diz.

“O líder agora precisa desenvolver competências em gestão da mudança, o que facilita a transição para processos automatizados e baseados em IA”.
– Marisa Reghini, vice-presidente de Negócios Digitais e Tecnologia do Banco do Brasil.
Gestão em mudança
Nessa jornada, liderar em um setor que busca com as novas tecnologias além de boas experiências para seus clientes, diferenciação competitiva, Marisa diz que o caminho do sucesso está na cultura corporativa. “As decisões no BB, por exemplo, são tomadas de forma colegiada em todos os níveis. Nossa governança de dados e IA segue um padrão de robustez e confiabilidade, de forma que contamos com o uso de dados em um Data Lake Corporativo onde buscamos integrar e utilizar grandes volumes de dados de maneira eficiente e segura, além de catalogarmos e monitorarmos nossos modelos. Essa segurança no tratamento de dados nos permite subsidiar e qualificar o processo de tomada de decisão, nos mais diversos níveis organizacionais”, explica.
Por fim, Marisa afirma que a promoção de uma cultura de inovação contínua e colaboração deve ser fundamental hoje dentro de todos os setores que estão buscando avanços com IA. E que o C-Level precisa desenvolver uma qualidade essencial: gestão em mudança. “O líder agora precisa desenvolver competências em gestão da mudança, o que facilita a transição para processos automatizados e baseados em IA. Precisa ter experiência em implementação de projetos com o uso dessa tecnologia. Isso será um grande diferencial competitivo”, finaliza.





