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Aumenta desconfiança do brasileiro na compra de eletroeletrônicos, diz ACSP

Aumenta desconfiança do brasileiro na compra de eletroeletrônicos, diz ACSP

A cautela para investir em bens duráveis ainda toma conta dos consumidores. Entenda como isso tem relação direta com o mercado de trabalho

A queda da inflação, os juros em pleno descenso e o nível de ocupação em leve alta não foram o bastante para melhorar a confiança do consumidor na compra de eletroeletrônicos, no começo deste ano. Segundo o Índice Nacional de Confiança (INC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), aumentou, em fevereiro, a quantidade de pessoas que estão menos à vontade para adquirir bens duráveis, como geladeira, fogão e televisão.

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Neste mês, 66% dos consumidores declararam estarem menos dispostos a comprar produtos eletroeletrônicos. Em relação a fevereiro de 2017, houve aumento de seis pontos percentuais, o que ainda indica cenário ruim para o consumo desse tipo de mercadoria.

Segundo o economista Emilio Alfieri, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o motivo de os produtos eletroeletrônicos não atraírem o consumidor na situação atual “tem relação direta com o mercado de trabalho”. A pesquisa indica que houve piora da insegurança com relação à estabilidade no emprego e com a situação financeira. Em fevereiro deste ano, 55% revelaram insegurança em seus postos – crescimento de quatro pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

Alfieri disse, em entrevista ao portal NOVAREJO, que fatores como os juros e a inflação em queda permitiram, de fato, um leve aquecimento no mercado de trabalho. Mas o crescimento no nível de ocupação e nas contratações está pautado na informalidade. É o que aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta quarta-feira a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua).

O IBGE afirma que houve aumento de 5,6% de trabalhadores sem carteira assinada neste mês, em relação a fevereiro de 2017, enquanto o levantamento indica retração de 1,7% no mercado formal.

Para o economista da ACSP, o número maior de pessoas na informalidade explica a elevação da insegurança dos trabalhadores no Índice de Confiança Nacional (INC). E, consequentemente, esse fator de incerteza nos cargos afeta diretamente a confiança do consumidor na compra de produtos eletroeletrônicos, que, geralmente, demandam maior investimento.

Cenário eleitoral

A eleição presidencial deste ano, em outubro, é a grande responsável pela demora no crescimento da economia e pela cautela do mercado, de acordo com o economista Emilio Alfieri. “A economia brasileira está melhorando aos poucos e as contratações estão ocorrendo, mas, por enquanto, na informalidade. Até a definição de quem será eleito o presidente, os empregadores não vão contratar funcionários com carteira assinada. Com isso, a economia não vai dar grandes passos e deve permanecer estável até as eleições”, diz Alfieri.

 

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