/
/
Anarquistas econômicos: a revolução a partir do compartilhamento

Anarquistas econômicos: a revolução a partir do compartilhamento

Peter Kronstrom, head do Copenhagen Institute for Future Studies (CIFS), fala sobre as transformações geradas pelo compartilhamento de produtos e ideias
Legenda da foto

A relação dos consumidores com os produtos está mudando consideravelmente. Aplicativos como Easy Taxi, por exemplo, têm transformado a vida dos cidadãos. Para o Copenhagen Institute for Future Studies (CIFS), essa tendência insere anarquia em nossa economia. Qual é o impacto disso para o dia-a-dia dos clientes e das empresas?

Confira a entrevista exclusiva realizada com Peter Kronstrom, head do Instituto.

1. Conte sobre o conceito de anarcoeconomia, tendência citada no Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente (Conarec).

Anarcoeconomia é um conceito que une anarquia e economia. O que estamos vendo na comunidade on-line e no que chamamos de sociedade em rede é uma sociedade paralela ascendendo em interação com a economia oficial. Para entender o básico disso, pense em duas pessoas trocando ideias. Se cada um tiver uma, no total serão duas novas ideias. Então, nessa sociedade em rede, caracterizada pela hiperconectividade, isso poderia representar uma loteria na qual, de fato, todos ganharíamos um bilhão, pois teríamos acesso a um bilhão de ideias. Uma boa loteria onde todos ganhariam o prêmio maior.

Assine nossa newsletter!
Fique atualizado sobre as principais novidades em experiência do cliente

2. Como esse conceito pode influenciar o comportamento dos consumidores?

Esse cenário cria um enorme reino de oportunidades para desenvolver e criar um novo conceito construído sobre ideias infinitas que já estão disponíveis e tem criado um amolecimento do conceito de copyright e IP. Algo que podemos ver com a indústria da música e dos filmes é que tudo o que pode ser digitalizado caminha em direção ao preço zero e está sendo compartilhado de maneira cada vez mais barata, o que vai continuar criando disrupção e causando problemas a várias indústrias. Elas vão precisar se reinventar e se adaptar a modelos de negócios do amanhã. Aquele que não se adaptar sofrerá.

3. A busca por autonomia é uma tendência que mudará o comportamento dos consumidores e empresas no futuro?

Com certeza esse cenário ? que nós no Copenhagen Institute for Future Studies chamamos ?liberdade da propriedade? ? está mudando radicalmente o cenário de consumo. Nós vimos no passado que o consumo era impulsionado pelo desejo: comida, casas e produtos físicos. Agora, simplesmente não faz sentido continuar comprando produtos que vamos precisar trocar de qualquer maneira, cedo ou tarde. Hoje pode ser muitas vezes mais sábio ter acesso e compartilhar ao invés de possuir. Isso inclusive dá uma mobilidade e agilidade completamente novas na vida pessoal de cada individuo. Nós vamos deixar de comprar um produto para comprar o acesso a serviços. Apenas um exemplo: pense em uma furadeira. Em toda a sua vida, você usou esse objeto durante no máximo uma hora. É muito mais esperto compartilhar esse aparelho com outros e muito mais sustentável. Estamos vivenciando isso com carros compartilhados e até mesmo com casas, por exemplo, com o Airbnb.

4. Serviços como Airbnb, Waze e Uber podem fazer com que os consumidores precisem cada vez menos das empresas?

Não vamos dizer que os consumidores precisam menos das companhias. É melhor afirmar que as empresas de que precisamos e que usamos vão mudar, mas ainda vamos precisar delas. Mas ao invés do hotel tradicional, nós usamos agora o Airbnb. Ao invés de taxis, usamos serviços como o Uber. Então, o desafio para as companhias é aumentar a habilidade de se adaptar a esses novos meios de interação com consumidores. E por isso é ainda mais importante fazer um monitoramento constante e estar consciente de como o cenário global está mudando.

Conheça o Mundo do CX

5. Qual pode ser o impacto desses serviços e produtos na economia formal do país? Como as empresas podem se adaptar a isso?

O impacto é uma acelerada taxa de mudança. A economia tradicional está se transformando de um modo esquizofrênico e multipolar. Então, acabaram ou não acontecem mais os dias em que as companhias podiam se afastar e, então, paralelamente, desenvolver produtos para amanhã. As empresas que vencem nesse cenário são aquelas que experimentam dentro do mercado, em um jogo de tentativa e erro, e também se adaptam rapidamente. Nós podemos dizer que o futuro não é aquilo que costumava ser. É uma caixa de ferramentas completamente nova.

6. Os consumidores estão menos preocupados com a posse de objetos? Estão mais dispostos a dividir?

Nós acreditamos que sim e que a cada dia, principalmente da classe média para as camadas de mais poder econômico, a satisfação em termos de necessidade física é cada vez maior. E isso se torna cada vez menos relevante, ao mesmo tempo em que nos envolvemos com outras aspirações. O produto em si se torna cada vez menos importante, devido à facilidade de compartilhar on-line e de usar recursos tecnológicos, fazendo a organização desse compartilhamento mais rápida e segura, além de sustentável. É claro que ainda haverá produtos que não podem ser compartilhados. Mas vale a pena investir naqueles que fazem sentido nesse cenário.



+ NOTÍCIAS
Conheça os quatro perfis do consumidor do futuro
A quais demandas do consumidor o mercado de beleza deve estar atento?

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Primeiro ano da regulamentação das bets no Brasil consolida apostas esportivas como entretenimento de massa e intensidade de consumo no País.
Bets legais movimentam R$ 36 bilhões no Brasil e mostram alto engajamento
Primeiro ano da regulamentação das Bets no Brasil consolida apostas esportivas como entretenimento de massa e revela intensidade de consumo no País.
Ovos de Páscoa expostos em supermercado em São Paulo.
Chocolate mais caro pressiona Páscoa e molda comportamento do consumidor
Mesmo com a queda do cacau, preços seguem pressionados e consumidor adapta escolhas com foco em custo-benefício, bem-estar e conveniência.
"Sim, senhor": IA pode ser bajuladora e falar tudo o que você quer ouvir
Estudo de Stanford mostra que chatbots concordam até 50% mais que humanos e podem reforçar decisões erradas, sem questionar o usuário.
O total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estaduais e municipais cresceu 2,9% em comparação com 2025.
Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos em 2026
O total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estaduais e municipais cresceu 2,9% em comparação com 2025.
SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]