Em três décadas de mercado, a AmPm, marca que nasceu integrada ao ecossistema da Ipiranga, deixou de ser apenas uma opção de compra rápida em postos de combustível para se transformar em um ponto de parada. Ele é pensado para jornadas que vão desde o café da manhã apressado à refeição de quem trafega por rodovias. A rede, presente em cerca de 1.500 lojas dentro da malha de aproximadamente 5.900 postos da Ipiranga, reposicionou a marca com foco em food & beverage.
Por meio de parcerias estratégicas e formatos modulares, a rede passou a atender públicos muito distintos, do caminhoneiro ao cliente de condomínio. “Nosso diferencial é a capacidade de ofertar um portfólio no lugar certo para o consumidor que precisa”, explica Bárbara Miranda, presidente da AmPm.
“A AmPm trouxe para o consumidor brasileiro o conceito de conveniência americano. Mas ele foi evoluindo ao longo do tempo”, explica.
No começo deste ano, a marca passou por uma reformulação de identidade que não foi apenas estética. A chamada onda laranja ampliou a logo (cerca de 35%) e alterou paleta e materiais para tornar a experiência mais acolhedora, com foco no alimento como protagonista. O novo layout privilegia a vitrine de alimentos, com pão de queijo, sanduíches, pizzas rápidas até áreas de seating mais confortáveis. Até o final do ano, cerca de 300 lojas devem estar com esse novo design.
Crescimento e qualidade
Miranda explica que a marca não quer crescer por crescer, mas que existe uma preocupação com a qualidade e consistência dessas lojas. A estratégia prioriza expansão seletiva, mais penetração em pontos com potencial e cuidado para que o franqueado tenha retorno real, evitando a diluição da experiência da marca. “É menos do que falar em números, e mais sobre a preocupação com a qualidade da execução dessas lojas”, explica.
Quando a expansão acontece sem critério, o efeito dominó é imediato. “Pode-se formar detratores, franqueados que não têm uma experiência positiva com a marca e, por isso, não conseguem entregar um bom depoimento ou gerar bons resultados”, explica. Segundo ela, um franqueado mal preparado tende a ter desempenho financeiro abaixo do esperado, o que se reflete diretamente na operação da loja e, no fim da cadeia, na experiência do consumidor. “A partir daí, a percepção da marca começa a degringolar, assim como a imagem de toda a franquia.”
Por isso, o crescimento precisa ser sustentável. “Se expandimos por expandir, sem avaliar o ponto e sem nos preocuparmos com a qualidade do operador, colocamos em risco a percepção da rede como um todo. Temos sido cada vez mais criteriosos, renovando lojas onde faz sentido e garantindo que cada unidade entregue o padrão que a marca exige”, pontua.
Parcerias que transformam
O investimento estratégico em parcerias exclusivas foi um dos vetores dessa transformação. Marcas como Pizza Hut Express (presente em cerca de 80 lojas), Mr. Cheney (cookies) e a marca própria 93 Burger (hambúrguer + batata McCain), além de aumentar a atratividade da vitrine, aumentam também a composição do ticket. “Essas parcerias reforçam nosso portfólio diferenciado e trazem grandes marcas para dentro da loja com ofertas exclusivas”, explica Bárbara.
Em 2024, o faturamento por loja cresceu 8% comparado ao ano anterior. A integração com o complexo do “posto completo” da Ipiranga é uma fortaleza que a AmPm tem utilizado de forma cada vez mais estratégica para seguir com bons resultados. A varejista monitora lojas comparáveis e aponta uma diferença no faturamento entre unidades.
“A AmPm compara lojas com e sem parcerias e observa de 6 a 9 pontos percentuais a mais de faturamento nas unidades com execução adequada. As parcerias elevam o ticket médio e mudam a cesta de compra. Por exemplo, o consumidor geralmente compra duas unidades de Pizza Hut, acompanhadas de bebida, o que aumenta a receita e a frequência de visita”, explica.
O crescimento do delivery é outra frente que a marca enxerga com otimismo. No segmento de food service, o delivery representa cerca de 20% das vendas, um percentual que serve como referência para o potencial das lojas de conveniência como last mile em áreas urbanas. Hoje, a rede tem vantagens logísticas para oferecer bebida gelada e alimentos em poucos minutos, especialmente em horários e locais onde a oferta é escassa.
Aposta em perfis diversificados
A rede dos franqueados emprega cerca de 7.500 pessoas. Mas manter a rede saudável vai além da escolha do franqueado. Passa também por um dos maiores gargalos do varejo atual: mão de obra. “Como eu mantenho o time treinado? Como eu mantenho o time motivado? Esse é um grande desafio. Todo mundo fala em apagão de mão de obra, e a gente sente dos nossos franqueados uma enorme dificuldade de contratar, reter e desenvolver. No fim das contas, somos um negócio que depende profundamente do serviço”, afirma.
A execução do produto é um exemplo claro desse impacto. “Se eu preparo errado um alimento, não importa se tenho a melhor massa de pão de queijo do mundo. Trinta segundos a mais no forno e você destrói o produto. A experiência do consumidor final fica muito ruim.” Para evitar esses desvios, a rede intensificou processos de treinamento, suporte e auditoria.
Além do apoio à contratação e à qualificação, há visitas regulares às unidades para checar segurança alimentar, higiene, exposição dos produtos e execução no ponto de venda. “Existe um checklist de execução, de higiene e de segurança alimentar. Temos evoluído muito, e ainda há muito a ser feito. Mas esse conjunto de esforços, somado à seleção de franqueados competentes, sustenta a trajetória de sucesso da marca há 34 anos.”
A AmPm explora alternativas, como o recrutamento de faixas etárias 50+. O perfil tem sido bem recebido em algumas operações, inclusive na joint venture com a Krispy Kreme. Nela, o modelo de operação direta facilita experimentos com diferentes perfis. A rede tem investido em treinamento, auditorias de segurança alimentar.

Loja de rodovia
A nova unidade de rodovia está localizada em São Mateus do Sul (PR). A loja reforça o papel da AmPm em estar presente nas diversas jornadas do consumidor. O projeto da AmPm Rodovia nasceu do reconhecimento de que o público da estrada tem necessidades específicas. Enquanto motoristas de passeio buscam rapidez e snacks, o caminhoneiro precisa de refeições mais substanciais, estacionamento, banheiros com chuveiro, espaço para descanso e até itens para levar para casa, de uma peça de roupas a um presente para a família.
Um dos destaques da nova unidade é o “chimarródromo”, espaço criado especialmente para o consumo do chimarrão. A proposta é mostrar que cada loja de rodovia valoriza características locais. “O que estamos construindo é uma rede que entende cada contexto e se adapta à necessidade do consumidor e do franqueado. Isso é o que diferencia a AmPm: oferecer conveniência e variedade de forma simples, acessível e próxima”, afirma Bárbara Miranda.
Por isso, o formato é modular: o mix de produtos e serviços varia conforme o fluxo e o entorno. Em pontos muito distantes de centros urbanos, a loja pode funcionar quase como um mini-mercado; em locais próximos a cidades, o foco volta para alimentação e serviços rápidos. Pequenos detalhes locais, como o “cantinho do chimarrão”, exemplificam a sensibilidade da rede ao hábito regional, elemento-chave para acolher o caminhoneiro e torná-lo um cliente fiel.
Logística própria e padaria como DNA
A AmPm conta com uma estrutura de suprimentos e logística nacional, com quatro centros de distribuição que cobrem cerca de 90% da rede, entregando com frequência entre uma e duas vezes por semana. Esse arranjo permite que a marca sustente o que é talvez o seu maior diferencial: a presença de padarias em cerca de 800 lojas, com pães assados em fornadas diárias e oferta consistente de food & beverage.
É essa capacidade de entrega e frescor que viabiliza iniciativas sazonais como a rabanada AmPm. O produto é pensado como conveniência emocional para o Natal, para ser servido quente ou frio, e que chega às lojas refrigerado graças ao controle de supply chain.





