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“Apesar da prioridade, pessoas com deficiência são as últimas da fila”, diz Torquato

“Apesar da prioridade, pessoas com deficiência são as últimas da fila”, diz Torquato

Cid Torquato escreveu uma carta aberta sobre acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência e aponta caminhos para uma sociedade inclusiva

Pessoas com deficiência são as últimas da fila. A frase de impacto é de Cid Torquato, advogado, CEO da Icom Libras e ex-secretário municipal da pessoa com deficiência de São Paulo. Isso porque apesar do discurso de prioridade, falta inclusão, que se traduz na ausência de acessibilidade, oportunidade, educação e inclusão.

Para ampliar a visibilidade das discussões sobre deficiência, Torquato escreveu uma carta aberta aos candidatos nas eleições de 2022 sobre os direitos das pessoas com deficiência. A expectativa é que o documento, que é acompanhado de um abaixo-assinado, ajude a ampliar as políticas públicas para esta parcela da população.

Trata-se de uma parcela nada irrelevante. De acordo com o censo do IBGE de 2010, pelo menos 6,7% da população brasileira tem algum tipo de deficiência de grau moderado a severo. Torquato acredita que esse percentual é ainda maior, e chega aos 10%. O que significa mais de 22 milhões de pessoas com deficiência no país.

De acordo com a ONU, 15% da população mundial possui algum tipo de deficiência. Ainda segundo as Nações Unidas, até 2050 serão 2 bilhões de pessoas com deficiência no mundo.

Mudança começa na estrutura

É muita gente capaz de consumir, trabalhar e que quer viver com autonomia todas as oportunidades. Mas para esse cenário ser possível, Torquato acredita que a primeira mudança deve ser estrutural.

“Muita gente pensa em tornar ambientes acessíveis como algo utópico, mas não é. É preciso conceber projetos, ambientes, ruas, o transporte levando em conta a acessibilidade, se isso é feito organicamente não há custo, porque está inserido no projeto. Caro é fazer gambiarra”, avalia o ex-secretário municipal paulistano.

Isso porque para expandir verdadeiramente o acesso da população com deficiência é preciso que elas consigam ir e vir. Segundo o advogado, já há boas – mas ainda poucas – medidas sendo tomadas nesse sentido.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) é o principal marco dos direitos da pessoa com deficiência no Brasil. Com a lei, a fiscalização aumentou, com a adequação e o planejamento de acessibilidade passando a ser incluído em vários novos e existentes projetos.

“Tenho visto muitos comitês de acessibilidade, de diversidade, de inclusão. Está num ritmo menos rápido do que gostaria, mas é importante o exercício de discussão. Um passo para se tornarem mais e mais realidade para pessoas com deficiência”, reflete.

Por um mercado de trabalho mais inclusivo

Ampliar as possibilidades de trabalho e renda e colocar direitos já existentes na prática são os principais desafios para que as pessoas com deficiência tenham as mesmas oportunidades de qualquer outra.

Apenas 1% das pessoas com deficiência têm um emprego com carteira assinada no Brasil. Um dos caminhos importantes nesse sentido é a adaptação dos conteúdos e plataformas digitais, para que se tornem acessíveis e inclusivos.

O Brasil tem uma Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91), que estabelece um percentual de vagas para pessoas com deficiência em empresas com cem ou mais empregados. Apesar de uma legislação existente há mais de 30 anos, de acordo com Torquato só metade das vagas são cumpridas.

“Hoje, se todas as vagas potenciais fossem preenchidas de acordo com a Lei de Cotas, teríamos cerca de 1 milhão de posições voltadas para pessoas com deficiência. Só a metade delas é preenchida, a maior parte em São Paulo”, explica.

Mas o CEO da Icom não vê os departamentos de RH preparados para enfrentar esse debate. O primeiro desafio é a contratação. “O RH tem como missão contratar, e em geral não enxerga que a pessoa com deficiência pode ser a melhor”.

Para mudar esse cenário, Torquato acredita que o caminho é o estágio. Trabalhar a formação do profissional com deficiência aumenta a qualificação dessa parcela da população, estimula a inclusão social e é uma modalidade com menos encargos que a contratação formal pela CLT.

“Isso faz com que melhorem as contratações, melhora o jeito como as pessoas são tratadas, muda a cultura da empresa em geral. Assim, o respeito à diversidade vira um aprendizado também para as empresas”, destaca Torquato.

Mercado Consumidor

Além de querer e precisar trabalhar, pessoas com deficiência são um mercado consumidor imenso e ainda pouco explorado. Além das mais de 20 milhões de pessoas com deficiência que é estimado que o Brasil tenha, as mudanças de abordagem impactam diretamente o entorno de cada uma delas, podendo chegar a mais de 60 milhões de pessoas.

Trabalhar a acessibilidade em todas as suas vertentes, física e de idioma, amplia e diversifica o público, aumentando a interação e as chances de fidelização dos consumidores.

Um exemplo bem-sucedido são as empresas que trabalham com serviços de atendimento bilíngues, em português e Libras. A Icom trabalha com soluções em tempo real para pessoas surdas, com intérpretes em vídeochamadas. O recurso, conta Torquato, mudou a vida de pessoas surdas – desde a ida a uma consulta médica até um atendimento comercial, ao permitir que a pessoa use sua própria língua para se comunicar.

E no mercado digital não é diferente. Uma parcela relevante da população fica de fora pela falta de acessibilidade em sites. Felizmente nos últimos anos houve uma acelerada digitalização associada à inclusão, com mais marcas e serviços, tanto públicos quanto no e-commerce, disponibilizando conteúdo experiências com acessibilidade digital. O que, lembra Torquato, é relevante também para o acesso a bens e serviços no mundo físico.

O portal Movimento Para Todos listou alguns dos benefícios de pensar na acessibilidade digital a sério. Confira alguns deles:

  • Vantagem competitiva: ampliação e diversificação do público, traz mais valor agregado para as organizações e fortalece as marcas;
  • Ampliação e diversificação do público: A comunicação acessível e colaborativa constrói fidelização;
  • Visibilidade: buscadores, como o Google, encontram mais facilmente páginas acessíveis, otimizando a visibilidade da marca e do conteúdo, bem como a geração de leads;
  • Facilidade e agilidade: a página acessível é fácil de navegar, e carrega mais rapidamente;
  • Compatibilidade: a adaptação da página permite maior compatibilidade com todos os dispositivos, plataformas, sistemas e navegadores, o que aumenta o alcance do público.
  • Transformação social: tornar a página acessível é uma forma de colocar em prática missões e valores ligados ao papel social da empresa.

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