/
/
A confiança do Brasil tem motivos para aumentar – e não é só a esperança

A confiança do Brasil tem motivos para aumentar – e não é só a esperança

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, comenta sobre os indicadores do Brasil e mostra que o País está começando a sair da crise
Legenda da foto

“Ainda não podemos dizer que as pessoas estão otimistas, mas podemos dizer que estão menos pessimistas”. Foi assim que Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, abriu o Recover Money 2017 – evento que debateu a recuperação de crédito e do País e que aconteceu nesta semana, em São Paulo.
A sensação que tínhamos antes, de acordo com ela, é que o fundo do poço não chegaria nunca – e isso afeta a expectativa de todos. Contudo, essa sensação está começando a se estabilizar – e isso é muito positivo, porque traz alguma esperança e reflete nos indicadores de confiança.
A revista NOVAREJO digital está com conteúdo novo. Acesse agora!
“No fim do processo de impeachment, os indicadores de confiança subiram por esperança. Agora, isso acontece por um movimento mais consistente”, argumenta. “A minha avaliação é que esse processo de confiança vai se consolidar nos próximos meses, mas ainda em 2017 não teremos toda a recuperação”. O que ela acredita é que a confiança deverá se juntar à percepção de como está o país – os dois sendo positivos.
Para Zeina, a inflação é como a febre. Quando surge de repente e parece passar rápido, não deve ser assustadora. Mas, vivemos uma inflação teimosa que ameaçava sair do controle. E ela é como a febre que não cede: o erro do governo foi ignorar essa tendência. “Com o time econômico avançando, a reação natural é a inflação cair”, diz, comentando sobre a situação atual.
Mas, considerando o passado, era evidente que a inflação não se acertaria sozinha. Como ela acredita, enquanto a capacidade do governo de pagar a divida ainda é posta em dúvida, empresas não acumulam grandes crenças, a economia não anda, a inflação não cai, o Banco Central (BC) perde o controle do processo – e essa esse o cenário antes do impeachment. “O mercado financeiro chegou a precificar desse cenário”, diz, o que incluía a previsão de cotação de dólar de R$ 6 para 2018. “É mérito do governo de hoje a redução da inflação”, afirma. “Ela não teria caído sozinha”, afirma.

Crise fiscal

No Recover Money de 2016, Zeina afirmou que a origem da crise é fiscal. E ela ainda sustenta essa ideia. “Começamos a ter resultados fiscais cada vez piores, o que foi feito é pior do que as ‘pedaladas’”, afirma. Os dados que mostram os resultados do governo caíram, não acompanhando a dívida do mesmo – que só aumentou. “Entender que a crise é fiscal é fundamental. Se as pessoas duvidam da capacidade do governo de honrar suas dívidas, não há a possibilidade de o país se estabilizar”, afirma.
Por isso, o mérito é do governo, que topou as reformas e chamou uma equipe econômica confiável – e não política. “Diagnóstico correto, time e capacidade de aprovação de reformas são a combinação para o sucesso da melhoria”, afirma.

Envelhecimento

Zeina afirma que é também um problema que a população esteja envelhecendo ao mesmo tempo em que gastamos muito com previdência – e é uma pena que a reforma não tenha dado certo na gestão FHC. “A expectativa de vida aumentou, enquanto as pessoas não têm a quantidade de filhos que tinham antes”, afirma. “As despesas previdenciárias foram 13% do PIB em 2016 e vai aumentar junto com o aumento da população idosa”.
Ainda somos um país jovem, no bônus demográfico, gastando o que países idosos gastam com previdência. Nesse sentido, ela afirma que, sem a reforma, viraremos um grande Rio de Janeiro: 50% da receita do Estado está comprometida com funcionários inativos. “Não se trata apenas de pagar contas, mas não deixar políticas públicas colapsarem”, argumenta.

Atitude

O fato é que o diagnóstico dessa situação foi feito e uma primeira medida foi tomada: a Regra do Teto – da famosa “PEC do Teto”. Isso vai obrigar entes públicos a mudar a forma como agem. “A Regra do Teto vai ajudar a garantir, sendo cumprida, que a dívida publica pare de subir e se estabilize”, explica. “Mas, sem a Reforma da Previdência, ela implodirá”.
Entre questões que ela destaca como ainda necessárias, está a necessidade de flexibilizar a possibilidade de demissão em cargos públicos. “Outra discussão que tende a crescer é a universidade publica gratuita, que é ocupada majoritariamente por pessoas ricas e deveria ser pagas por quem pode pagar”, aponta.

Atualidade

Hoje, Zeina destaca que a taxa neutra de juros – calculada a partir da subtração da inflação prevista da taxa Selic – está em queda. A expectativa dela é que o BC corte a Selic, chegando a um dígito nos próximos meses. “Acho que podemos nos surpreender com as arrumações da economia que estão acontecendo”, aponta.
Para ela, essa arrumação vai mudar o país, dando abertura para mais mudanças. “Precisamos cortar juros, aprovar a previdência – ou o país vai desandar”, argumenta.

Política monetária

Como afirma a economista-chefe, a política monetária ainda funciona. E por mais que a crise seja fiscal, a insegurança jurídica no empréstimo de crédito é um dos fatores que mais impactam. “Nossa recuperação de crédito é baixa. Com o custo que há no empréstimo de crédito, não vale a pena emprestar. E é natural que a busca por crédito caia no processo de crise, contudo, mas aqui é excepcional, porque os bancos puxam o freio no cenário de inadimplência”, afirma. Isso piora ainda mais a crise.
Também nesse cenário, aconteceu o aumento da confiança nesse sentido – mas ela ainda não é totalmente positiva. E ela ressalta: o fato de a Justiça ser sempre favorável ao devedor piora essa situação. “Destruímos o mercado de crédito bancário”, diz. E o pior disso tudo está relacionado a realidade de Pessoa Jurídica.

Cenário

O número de endividados ainda é alto. E os bancos públicos não poderão ajudar – isso pode levar a diminuição ainda maior da Selic. Outro ponto é o mercado de trabalho. “Se pudéssemos ter mais mudanças de salário ou de jornada, teríamos menos demissões”, diz. “A insegurança jurídica também afeta nesse ponto: o empresário contrata já sabendo que pode haver um problema jurídico no futuro”. A boa noticia no mercado de trabalho é a estabilização – reflexo do aumento de confiança.
A confiança do consumidor também está melhorando – o que caracteriza um consumidor menos pessimista, ajustando o orçamento. Nesse sentido, ela destaca que o maior problema não é a Pessoa Física, mas a Jurídica.

Contexto mundial

Considerando o cenário internacional, Zeina diz que, primeiro, precisamos dizer que é preciso ter sorte na vida – Lula teve muita, com o cenário que internacional em que viveu as gestões como presidente. “Dilma, não. Ela não tem sorte”, diz. “Temer, por sua vez, teve alguma – mas é bom que não tenha muita, porque se o Brasil ficar feliz demais não fará as Reformas”. Analisando a atualidade, ela ressalta que o ambiente internacional é propicio à economia.
Contudo, a produtividade do Brasil, quase sendo alcançada pela da China, preocupa. Assim como o bônus demográfico, já citado. “Estamos com a produtividade travada”, diz. “Somos improdutivos em tudo, menos na agropecuária”. Isso significa que o Custo Brasil afeta a todos. “Precisamos de políticas horizontais para melhorar o ambiente para todos, não só para alguns grupos”, conclui.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

IA e dados contra o "achismo" do varejo
Executiva do Compra Agora e presença confirmada no CONAREC 2026, explica como tecnologia e personalização estão melhorando e simplificando a reposição de estoque e o acesso a crédito para os pequenos lojistas
9/9, 10/10, 11/11: datas duplas criam um novo calendário para o e-commerce
Shopee, Mercado Livre e TikTok Shop espalham grandes campanhas pelo ano e criam novos hábitos no consumidor brasileiro.
Assaí inaugura farmácia própria dentro do supermercado
A compra do mês acaba de ganhar um novo corredor. O Assaí Farma marca o início da estratégia da rede para transformar suas lojas em centros de serviços.
Como os produtos "zero" deixaram de ser restrição e viraram estilo de vida
De cervejas sem álcool a ketchup zero açucar e gelatos proteicos, marcas apostam em uma nova relação dos consumidores com o prazer sem culpa.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Menos estímulos, mais experiência? Novas cobranças do WhatsApp Marco Legal da Cibersegurança: o que muda? A IA democratizou o cibercrime