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A próxima agenda é repensar a ação do Estado

A próxima agenda é repensar a ação do Estado

Economista da XP Investimentos diz que consumidor está aprendendo a lidar com crédito
Legenda da foto

O cenário macroeconômico não está indo bem. E todo mundo sabe disso. Mas para entender os motivos que levaram o País a esta situação e, a partir daí, pensar em estratégias para continuar crescendo, a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, falou no painel de abertura do Seminário de Investimentos NOVAREJO, que acontece nesta manhã, em São Paulo. ?Falar de economia é um pouco indigesto no momento, mas não dá para fechar os olhos e é importante entender o que está acontecendo e o que a gente pode ver de luz no fim do túnel?, explicou a economista.

A conta, resume, é complexa, mas simples de entender. Mesmo durante a crise de 2008, o Brasil acompanhava o mundo em termos de demanda e oferta. Ou seja, a curva de consumo das famílias acompanhava de perto a produção da indústria. Por isso, o impacto da crise que teve início nos Estados Unidos naquele ano não atingiu de maneira forte o País. O problema é que de 2011 pra cá, essas linhas começaram a ficar descoladas. ?O mundo foi e o Brasil ficou?, disse.

Esse hiato é resultado de alguns fatores: experimentalismo na politica econômica, piora da qualidade dessa politica e intervencionismo estatal. O último fator pesou, afirma Zeina. ?Quando você faz intervenção nesses preços, você desarruma a economia e colhe um menor crescimento?, explica. É que essas intervenções vieram sob a forma de incentivos fiscais e desonerações que privilegiaram um setor e não para outros ? o que gera um desequilíbrio nas contas. Somente ano passado, afirma, foram R$ 120 bilhões em renúncia. ?O problema é que essas intervenções se mostraram ineficientes. Foi uma sucessão de erros que derrubou nosso potencial de crescimento?, diz. Somado a este cenário, o País não teve reformas de peso desde 2004. O resultado da conta está todo mundo vendo: confiança do consumidor em baixa, consumo seguindo na mesma direção, inflação, desaquecimento.

No varejo, os impactos não são homogêneos. ?As reações dentro do varejo têm sido diferenciadas e assim vão seguir. O que temos agora é uma piora da margem de maneira geral para todos os segmentos?, diz. ?Tem um alerta de curto prazo: esse ano o ciclo econômico ainda não se completou e tem mais leituras negativas por vir. As vendas do varejo sofrem, porque o consumidor está pessimista?, reforça.

Para a economia de maneira geral, as perspectivas, afirma a economista, não são boas. ?Tirar a macroeconomia dos trilhos significa que o País fica caro. Se a gente não arrumar a macroeconomia, a gente vai arrumar uma crise mais grave e se não fizermos ajustes, o consumo das famílias vai declinar?, avalia. O remédio está na pauta: ajuste fiscal. O problema, avalia Zeina, é que esse ajuste ainda não saiu de fato. ?A próxima agenda é repensar a ação do Estado?, diz. ?É um Estado que gasta mal e não falo de corrupção, mas de má administração, má alocação de recursos. A gente se financia com uma carga tributária que é distorcida. Se não repensarmos, a gente corre o risco de perder os ganhos que tivemos da última década?, afirma.

Mas há um ponto bom em tudo isso que pode impactar de maneira positiva o varejo: neste momento, as famílias estão aprendendo a lidar melhor com o crédito e com o próprio orçamento. ?O fato é que as famílias buscam reduzir atrasos em dívidas bancárias, principalmente, mas isso é bom. Por mais que hoje machuque, é a chave para limpar o orçamento neste semestre para abrir espaço para uma retomada para um orçamento mais equilibrado?, explica. Com ajustes feitos, o céu pode começar a clarear mais a frente. O potencial de crescimento do País pós-ajustes deve ficar entre 1% e 2%. É esperar para ver se o Levy vai dar conta.

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