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Varejo busca novas rotas em meio a crise de confiança

Varejo busca novas rotas em meio a crise de confiança

29ª Global CEO Survey da PwC mostra CEOs mais cautelosos, foco no curto prazo, avanço seletivo da inovação e expansão para novos setores como estratégia para recompor receitas.
29ª Global CEO Survey da PwC mostra CEOs mais cautelosos, foco no curto prazo, avanço seletivo da inovação e expansão para novos setores como estratégia para recompor receitas.
Foto: Shutterstock.
A 29ª Global CEO Survey da PwC revela que o varejo brasileiro inicia 2026 mais cauteloso: a confiança no crescimento da receita caiu de 51% para 39%, enquanto 62% do tempo dos CEOs está focado no curto prazo. Escassez de talentos, inflação e instabilidade macroeconômica lideram as ameaças (42%). Ao mesmo tempo, 42% das empresas passaram a competir em novos setores e 34% já registram aumento de receita com IA, sinalizando busca por reinvenção.

O setor de varejo e consumo no Brasil inicia 2026 sob o signo da cautela. Pressionadas por inflação, instabilidade macroeconômica e escassez de mão de obra, as lideranças do segmento têm revisto prioridades, redirecionado investimentos e ampliando frentes de atuação.

Dados da 29ª edição da Global CEO Survey, da PwC, revelam um ambiente de confiança mais moderada, maior foco no curto prazo e movimentos concretos de expansão para novos setores como forma de sustentar receitas em um cenário desafiador.

Reconfiguração econômica

A 29ª edição da Global CEO Survey ouviu mais de 4.400 líderes em 95 países. A pesquisa revela que o setor de varejo e consumo no Brasil está inserido em um amplo movimento de reconfiguração econômica global.

No recorte setorial, quatro em cada dez CEOs afirmam que passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, como forma de abrir rotas adjacentes de expansão e recompor receitas diante de um ambiente mais desafiador.

Acomodação da confiança

O movimento de reinvenção acontece em paralelo a um cenário de cautela crescente. No varejo e consumo, a confiança no crescimento da receita das próprias empresas para os próximos 12 meses caiu de 51% para 39%.

O dado reforça a percepção de um 2026 desafiador, marcado por pressão de custos, instabilidade macroeconômica e necessidade de respostas rápidas por parte das lideranças.

“Quando analisamos o varejo e consumo no Brasil, vemos que os CEOs brasileiros estão demonstrando uma acomodação na confiança e estão pensando muito mais no curto prazo do que no longo prazo”, comenta Luciana Medeiros, sócia e líder de Varejo e Consumo da PwC Brasil. “Isso está fortemente atrelado aos desafios que também aparecem na pesquisa: escassez de talentos, instabilidade macroeconômica e inflação.”

P: Qual é o seu grau de confiança nas perspectivas de crescimento da receita da sua empresa em 12 meses e em 3 anos? (Apenas respostas “Muito confiante” e “Extremamente confiante”).
Imagem: PwC/Reprodução.

Principais ameaças

Entre os riscos mais citados pelos executivos do setor, 42% apontam a falta de mão de obra qualificada, a inflação e a instabilidade macroeconômica como principais ameaças aos negócios. Na sequência, aparecem riscos cibernéticos e disrupção tecnológica, ambos com 30%. Reforçando, portanto, a preocupação com continuidade operacional e segurança.

A cibersegurança nunca saiu da lista de principais preocupações e permanece como tema relevante. As empresas continuam investindo, porque a tecnologia evolui rapidamente”, frisa.

Tensão no ar

O estudo evidencia um ambiente de “tensão no ar”. Embora no horizonte de três anos a confiança se mantenha relativamente estável (48% em 2026, após 49% em 2025), o curto prazo concentra as maiores apreensões.

A agenda dos líderes está fortemente direcionada a questões imediatas, o que reduz o espaço para debates mais estratégicos.

“Hoje, os CEOs estão dedicando 62% do seu tempo a um horizonte inferior a um ano, contra apenas 9% ao longo prazo. Esse dado mostra claramente o foco em ‘virar o jogo’ no curto prazo, em um ano desafiador como 2026”, explica.

Imagem: PwC/Reprodução.

Competição ampliada

Nos últimos cinco anos, 42% das empresas de varejo e consumo passaram a competir em novos setores. O percentual está alinhado ao movimento global (42%), mas ainda abaixo da média brasileira geral (51%). O dado sugere que o setor adota inovações de forma mais seletiva, priorizando iniciativas com maior potencial de retorno no curto prazo.

“Ao olhar para o cenário, as empresas avaliam se podem atuar em novos setores, criar novas linhas, atingir novas classes sociais. A pergunta é: o que realmente pode ser feito para reinventar o negócio e não perder resultado e receita no próximo ano?”, questiona.

IA em consolidação

A Inteligência Artificial atravessa um estágio de consolidação na indústria. Enquanto 34% das empresas registraram aumento de receita atribuído ao uso de IA nos últimos 12 meses, a maioria ainda considera o impacto pequeno, seja em custos (55%) ou em receitas (66%). O padrão é semelhante ao observado no conjunto das indústrias brasileiras.

“Estamos em um estágio de consolidação, mas com muitas oportunidades de evolução no curto prazo, ampliando o uso da tecnologia em diversos componentes do varejo e consumo para gerar benefícios em termos de lucro”, relata.

Imagem: PwC/Reprodução.

Reinventar para acelerar

Diante da queda da confiança no curto prazo, da pressão por custos e da mudança no comportamento do consumidor, o imperativo estratégico para 2026 é claro: reinventar para acelerar. Expandir para novos setores, utilizar IA de forma prática e fortalecer a governança são movimentos que podem sustentar a competitividade no longo prazo.

Reinventar-se é fundamental para manter receitas, substituí-las ou até mesmo ampliá-las em um cenário desafiador”, finaliza Luciana.

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