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Um País distante chamado Brasil

Um País distante chamado Brasil

Como um País como o Brasil não consegue criar mecanismos para fazer melhorias?

Vi e vivi à distância uma das semanas mais intensas e marcantes da história recente do Brasil. Ao participar do South by Southwest – SXSW – em Austin, no Texas (EUA), um dos mais incríveis festivais de cultura, música, cinema, entretenimento e interatividade do mundo, entre os dias 10 e 18 de março, pude ver o País passar pela maior manifestação da história – no domingo, 13/03, apenas alguns dias após o ex-presidente Lula ter sido encaminhado coercitivamente para depor no aeroporto de Congonhas.

Vi também a inacreditável nomeação do mesmo ex-presidente para o ministério da Casa Civil, algumas semanas depois da nomeação de Jaques Wagner para o mesmo posto. Vi a divulgação das gravações de conversas telefônicas de Lula com personalidades da política e até mesmo com a presidente Dilma Rousseff. Vi sua nomeação ser suspensa por liminares diversas, até que um dos ministros do STF, Gilmar Mendes, a tornou sem efeito até julgamento pela tribuna superior de nosso Judiciário.

À distância também tive de explicar a situação para americanos, alemães, etíopes, indianos, franceses, nigerianos. E nunca o Brasil me pareceu tão distante do mundo civilizado, somente os cidadãos etíopes e nigerianos compreendiam o que se passava aqui, acostumados que estão com essas crises institucionais, por viverem em ditaduras décadas a fio. Os colegas de democracias sólidas não compreendem como um país com uma economia enorme como a nossa não consegue criar mecanismos melhores para redução da corrupção, redução do poder político e tamanha falta de espírito público como a demonstrada pela presidente.

OS COLEGAS DE DEMOCRACIAS SÓLIDAS
NÃO COMPREENDEM COMO UM PAÍS COM UMA 
ECONOMIA ENORME COMO A NOSSA NÃO CONSEGUE
CRIAR MECANISMOS MELHORES 

Vamos lá, usando apenas uma comparação: na Suécia, um deputado virou manchete de jornal por usar táxis em excesso. Em um país onde o espírito público é real, políticos vivem com um salário normal, sem verbas de representação, assessores e mordomias. Deputados vão ao Parlamento usando transporte público. Por onde um deputado tomar táxis em excesso significa que dinheiro público está sendo usado de modo inadequado. Para gente de democracias como essa, a nossa presidente já deveria ter renunciado, em nome do mais legítimo espírito público.

Aproximei-me do país que foi às ruas se manifestar contra a corrupção, mas distanciei-me do país que promove uma polarização idiota – ser “contra” ou a “favor” é simplesmente insuficiente. Os fatos estão aí e é preciso observá-los. E os fatos são implacáveis contra o Governo. Ainda assim, o País que precisa se aproximar de mim, deve somente respeitar a ordem legal. E se nesse caso, a presidente for impedida e afastada, que assim seja.

Distanciei-me ainda do Brasil ao ver inovações em série durante meus dias em Austin, ideias brilhantes, experimentações, pesquisas, empreendimentos. Pensei em como seria estimulante viver em um ambiente repleto de oportunidades, onde as pessoas não empreendessem por falta de bons empregos, mas sim pela presença constante de possibilidades para fazer dinheiro com ideias novas. Essa realidade começou a se distanciar do país há 6 anos, quando The Economist ainda via o Brasil decolando e o nosso empresariado embarcava na quimera da demografia fantasiada de “nova classe média”.

Explico: o famoso aumento da “renda”que levou à explosão de consumo pouco teve a ver com “política social” e muito teve relação com o envelhecimento da população. Uma família de 4 pessoas que em 2002 tinha dois filhos com 12 e 14 anos (portanto apenas duas pessoas que produziam renda), em 2010 tinha 4 pessoas com renda para consumir. Os filhos tinham 20 e 22 anos, talvez um deles formado, ambos empregados, o país recebendo dinheiro de investimentos com uma balança comercial robusta pelas commodities, a família toda com mais renda. Hoje, o desemprego não por acaso atinge praticamente 1 em cada 3 jovens em idade ativa. E não é exatamente o jovem de 18-25 anos que foi às ruas protestar.

A miopia de nosso País abriu uma cratera inalcançável para que nossos jovens sigam o exemplo de seus pares nos EUA, Europa, China, Israel e Coréia. Enquanto millennials e “Zs” nesses mercados buscam formas de melhorar o mundo, rediscutindo e propondo novos modelos de negócio e novos valores, nossos jovens foram entupidos de ideologia maniqueísta e atitude cínica diante da política.

A MIOPIA DE NOSSO PAÍS ABRIU
UMA CRATERA INALCANÇÁVEL PARA QUE NOSSOS 
JOVENS SIGAM O EXEMPLO DE SEUS PARES

Tudo isto revela um País distante de seu potencial, de sua capacidade de crescer de maneira sustentável, de ser mais justo, honesto e empreendedor.

Quando voltei ao Brasil em 18 de março, senti uma profunda melancolia. Estava aqui, no País em que nasci e no qual produzo, crio e cultivo família e valores. Pena que este País esteja cada vez mais longe do que gostaria que ele fosse.

Por outro lado, ânimo não me faltou e não faltará. Enquanto o Brasil continuar distante do que pode ser, haverá trabalho a fazer. E é disso que precisamos cada vez mais: trabalhar para reduzir distâncias entre o possível e o ideal.

ENQUANTO O BRASIL CONTINUAR
DISTANTE DO QUE PODE SER, HAVERÁ 
TRABALHO A FAZER

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão.

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