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TikTok enfrenta ação judicial após mortes ligadas ao “desafio do apagão”

TikTok enfrenta ação judicial após mortes ligadas ao “desafio do apagão”

Processo nos Estados Unidos aponta que decisões de design e recomendação de conteúdo teriam exposto jovens a práticas letais.
TikTok enfrenta ação judicial após mortes ligadas ao desafio do apagão
Foto: Shutterstock.com
Seis famílias movem uma ação judicial contra o TikTok nos Estados Unidos após a morte de adolescentes que teriam imitado o “desafio do apagão”, popularizado na plataforma. O processo aponta que o algoritmo da rede social direcionou conteúdos perigosos a jovens entre 11 e 17 anos. A empresa tenta barrar o caso com argumentos legais, enquanto pais e advogados defendem que se trata de falhas graves de design e pedem acesso a dados para responsabilização e prevenção de novas tragédias.

Seis famílias decidiram recorrer à Justiça norte-americana após perderem seus filhos em circunstâncias semelhantes. Segundo a ação, adolescentes com idades entre 11 e 17 anos morreram ao tentar reproduzir o chamado “desafio do apagão”, uma prática perigosa que circulou em vídeos no TikTok.

O desafio consiste em provocar dados físico a si mesmo até a perda de consciência. Comportamento que, de acordo com os pais, foi estimulado por conteúdos exibidos repetidamente na plataforma.

O processo descreve que todas as crianças foram encontradas sem vida e em situações compatíveis com a tentativa de cumprir o desafio. Para os autores da ação, não se trata de episódios isolados, mas de um padrão relacionado à forma como o TikTok recomenda vídeos a seus usuários mais jovens.

O papel do algoritmo

No centro da disputa, está o funcionamento do algoritmo da rede social. A ação sustenta que as mortes foram consequência previsível de um sistema projetado para maximizar o engajamento, mesmo quando isso implica expor crianças e adolescentes a conteúdos extremos.

Segundo os advogados das famílias, as decisões de programação da ByteDance, controladora do TikTok, teriam priorizado retenção e tempo de tela por quaisquer meios necessários.

O caso foi protocolado no Tribunal Superior do Estado de Delaware e cita duas entidades legais do TikTok, além da ByteDance. A escolha do foro se deve ao fato de a ByteDance e a TikTok LLC serem incorporadas nesse estado, apesar de parte das famílias envolvidas viver no Reino Unido.

Defesa da plataforma

Entre os argumentos apresentados pelo TikTok para que a ação seja arquivada, está a alegação de falta de jurisdição, já que cinco das seis famílias são britânicas e os principais réus estariam baseados fora dos Estados Unidos.

A empresa também invoca a Primeira Emenda da Constituição americana e a Communications Decency Act, legislação que limita a responsabilização de plataformas por conteúdos publicados por terceiros.

Contestação jurídica e mobilização dos pais

Para Matthew P. Bergman, advogado que representa as famílias, o foco do processo não é a liberdade de expressão, mas a responsabilidade sobre o produto. Segundo ele, o caso trata de escolhas de design consideradas perigosas e de um modelo de recomendação que teria direcionado conteúdos letais a crianças. Bergman afirma que as famílias aguardam há tempo demais por respostas e responsabilização.

Os pais afirmam que ainda desconhecem exatamente que tipo de conteúdo foi exibido a seus filhos antes das mortes.

De acordo com eles, o TikTok se recusa a fornecer essas informações. As diretrizes da própria plataforma proíbem vídeos que promovam ou glorifiquem atos perigosos capazes de causar ferimentos graves ou morte, o que reforça, na visão das famílias, a necessidade de esclarecimentos.

Entre os casos, está o de Ellen Roome, mãe de Jools Sweeney, que morreu aos 14 anos, em 2022. Desde então, ela lidera uma campanha por uma legislação conhecida como Lei de Jools, que propõe a preservação automática de dados online e de redes sociais de crianças em até cinco dias após a morte.

Para Roome, sem a guarda dessas evidências digitais, torna-se impossível investigar adequadamente a exposição a conteúdos nocivos.

Em manifestações públicas, os pais destacam que, enquanto o processo pode ser visto pelo tribunal como uma questão técnica, para eles o caso representa a perda irreparável de seus filhos.

A expectativa é que a Justiça permita o avanço para a fase de produção de provas, possibilitando compreender como o algoritmo atuou e se houve falhas que possam ser corrigidas para evitar novas tragédias.

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