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Supermercados: de mãos dadas com a indústria

Supermercados: de mãos dadas com a indústria

Para crescer, é preciso aproveitar as pesquisas que a indústria faz com o consumidor, diz Abras

Para um ano complicado como foi 2014, o crescimento real de 2,24% apresentado pelos supermercados foi um resultado positivo, segundo o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Fernando Yamada. E quem executou as tendências verificadas pela indústria no ponto de venda pode crescer ainda mais neste ano. “A indústria faz um trabalho forte de pesquisa do shopper. Então, o supermercadista que trabalhar de mão dada com a indústria, como ativação de inovação e gestão de categoria, vai ter melhores resultados”, afirma.

O setor, explica, é fortemente influenciado pelo nível de renda, taxa de desemprego e inflação. Apesar de todos esses indicadores em queda, o setor se mantém otimista. O que está acontecendo, explica Yamada, é um reajuste na área de vendas. “Tem áreas grandes que precisam ficar mais rentáveis. Alguns estão mais preocupados em adequar áreas superdimensionadas para novas realidades de espaço por uma questão de custo”, explica.

Para crescer em 2015, os supermercados reforçam a parceria com a indústria e reveem o espaço de venda. Eles têm buscado expandir com modelos menores, mais enxutos, mais localizados em bairros, com mix mais assertivo.

2014
“Nosso mercado acompanha o índice de aumento de renda, que não vinha com a mesma performance dos anos anteriores; índices de emprego, que se manteve no mesmo nível; e inflação, que ficou dentro da meta. Com a desaceleração do aumento da renda e uma leve pressão nos preços, a gente sabia que não ia atingir números expressivos em relação aos
anos anteriores. O setor se mantém otimista, mas dentro de uma realidade. Então, fechamos o ano bem.”

Expansão
“Temos acompanhado a indústria de alimento e bebida e está todo mundo otimista. O nível de investimento está se mantendo, quem está com programa de abrir novas lojas está mantendo os planos. O que está acontecendo é um reajuste de áreas de venda para que elas fiquem mais rentáveis, com mais produtos e serviços. Alguns estão mais preocupados em adequar áreas superdimensionadas e adequá-las para novas realidades de espaço por uma questão de custo. Aqueles que já têm plano de expansão vão continuar com eles, talvez não na mesma velocidade que antes, porque as ações do governo estão acontecendo muito rápido. É um ajuste de resultado, porque a loja grande tem um custo alto e o resultado demora mais.”

As lojas de vizinhança
“Abrir loja de vizinhança é uma questão da conveniência para o cliente, que não quer ir longe da sua residência. Tem o problema da mobilidade, segurança, uma série de coisas que estão crescendo, então nas capitais a mobilidade e a conveniência é um fator forte para fazer lojas de bairros ? mas tem canal para todo tipo de cliente. Tem a tendência
de investir mais em lojas de bairro e isso está acontecendo. Há um estudo que mostra essa tendência de ao longo dos anos as lojas próximas às residências crescerem. As grandes redes estão entrando no mesmo nicho.”

Comportamento
“O consumidor está muito sensível a preço e o supermercadista está sensível a custo. E eles começam a pensar em fazer trabalho de produtividade para não ter de onerar os preços, porque se repassa tudo, o consumidor vai ficar mais retraído. O setor aposta em produtividade, em processos mais econômicos e tecnológicos, que é o que todo mundo está fazendo, mas dependemos do fornecedor. E se a cadeia de preço do fornecedor for onerada, seja por frete, custo de energia, de água, naturalmente a composição de preço dele pode alterar para cima. O consumidor já vinha trocando de marcas commodities por aquelas de qualidade e agora o maior desafio é adequar esse poder de aquisição com essa faixa de preço, porque o cliente sabe que tem benefício, mas ele está sendo tolhido pelo menor poder de renda. Ele vai colocar na ponta do lápis que é melhor ele continuar consumindo este produto porque ele vai ter beneficio.”

Sintonia com a indústra
“Tem uma sintonia positiva, porque a indústria faz um trabalho forte de pesquisa do shopper e alinhamos essa pesquisa para fazer um trabalho nas categorias. Somos um canal de execução. Então, o supermercadista que trabalhar de mão dada com a indústria, como ativação de inovação e gestão de categoria, vai ter melhores resultados. Ainda temos o cliente do preço, mas o comportamento aspiracional do cliente é o que pesa mais. Ele não quer voltar ao produto commoditie. Ele quer o produto saudável, que o faz bem ou aqueles item de última geração. Aproveitar a informação da indústria e executar isso no ponto de venda é o que estamos fazendo.”

Custo-Brasil
“O Brasil precisa manter o nível de credibilidade no mercado internacional, porque não podemos viver sem investimento, principalmente na área de infraestrutura. Nossos fornecedores investem e aumentam sua área industrial porque eles acreditam que o Brasil tem um índice de consumo de crescimento forte nos próximos dez anos e a primeira coisa que pode deixar o mercado seguro é que não vai faltar produto. Isso é um grande fator de segurança para o cidadão é uma responsabilidade natural do trade supermercado. Agora, o nosso custo de distribuição para chegar em cidades fora das capitais precisa melhorar e isso não é uma questão nossa.”

2015
“Neste ano, estamos projetando um desempenho um pouco abaixo de 2014, de crescimento real de 2%. Há uma tendência de ter uma pressão de preços maior, uma perspectiva de o nível de renda cair em relação a 2014. E ainda tem todas essas 
ações do governo para ajustes de contas. Não podemos brigar contra esses índices, mas não esperávamos que este cenário fosse ocorrer tão rápido. Se este cenário não piorar, a gente fecha com número positivo. O supermercadista está otimista, porque estamos mantendo um leve crescimento – o que mostra que o cliente está indo nas lojas. Claro que ele não está comprando com a mesma intensidade, mas ele continua comprando. Vamos crescer 2% – o que é ótimo. Se a economia der brecha, a gente cresce mais. Não acredito que a gente volte aos momentos áureos, porque eles foram muito alavancados pelo crédito, e não só pela renda. O que precisamos manter é a cultura qualitativa de consumo, independentemente da renda do consumidor.”

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