O Spotify anunciou uma parceria com algumas das maiores gravadoras do mundo, como Sony Music Group, Universal Music Group, Warner Music Group, Merlin e Believe. O objetivo é desenvolver produtos de IA que coloquem artistas e compositores no centro das decisões.
Segundo a empresa, o foco está em atrair mais detentores de direitos autorais e distribuidores ao longo do tempo, estabelecendo uma frente unificada para lidar com os desafios e oportunidades trazidos pela IA. “Algumas vozes na indústria da tecnologia acreditam que os direitos autorais devem ser abolidos. Nós não acreditamos. Os direitos dos músicos importam. Os direitos autorais são essenciais”, declarou o Spotify em comunicado oficial.
A plataforma reforça que, se a indústria musical não liderar esse movimento, a inovação pela IA pode ocorrer fora do ecossistema musical, sem direitos, consentimento ou compensação. Para evitar isso, o Spotify está realizando investimentos em pesquisa e desenvolvimento, em parceria com gravadoras, artistas e compositores.
No mês passado, o Spotify anunciou um pacote de medidas para proteger artistas, produtores e ouvintes de práticas abusivas e preservar a integridade do setor. Segundo a empresa, só no último ano, foram removidas mais de 75 milhões de músicas classificadas como spam.
4 princípios para o uso ético da IA na música
Segundo a empresa, a iniciativa do Spotify será guiada por quatro princípios centrais que orientam o desenvolvimento de produtos de IA:
- Parcerias responsáveis: novos produtos serão desenvolvidos com gravadoras, distribuidoras e editoras musicais por meio de acordos prévios, evitando disputas futuras.
- Escolha e consentimento: artistas e detentores de direitos poderão decidir se e como participar do uso de ferramentas de IA, garantindo alinhamento com seus valores criativos.
- Compensação justa: os produtos deverão gerar novos fluxos de receita para artistas e compositores, com créditos transparentes e pagamento adequado.
- Conexão com fãs: a IA não substituirá a arte humana, mas aprofundará as conexões entre artistas e público, criando novas formas de descoberta e interação.
Um laboratório de IA generativa para a música
O Spotify também revelou que está construindo um laboratório de pesquisa em IA generativa de última geração e formando uma equipe de produtos dedicada ao tema. A ideia é desenvolver tecnologias inovadoras, em parceria com o ecossistema tecnológico global, sempre em consulta direta com artistas, produtores e compositores.
“A tecnologia deve sempre servir aos artistas, e não o contrário”, afirmou Alex Norström, copresidente e diretor de Negócios do Spotify. “Nosso foco é garantir que a inovação apoie os criadores, protegendo seus direitos e criando novas maneiras para os fãs descobrirem e curtirem a música que amam.”
Para Gustav Söderström, copresidente e diretor de Produto e Tecnologia da empresa, a IA é a mudança tecnológica mais significativa desde o smartphone. “No Spotify, queremos construir esse futuro em parceria com a indústria musical, guiados por princípios claros e profundo respeito pelos criadores, assim como fazíamos na época da pirataria”, destacou.
Apoio das grandes gravadoras
Os principais líderes das gravadoras envolvidas expressaram apoio à iniciativa e destacaram a importância de licenciar e regular o uso da IA na música antes de lançar novos produtos.
Rob Stringer, presidente do Sony Music Group, ressaltou que a colaboração “é um reconhecimento de que o licenciamento direto antes do lançamento de novos produtos é a única maneira apropriada de desenvolvê-los e demonstra como um mercado em bom funcionamento beneficia todos no ecossistema e impulsiona a inovação”.
Sir Lucian Grainge, CEO do Universal Music Group, reforça que “é essencial que trabalhemos com parceiros estratégicos como o Spotify para viabilizar produtos de IA de egração em um cenário comercial próspero, no qual artistas, compositores, fãs, gravadoras e empresas de tecnologia possam prosperar”.
Robert Kyncl, CEO do Warner Music Group, acrescentou que “temos nos concentrado consistentemente em garantir que a IA funcione a favor dos artistas e compositores, e não contra eles”, defendendo novos acordos de licenciamento específicos para IA.
Charlie Lexton, COO da Merlin, destacou o compromisso com o respeito aos direitos autorais e à comunidade criativa. “Estamos entusiasmados em trabalhar juntos para garantir que esses princípios se traduzam em produtos que realmente aprimorem o ecossistema criativo e comercial – para o benefício de nossos membros independentes, seus artistas e seus fãs.”
Denis Ladegaillerie, fundador e CEO da Believe, classificou a iniciativa como um avanço na “IA criativa de valor”, que coloca os artistas e suas carreiras no centro da inovação.





