/
/
Da recomendação à compra, redes sociais ganham espaço no consumo

Da recomendação à compra, redes sociais ganham espaço no consumo

Influenciadores e plataformas passam a participar da experiência, enquanto marcas lidam com novos desafios de operação e atendimento
Foto: Shutterstock
As redes sociais já fazem parte da jornada de compra: o consumidor descobre produtos, recebe recomendações e pode concluir a compra sem sair da plataforma. Pesquisa do IAB Brasil mostra que sete em cada dez pessoas acompanham criadores diariamente, reforçando o peso desse conteúdo na decisão de consumo. Para Benjamin Rosenthal, professor de marketing da FGV EAESP, a transformação aproxima cada vez mais conteúdo e comércio. “Estamos vendo cada vez mais uma junção entre o ambiente que antigamente era de consumo de conteúdo puramente, rede social, para um ambiente cada vez mais comercial”, afirma. Na Riachuelo, a entrada no TikTok Shop resultou em mais de 200 mil vendas em cerca de 15 meses e trouxe aproximadamente 160 mil novos consumidores que nunca haviam comprado da marca. “Hoje, a principal porta de entrada que a pessoa tem no TikTok Shop é o conteúdo de um influenciador”, afirma Guilherme Salgueiro, diretor de Growth da varejista.

A compra pode começar antes mesmo de o consumidor decidir que quer comprar. Um vídeo no TikTok, uma recomendação de influenciador ou uma publicação no Instagram pode apresentar um produto, despertar o interesse e, poucos cliques depois, levar ao checkout. Agora, as marcas precisam pensar a experiência do consumidor.

Pesquisa do IAB Brasil mostra a dimensão desse comportamento. Sete em cada dez pessoas acompanham criadores de conteúdo diariamente. A plataforma escolhida também varia conforme a idade: entre 14 e 17 anos, o TikTok é a principal rede para 43% do público, enquanto o Instagram aparece com 31%. Entre 18 e 34 anos, o Instagram chega a 50%. Já entre pessoas de 40 a 49 anos, o YouTube alcança 52%.

Para Benjamin Rosenthal, professor de marketing da FGV EAESP, a aproximação entre conteúdo e comércio está mudando o papel das redes sociais na relação com as marcas.“Estamos vendo cada vez mais uma junção entre o ambiente que era de consumo de conteúdo puramente, rede social, para um ambiente cada vez mais comercial”, afirma.

O criador entra antes do checkout

A influência dos criadores não começa necessariamente pela identificação pessoal. Segundo o IAB Brasil, 48% dos entrevistados dizem acompanhar criadores pela relevância para seus interesses. Aprendizado aparece em seguida, com 45%, e entretenimento, com 42%.

Na comparação com 2025, a confiança também ganhou espaço, avançando dez pontos percentuais e passou a liderar entre as características mais associadas aos criadores. Autenticidade cresceu 11 pontos, transparência, seis, e consistência, oito.

É nesse ponto que o conteúdo começa a se aproximar diretamente da decisão de compra. Para Rosenthal, quando um produto aparece dentro de um conteúdo relevante, a distância entre descobrir e considerar a compra diminui.

“Ele afeta profundamente a jornada de compra, porque torna a exposição a um produto que supostamente tem uma demanda ou interesse aparente imediato em uma compra potencial”, explica.

O tamanho da audiência, por si só, também não explica a relação de confiança. Segundo o IAB Brasil, a diferença entre os diferentes portes de criadores é de apenas seis pontos percentuais quando os consumidores são questionados sobre confiança total. Entre os que demonstram baixa confiança, os índices ficam entre 47% e 54%.

Benjamin Rosenthal, professor de marketing da FGV EAESP. Foto: Divulgação

O algoritmo também participa da experiência

Se o criador influencia a descoberta, a plataforma define boa parte do que chega até o consumidor. Para Rosenthal, esse poder está diretamente relacionado ao algoritmo. “A plataforma domina o algoritmo, domina os conteúdos que são expostos ao usuário”, afirma.

A diferença em relação ao comércio tradicional aparece na quantidade de agentes envolvidos. No site próprio, a marca controla boa parte da experiência, da exposição do produto à comunicação com o cliente. Nas redes sociais, o consumidor pode descobrir uma peça pelo algoritmo, receber a recomendação de um criador, comprar dentro da própria plataforma e, depois, voltar a procurar a marca em outro canal.

A Riachuelo acompanha esse comportamento desde que entrou no TikTok Shop. Em cerca de 15 meses, a varejista contabilizou mais de 200 mil vendas e identificou aproximadamente 160 mil novos usuários que nunca haviam comprado da marca.

Segundo Guilherme Salgueiro, diretor de Growth da Riachuelo, o conteúdo produzido por influenciadores é hoje a principal porta de entrada para a operação. “Hoje, a principal porta de entrada que a pessoa tem no TikTok Shop é o conteúdo de um influenciador”, afirma.

A jornada também não termina dentro do TikTok. Quando um produto não está disponível na plataforma, a companhia consegue identificar consumidores que procuram a mesma peça no site ou no aplicativo da Riachuelo.

O impacto na operação

A redução das etapas entre descoberta e compra cria uma pressão adicional sobre as marcas: entregar o que o conteúdo prometeu.

Na operação da Riachuelo, produtos que viralizam podem concentrar pedidos em pouco tempo e pressionar o estoque. Para Rosenthal, o risco está menos relacionado ao pagamento e mais à capacidade de fazer o produto chegar ao consumidor.

“Você não tem tanto um risco de pagamento, você tem muito mais um risco de logística”, afirma.

O efeito da viralização, portanto, não termina no volume de vendas. Se a demanda ultrapassa a capacidade de estoque, separação e entrega, a experiência construída pelo criador pode se transformar rapidamente em frustração.

A divisão de responsabilidades também fica mais complexa quando a compra acontece dentro de uma plataforma de terceiros. Segundo Salgueiro, parte da logística e da entrega fica sob responsabilidade do TikTok, enquanto a Riachuelo continua envolvida na comunicação e na resolução de problemas relacionados ao consumidor.

“Não dá para a gente falar que o TikTok não é também parcialmente responsável pela experiência que o usuário tem. Dito isso, a gente sempre tenta se colocar como protagonista da experiência”, afirma.

A relação entre marca e influenciador

A influência dos criadores ganha outra dimensão quando o conteúdo não segue um roteiro fechado da empresa. Na Riachuelo, a companhia fornece produtos e informações, mas permite que os influenciadores decidam como apresentar as peças.

Mais de 15 produtos da varejista já passaram por algum processo de viralização no TikTok Shop. A calça Wide Leg, principal destaque da operação, ultrapassou 40 mil peças vendidas. “O controle total do conteúdo são os próprios influenciadores”, diz Salgueiro.

A estratégia amplia o alcance, mas também significa abrir mão de parte do controle sobre a forma como o produto chega ao consumidor. A mensagem passa pela linguagem do criador, a decisão acontece dentro da plataforma e a experiência continua depois da compra, seja no recebimento do produto, seja em uma eventual interação com a marca.

Guilherme Salgueiro, diretor de Growth da Riachuelo. Foto: Divulgação

O que muda na experiência

É por isso que o social commerce não se resume à possibilidade de comprar sem sair do TikTok ou do Instagram. A rede social passa a ocupar uma parte da relação que antes acontecia em ambientes controlados diretamente pelas marcas.

Para Rosenthal, esse movimento também traz uma questão para as próprias plataformas: quanto conteúdo comercial o usuário está disposto a receber antes de perceber que sua experiência de descoberta foi tomada por ofertas?

“Antes era uma experiência de navegação para ver conteúdo, de amigos, de creators e tal. Agora, se cada vez mais é exposto a conteúdos de marca, isso pode saturar”, afirma.

A questão chega diretamente à experiência do consumidor. A jornada começa no conteúdo, passa pela recomendação, pela confiança no criador e pelo checkout e continua no estoque, na entrega e no atendimento caso algo dê errado.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

O problema não é mais ter tecnologia. É saber o que fazer com ela
Executivos mostram como cultura, processos e clareza sobre o problema definem o resultado de projetos de IA
Com equipe local e modelos proprietários de voz, Omilia busca provar que a automação só se paga quando nem tudo depende da IA generativa.
O custo de cada resposta: a aposta da Omilia para a IA de voz no Brasil
Com equipe local e modelos proprietários de voz, Omilia busca provar que a automação só se paga quando nem tudo depende da IA generativa
Jornada sem fricção começa na arquitetura de dados
ASC Brazil, Adyen, Afya e Contabilizei mostram no CONAREC 2026 que integrar canais depende de identificar o cliente, orquestrar dados e tomar uma decisão que muda o negócio
Responder já não basta: a IA agêntica quer resolver o problema antes que ele vire atendimento
Executivos de Latam, Neon, Vivara, Globoplay e Omilia mostram que o salto do chatbot para o agente de IA depende menos de tecnologia e mais de dados, curadoria humana e coragem para decidir o que a máquina pode fazer sozinha

Webstories

SUMÁRIO – Edição 298

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Vice-Presidente Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadora
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Prime Video aposta em vídeos curtos e amplia funções do streaming Do clique ao dano: quem responde nas novas relações de consumo? Menos estímulos, mais experiência? Quando o tempo perdido vira indenização