“O segredo da felicidade é a liberdade; o da liberdade, coragem.” – Thucydides, Grécia (c. 460-400 a.C.)
Medo vem do latim metus, “temor”. Apesar da imagem destemida de muitos empreendedores, “preparados para arriscar tudo e fazer seus negócios decolarem”, temer é uma boa régua no processo de empreender e fazer negócios. Desde que não seja um medo paralisante, o temor ajuda na estruturação de limites fundamentais na saudabilidade e na sustentabilidade de uma iniciativa e está conectado ao conceito de assumir “riscos calculados”.
Revendo minha história empreendedora, um aprendizado importante foi a de não transformar medos em segredos, do latim secretum, “separado, escondido, reservado”. Compartilhando dores e temores com a minha equipe de colaboradores, parceiros, apoiadores, fornecedores e, inclusive, clientes. Juntos, podemos chegar mais rapidamente a soluções e consensos, quando todos estão dispostos e preparados para isso, distribuindo o peso das tomadas de decisão.
O fato é que tem muita gente que ainda não percebeu que:
- A incompetência e a preguiça podem se confundir com o medo (assim, na falta de preparo e disposição, fica mais fácil justificar a inação por prudência e precaução);
- Existe uma grande diferença entre segredos de negócio e segredos no negócio (negócios secretos podem ser escusos);
- Velocidade não é nada sem direção (ficar parado ou sair correndo são questões relativas quando não se sabe qual objetivo se quer alcançar).
Alguns profissionais, de tão medrosos, paralisam. Têm medo de não dar certo, do julgamento dos outros, de sair da zona de conforto, de prejudicar a própria reputação, de perder o negócio, o cliente ou até o próprio emprego. Outros, os destemidos, agem de maneira premeditada, sem informar ninguém e sem avaliar as consequências de suas tomadas de decisão. E você? Como reage nestas situações? Vai com fé, fica parado ou dá marcha à ré?
A meu ver, entre medos, afobações e segredos, mora a gestão de riscos. Mapear, analisar e recomendar é um bom caminho para quem quer ter a chance de acertar. Compartilhe o desafio com seu time e avalie quem, o que e quando vale temer, assim como onde, como e em quem vale acreditar, confiar, compartilhar e investir. Às vezes, ao invés de dar um passo à frente e sair correndo, pode ser a hora de dar um passo para o lado e aguardar um pouco, ajustando rotas para avançar com mais segurança e estrutura.
Ter coragem de abrir o jogo, a depender das circunstâncias, pode ser uma opção libertadora. Considerando que garantido, nessa vida, não tem nada, só existe uma forma de saber se vai dar funcionar: testando. Com as cartas na mesa, revisar, reestruturar e até recomeçar podem ser bons negócios – bem mais inteligente do que se apavorar, descambar ou esconder e colocar tudo a perder.





