“A utopia está lá no horizonte. Eu me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” — Eduardo Galeano, Uruguai (1940-2015)
A palavra utopia vem do grego ou-topos, que significa “lugar que não existe”. No senso comum e na literatura, o conceito se associa a projeções e expectativas de “mundos melhores”, idealizados para o futuro. Para uns, as utopias são ilusões. Para outros, são possibilidades e até oportunidades.
Já a distopia, do gregodis (separação, negação) e topos (lugar): é uma distorção dos valores utópicos como algo negativo; são os “lugares nos quais ninguém quer estar”.
Para complementar, a retrotopia, do latim retro (para trás): é uma recuperação nostálgica do passado: “naquele tempo e naquele lugar, tudo era melhor”.
O fato é que tem muita gente que ainda não percebeu que:
- Utopias podem servir de norteadores, orientando prioridades e decisões (para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve; ter um ideal é sempre mais estratégico).
- Quem cria a distopia somos nós: não adianta culpar o lugar se o nosso comportamento não mudar (ambientes tóxicos, clima tenso e pesado, relações desrespeitosas…).
- Lugar perfeito não existe, nem no ontem, nem no hoje e muito menos no amanhã, porque perfeito é uma coisa diferente para cada pessoa (cada um com as suas perspectivas).
E você? O que tem guiado a sua jornada profissional? Alguém ou alguma situação fez você repensar suas escolhas e questionar os seus objetivos? Houve mudança de rota?
Uma vez, logo que comecei a Umbigo do Mundo, um dos conselheiros questionou o nosso ritmo de crescimento dizendo que era ainda pequeno. Depois me entregou um bilhete, que guardo até hoje, com a seguinte mensagem: “Ninguém é pequeno por livre escolha”. Fiquei inquieta: um negócio precisa ser grande para ser digno? Negócios pequenos são prova de incompetência? Quais as regras e os limites do crescimento? Existe algum “modelo ideal”? Quais as garantias de dar certo?
Mais do que a grandeza dos negócios em quantidade, a grandiosidade da qualidade das entregas e das relações com os stakeholders faz toda a diferença. Qual o potencial de uma marca para melhorar a vida das pessoas e fazer do mundo um lugar melhor para se viver?
Em tempo: muito cuidado com tudo o que você verbaliza, especialmente para pessoas que estão começando e se inspiram em você. Use muita cortesia para não destruir idealizações de futuro e questionar os sonhos de alguém.
Melhor arriscar na direção de um lugar que ainda não existe e experimentar do que ficar parado, com medo de errar, vendo o tempo passar.





