Criar ambientes de trabalho que inspirem engajamento e valorizem talentos é definitivamente um desafio para as empresas. Pensando nisso, Bruno Junqueira, CHRO da Petlove; Fernanda Coutinho, VP de Pessoas e Cultura do Mercado Bitcoin; e Solange Freitas, CEO da Flex Business se reuniram durante o CONAREC 2025 para debater as possíveis práticas culturais que melhoram o ambiente de trabalho. A conversa foi mediada por Patrícia Santos, CEO e fundadora da EmpregueAfro.
Apesar de atuarem em mercados distintos – do varejo pet às criptomoedas e à gestão comercial –, todos compartilharam uma certeza: a cultura organizacional vai muito além do discurso e só faz sentido quando se traduz em práticas concretas que conectam propósito, pessoas e resultados.
Cultura vivida na prática
Para Bruno Junqueira, da Petlove, a cultura precisa ser tão verdadeira que “ela transborda para fora”. Nesse sentido, a empresa tem investido em rituais e canais de comunicação que reforcem a missão de “democratizar o acesso ao mundo pet”.
Um exemplo é o perfil @vemprapetlove, no Instagram, criado para mostrar os bastidores da cultura organizacional e atrair talentos de forma transparente. “A gente vem investindo muito em contar essas histórias, exibir um pouquinho de bastidores, nossos rituais. Queremos antecipar esse olhar de quem deseja trabalhar na Petlove, para que essa pessoa entenda como é o nosso dia a dia”, explica o CHRO.
O executivo também destaca a importância de acreditar em jovens talentos: “Temos casos de estagiários que hoje são diretores da empresa. Essa jornada inspira outros colaboradores e fortalece o senso de pertencimento”.
No Mercado Bitcoin, a coerência entre o discurso e a prática é vista como ponto-chave. “A cultura é aquilo que a gente faz, não o que a gente fala”, afirma Fernanda Coutinho. Com 450 colaboradores e quase metade deles acionistas da empresa, a gestora reforça que esse modelo cria senso de dono e engajamento genuíno.
“Acredito que a cultura emerge à medida que você cria coerência e consistência no discurso e no fazer. As pessoas da sua empresa vão perceber e vão adotar esse discurso. O engajamento está atrelado às pessoas identificarem essa coerência e consistência”, explica Coutinho.
Outro ponto de destaque é a transparência, que se traduz em rituais internos, como o “Papo Reto” – um espaço de perguntas e respostas que deixou de ser anônimo para estimular o diálogo aberto.

Rituais que fortalecem vínculos e moldam a cultura
Na Flex Business, os rituais culturais são centrais para manter o engajamento em um ambiente altamente competitivo. Toda segunda-feira, os colaboradores são recebidos com música e lembrancinhas no “Flex On”, criando um clima positivo logo no início da semana.
Segundo Solange Freitas, “só fica na empresa quem está feliz com a empresa”. A CEO explica que a companhia adota práticas como pesquisa de clima semestral e até plaquinhas de humor para sinalizar o estado emocional dos colaboradores, promovendo conversas individuais quando necessário: “As pessoas querem ser ouvidas e elas querem pertencer. Então a gente se preocupa muito para que ela se sinta pertencente ao ambiente”.
Freitas comenta que essa clareza deve começar já no processo seletivo. “Além de entrevistar o candidato, nós ‘vendemos’ a cultura da empresa. Falamos dos nossos rituais, como gritos de guerra, e deixamos claro que não é para todo mundo”, destaca Solange.
Engajamento exige coerência e escolhas conscientes
Fato é que não existe fórmula única para construir uma cultura que engaje e retenha talentos. O ponto comum entre as empresas é a coerência entre valores e práticas, a transparência na comunicação e a atenção ao protagonismo dos colaboradores.
“Não existe empresa boa ou ruim, existe a empresa certa para cada pessoa em determinado momento”, conclui Fernanda Coutinho.





