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Hospitais privados reduziram infecções nos últimos 15 anos

Hospitais privados reduziram infecções nos últimos 15 anos

Observatório ANAHP 2024 revela a evolução dos indicadores de saúde no período, e destaca principais patologias responsáveis por internações.

A Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) divulgou o Observatório 2024 com dados inéditos sobre a saúde suplementar. Além dos principais indicadores assistenciais e financeiros, esta edição comemora os 15 anos de análises. Em suma, a pesquisa analisa a evolução dos principais indicadores de saúde desse período.

A principal novidade é que os 120 hospitais associados à ANAHP reduziram as taxas de infecção. Inegavelmente, o fato é considerado uma “evolução para o setor”. Os números mostram que a densidade de incidência de infecção primária da corrente sanguínea laboratorial (IPCSL) associada ao cateter venoso central (CVC) na UTI adulta apresentou uma diminuição significativa nos últimos 15 anos. Em 2009, a taxa era de 4,70 a cada mil pacientes-dia e, em 2023, caiu para 1,36, o que demonstra aprimoramento das boas práticas assistenciais nos hospitais associados, principalmente com a adesão e padronização de protocolos entre os associados.

Ademais, hospitais melhoraram o tempo de atendimento em casos de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), e obtiveram mais acreditações hospitalares. Em síntese, o termo “acreditação hospitalar” diz respeito à avaliação dos serviços de saúde com o objetivo de garantir a qualidade e a segurança do atendimento. Desse modo, esse processo ocorre por meio de critérios e requisitos estabelecidos pelas entidades de acreditação.

Casos de infarto

Para casos de infarto do miocárdio, o indicador “mediana do tempo porta-balão”, que mede o tempo entre a chegada do paciente à porta do hospital e o início do procedimento, foi de 49,44 minutos em 2023. De conformidade com a American Heart Association (AHA), o tempo recomendado é de, no máximo, 90 minutos.

Já em relação ao AVC, o indicador “tempo porta-laudo”, que é a mediana de tempo que o paciente leva entre ser admitido no pronto-socorro com suspeita de AVC e receber o laudo de um exame de imagem do crânio para auxiliar no diagnóstico, foi de 35,07 minutos em 2023. Analogamente, os parâmetros da American Stroke Association recomendam que esse tempo seja menor que 45 minutos.

Eduardo Amaro, presidente do Conselho de Administração da ANAHP, comenta o resultado do estudo: “são dados relevantes para que possamos analisar o cenário da saúde no Brasil. Nesse ínterim, todas as informações são levantadas a partir do Sistema de Indicadores Hospitalares da entidade, que representa hospitais de excelência. Esses hospitais respondem por cerca de 17% das acreditações nacionais e 48% das acreditações internacionais das instituições no Brasil”.

Perfil epidemiológico

Outro destaque do Observatório está relacionado à mudança no perfil epidemiológico. As doenças do sistema geniturinário, as neoplasias e as patologias do sistema digestivo continuam aumentando. Em outras palavras, essas patologias são as principais causas de internação nos hospitais ANAHP.

Em 2009, a maior participação no total de saídas hospitalares era por gravidez, com 13,10%. Já em 2023, esses percentuais foram de 10,84% para doenças do sistema urogenital, em primeiro lugar; 10,44% para neoplasias, em segundo lugar; e, na sequência, 10,15% para doenças do sistema digestivo.

Esses resultados estão em linha com o envelhecimento da população, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal provedor de dados e indicadores do país revelou em 2022 que o total de pessoas com 65 anos ou mais chegou a mais de 22 milhões. Esse número representa 10,9% da população, um aumento de 57,4% em relação a 2010.

“Atualmente, essa base de dados é provavelmente a mais completa do setor hospitalar em termos de sequência de anos consecutivos”, afirma Ary Ribeiro, editor do Observatório ANAHP 2024 e diretor executivo da Elibré Clínica de Saúde Mental. “Isso permite avaliar tendências e mudanças do setor, inclusive na qualidade dos serviços prestados aos pacientes. Mensuramos 265 indicadores nas áreas de gestão de pessoas, assistência, econômico-financeiros e sustentabilidade”.

O estudou também revela que cerca de 60% dos hospitais já adotam algum tipo de remuneração diferente do “fee for service“, referência no Brasil. Neste modelo, os valores são pagos com base na quantidade de procedimentos e recursos utilizados.

Diárias hospitalares x bundles

Em suma, consoante a pesquisa realizada entre os associados, 51,46% utilizam pagamento por diárias hospitalares e 36,89% utilizam pacotes e “bundles”. O bundles consiste em um conjuntos de diretrizes [um pacote de boas práticas] baseado em evidências científicas presentes nas orientações internacionais. Seu principal objetivo é reduzir as infecções relacionadas à assistência em saúde (IRAS). Isso porque as infecções têm aumentado o risco de morbimortalidade.

O modelo de remuneração por desfecho, que representou 6,80% na pesquisa, está ganhando espaço no setor. Na prática, esse conceito inovador da área de gestão vem revolucionando a medicina. Tudo porque o modelo de remuneração é baseado em resultados. Em outras palavras, em vez de calcular o custo dos procedimentos realizados, a remuneração por desfecho utiliza diferentes variáveis que se concentram na qualidade dos resultados obtidos. Trata-se de uma forma mais complexa de gestão, mas que pode trazer inúmeros benefícios ao sistema, aliviando a carga de baixa complexidade e casos simples e utilizando modelos matemáticos para prever custos.

Qualidade no atendimento

Desde 2017, a Associação conta com o Programa de Desfechos Clínicos da ANAHP. O objetivo da ação é melhorar a qualidade da atenção prestada, aprimorar a prática médica, colocar o paciente no centro do cuidado, reduzir custos e repensar o modelo de remuneração. Atualmente, o programa conta com a participação de 26 instituições, coletando dados sobre sete patologias, incluindo acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca (IC), osteoartrite/osteoartrose do quadril e do joelho, sepse, câncer de mama, câncer de próstata localizado e câncer de colorretal.

Antônio Britto, diretor-executivo da ANAHP.

“Temos uma publicação que apresenta de forma concreta várias frentes e destaca a importância de trabalharmos com dados, inclusive para uma gestão adequada dos desafios enfrentados pelo setor, como o número de glosas e o prazo de recebimento pelos serviços prestados, que têm um impacto direto no fluxo de caixa dos hospitais”, conclui Antônio Britto, diretor executivo da ANAHP.

Completando 15 anos, o Observatório ANAHP se tornou uma referência e uma fonte confiável de informações sobre saúde, proporcionando uma visão abrangente da qualidade da assistência no Brasil. “Seus indicadores permitem não apenas o planejamento estratégico e a tomada de decisões fundamentadas, por exemplo, para seus associados, mas também para o setor como um todo”, enaltece Antônio Britto, que ficou à frente do Ministério da Previdência Social entre 1992 e 1993 e governou o Rio Grande do Sul de 1995 a 1998.

Impacto da saúde suplementar no Brasil

Importante destacar que a saúde suplementar beneficia diretamente 51 milhões de brasileiros e toda a população, devido à dependência do Sistema Único de Saúde (SUS) em relação ao setor privado, especialmente para tratamentos de média e alta complexidade.

Ao observar as transformações dos últimos 15 anos, Marcia Martiniano, coordenadora de Epidemiologia do Hospital Sírio-Libanês conclui que as regulamentações e as evoluções constantes na oferta de indicadores foram essenciais para impulsionar as mudanças. “A criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no ano de 2000, surgiu com o objetivo de fiscalizar e regular as operadoras de planos de saúde no país, estabelecendo diretrizes, normas e padrões para o funcionamento do setor”.

Ela lembra que a Fundação ANAHP, um ano depois, foi um passo fundamental em busca de mais qualidade para o sistema de saúde brasileiro. “E em 2009, quando a ANS já informava mais de 40 milhões de beneficiários na saúde suplementar, o lançamento do Observatório ANAHP foi um marco”.

Tal baliza, consoante a especialista, estimulou a cultura do compartilhamento de dados e espalhou os benefícios para todo o sistema. “Certamente que, no dia a dia do atendimento, esse ambiente faz toda a diferença”.

André Luiz Negrão Albanez, CEO do hospital do GRAAC, salienta: “Ter acesso a indicadores confiáveis é de suma importância para uma gestão eficaz”. Em sua visão, graças ao relatório, é possível promover a melhoria contínua. “Logo, conseguimos oferecer tratamento de qualidade para crianças e adolescentes com câncer, com altas chances de cura”.

Marcia Martiniano, do Hospital Sírio-Libanês.

Tomada de decisões

Por fim, Adriano Massuda, secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, enaltece que o Observatório ANAHP é essencial para orientar a gestão do sistema de saúde. “Em primeiro lugar, ele tem informações precisas. Por conseguinte, é instrumento essencial para tomada de decisão e melhorias contínuas da performance hospitalar, um segmento altamente complexo. Em suas palavras, destacados os avanços, é necessário continuar progredindo. “Com o propósito de progredir, se faz essencial promover mais parceria com o setor público. Por conseguinte, isso suprirá lacunas de informação e construirá uma colaboração interfederativa. A consequência será o fortalecimento da gestão dos hospitais dos Brasil”.

No que tange à acreditação hospitalar, a pesquisa mostra que em 2009 existiam 132 hospitais no Brasil com um ou mais tipos de acreditação. Na época, 30,30% do total de serviços hospitalares acreditados no país eram de associados ANAHP (40 deles). Analogamente, em 2023, esse número subiu para 583. Destes, 148 acreditações são de membros da entidade (25,39% do total no Brasil). Isso significa que, historicamente, o número de instituições hospitalares acreditadas no Brasil vem crescendo, mesmo que de forma lenta.

Com a evolução do número de associados, a receita bruta do conjunto dos hospitais membros também aumentou. Em 2009, se a receita bruta foi de R$ 6,47 milhões, em 2023, esse valor saltou R$ 51,08 bilhões.

A edição completa do Observatório ANAHP 2024 pode ser visualizada nesse link.

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