O preço do agora

O preço do agora

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Em um movimento ritmado e contínuo, o dedo desliza sobre a tela do celular. Curte, compartilha, passa para a próxima publicação. Enquanto isso, o algoritmo trabalha para manter nossa atenção presa em um looping infinito de estímulos – vídeos que raramente duram mais de 2 minutos. Após meia hora, já assisti a dezenas de pessoas falando sobre tudo: de entretenimento à política, de maquiagem à economia.

A sensação é de que estou me atualizando, “distraindo a cabeça”, mas, na verdade, estou sendo engolida pelo agora. Um agora imediatista, ansioso, sem profundidade, em que o sentido mais amplo das coisas simplesmente desaparece.

Saio do TikTok e abro uma conversa com o ChatGPT. Em segundos, recebo respostas prontas, resumos e atalhos para tudo o que preciso – o que é incrível, assim como a liberdade de expressão e o acesso à infinidade de conteúdos das redes sociais. O perigo não está na tecnologia, mas no que estamos fazendo dela: mais um recurso para encurtar distâncias e transformar o tempo em pó.

A filósofa espanhola Marina Garcés chama isso de “imperativo do presente”. A ideia de “viver o agora”, antes associada à liberdade, à consciência plena e ao desfrute, foi sequestrada por uma lógica em que tudo precisa ser feito “já”, mesmo que não haja clareza, contexto ou consciência. O importante é agir, comprar, responder, posicionar-se – antes que seja tarde demais.

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Soma-se a isso o fato de que as incertezas e as volatilidades econômicas, políticas e até de saúde mental fazem do presente o tempo que nos resta. Será que terei o meu trabalho amanhã ou a Inteligência Artificial vai me substituir? E se a oportunidade de fazer a viagem que tanto sonhei for única? Será que vou perder a promoção se deixar para comprar depois?

Esse imediatismo reflete-se de forma cruel na realidade financeira do brasileiro. A renda curta, somada à cultura do agora, faz consumir por impulso. O dinheiro que sobra – quando sobra – torna-se um pequeno alívio momentâneo: um prazer que anestesia a falta de perspectiva. Compra-se o que dá, sem pensar no futuro. Planejar parece luxo para quem mal fecha o mês.

Nessa realidade em que a ação e o imediatismo vencem a razão, a satisfação do presente sacrifica a liberdade do futuro. Muitos estão cansados, endividados, reféns da próxima fatura e do próximo boleto. E, talvez, o maior desafio do nosso tempo seja reaprender a esperar – ou, melhor, respeitar o tempo.

O tempo para estudar, analisar, argumentar, criticar. O tempo para tomar decisões inteligentes. O tempo para resgatar a razão. O tempo para viver uma vida vivida – e não apenas sobrevivida.

Estamos sempre reclamando que não temos tempo, mas talvez só não estamos sabendo usá-lo. Talvez o tempo seja curto demais para tanta pressa e longo demais para ser desperdiçado.

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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