O CONAREC 2025 reuniu mulheres que estão moldando o futuro da tecnologia com inclusão, diversidade e inovação. A conversa foi mediada por Melissa Vogel, sócia-proprietária da Objet Trouvé, e contou com a participação de Camila Achutti, CEO e sócia da Mastertech, Mariana Diniz, VP Digital Services Enablement & Strategy da Foundever, e Micheli Junco, cofundadora e CTO da B2Mamy.
Logo na abertura, Melissa ressaltou que discutir a presença feminina em tecnologia vai além de ocupar espaços. Trata-se de transformar ambientes de forma diversa e inclusiva, garantindo que mais mulheres tenham voz e impacto nesse ecossistema.
Transformar a tecnologia em inclusão
Abrindo a discussão, Camila Achutti trouxe sua experiência pessoal em um ambiente majoritariamente masculino.
“Me formei sozinha com 49 caras. Se eu não fizer alguma coisa, não tenho outra opção. Vou ter que levantar a mão, vou ter que levantar os interesses da metade que não está representada. Acho que temos que ocupar esse espaço. A tecnologia tem que ser um instrumento de inclusão e equidade.”
Camila acrescentou que o debate sobre diversidade já não precisa mais ser constantemente justificado. Hoje, há um entendimento mais maduro. “As empresas e a sociedade já entenderam que diversidade não é pauta só de inclusão, mas de performance. Ela existe porque melhora os resultados.”
Mães, periferias e inovação social
Micheli Junco trouxe um olhar voltado ao impacto social da tecnologia, especialmente no apoio às mães e às comunidades periféricas.
“Minha empresa é focada em mães. Mas, como fazer esse mercado ganhar? A tecnologia vem com a facilidade de trazer as mulheres de volta ao mercado. Existem várias fintechs dentro das periferias, por exemplo. Mães se perguntam: como resolvo de um jeito rápido e efetivo? Estamos reconquistando algo criado por nós. Foram as mulheres que criaram a tecnologia, mas ela acabou sendo ocupada pelos homens.”
Ela reforçou que, quando mães participam do mundo da tecnologia, não resolvem apenas suas próprias dores, mas trazem soluções para toda a comunidade.
Diversidade como motor da inovação
Mariana Diniz trouxe dados da sua própria experiência como líder.
“Acredito muito na força das mulheres na inovação. De 70% a 75% do meu time são mulheres. Estudos recentes mostram que as mulheres trazem diversidade, empatia e humanidade para a tecnologia. É um mercado muito masculino, mas nós trazemos mais humanidade para ele.”
Mariana também citou avanços recentes, como premiações internacionais de ESG, redes globais como a Women in Tech e iniciativas, como o FreeLama, programa da Foundever que apoia mães em seu retorno ao mercado com workshops e capacitações, incluindo Inteligência Artificial.
Como atrair mais mulheres para a tecnologia?
A mediadora, Melissa Vogel, questionou: “Como atrair mais mulheres para a tecnologia? O que vocês têm visto de bom acontecendo?”.
Nesse ponto, surgiram reflexões complementares:
- Mariana destacou a importância da visibilidade. “Tenho visto premiações, reconhecimento e visibilidade de mulheres que estão se destacando na inovação.”
- Micheli reforçou a pluralidade. “Precisamos aceitar que as pessoas são plurais. Temos que entender o diferencial de cada público para reter talentos. Crie sua bolha, fortaleça sua rede de apoio e, depois que ela estiver forte, você explode.”
- Camila enfatizou a educação. “Um tema recorrente desde 2015 é a educação. Sempre nos foi negada, principalmente por questões econômicas, a possibilidade de estudar. Temos que começar antes, ir às escolas públicas e falar sobre mulheres na tecnologia. O quanto antes começarmos, mais chances temos de inspirar. Educação de base precisa ser política pública.”
Inspirar e apoiar outras mulheres
O painel também discutiu como líderes podem multiplicar histórias e abrir espaço para outras mulheres.
- Mariana: “Temos a responsabilidade de incluir outras mulheres. Como líderes, temos que dividir mais nossas histórias. Participo de programas de mentoria e comunidades, porque acredito que precisamos inspirar mais mulheres. Não deixe que estereótipos te definam.”
- Micheli: “Tragam suas histórias para outras mulheres ouvirem. Mas, cuidado com a espera do holofote.”
- Camila: “A gente precisa comprar essa briga de ser da tecnologia. Temos características intrínsecas que devem ser colocadas na mesa corporativa.”
Reprogramando o sistema
O painel terminou com uma mensagem de união: compartilhar histórias, celebrar pequenas vitórias e criar redes de apoio são passos fundamentais para reprogramar o sistema. Como destacou o grupo, mulheres não apenas estão preparadas, elas sempre estiveram prontas para inovar e transformar o futuro digital com equidade e humanidade.





