Notícias movimentaram o mercado ao apontarem uma possível fusão entre a Rede D’Or e o Grupo Fleury. Caso concretizada, a operação unirá dois dos maiores nomes da saúde no Brasil, representando uma das maiores movimentações do setor. A fusão intensificaria a competição com conglomerados verticalizados, como a união entre Dasa e Amil, formalizada em junho de 2024.
Segundo informações da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, as negociações estão em curso entre a Rede D’Or e o Bradesco, que detém cerca de 23% das ações do Grupo Fleury, sendo seu principal acionista.
O Brazil Journal também trouxe no mesmo dia detalhes sobre os bastidores da possível fusão. De acordo com a publicação, o JP Morgan foi contratado para assessorar a Rede D’Or, enquanto o Morgan Stanley estaria apoiando o Fleury. Ainda que os trabalhos dos bancos tenham se iniciado há cerca de um mês, fontes indicam que a oferta ainda não é iminente.
Reação imediata do mercado
A especulação do negócio foi suficiente para provocar forte reação na Bolsa. As ações da Fleury chegaram a subir mais de 15% e eram negociadas a R$ 14,53 por volta das 10h44 desta segunda-feira (21), após ultrapassarem os R$ 15 na abertura do pregão. O papel liderava os ganhos do Ibovespa, que registrava alta de 0,5% no mesmo horário.
Movimento estratégico
Nos últimos anos, a Rede D’Or tem adotado uma postura agressiva de expansão. Em 2024, anunciou a criação da Atlântica D’Or, uma nova rede de hospitais com unidades previstas para São Paulo e Rio de Janeiro, resultado de um investimento bilionário.
Apesar do entusiasmo do mercado, especialistas apontam que a aprovação de uma eventual fusão exigirá a concordância de diferentes grupos de interesse. Entre eles, médicos acionistas que detêm 11% do Fleury e três assentos no conselho, além da tradicional família Pardini, cujo histórico de envolvimento nas decisões estratégicas da companhia é bem conhecido.
A possível aproximação entre Rede D’Or e Grupo Fleury ocorre em um momento de aceleração na consolidação do setor de saúde, especialmente entre os grandes players. Para o CIO do Hospital Infantil Sabará, Vitor Ferreira, esse movimento é reflexo direto da transformação digital que vem redesenhando o setor.
Em artigo publicado no LinkedIn, Ferreira observa que “enquanto hospitais médios ainda lutam contra sistemas legados, cultura analógica e medo da mudança, os grandes players estão consolidando tudo: atendimento, diagnóstico, planos de saúde, dados e algoritmos.” Ele reforça que, na nova lógica do setor, “quem tem o dado, tem o paciente; quem tem o paciente, tem o futuro; quem tem medo da mudança… Vai ficar no passado.”
Ainda sem compromisso formal
Apesar da repercussão e dos avanços nos diálogos, as empresas destacaram que ainda não há qualquer compromisso firmado. Em fato relevante divulgado ao mercado, o Fleury esclareceu que “não há qualquer decisão da sua administração, tampouco quaisquer compromissos ou documentos celebrados com a Rede D’Or, vinculantes ou não, tendo por objeto uma potencial operação”.
A empresa reforçou, no entanto, que acompanha constantemente as condições do mercado e avalia oportunidades alinhadas com seus planos de investimento e objetivos estratégicos.





