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Quem ganha quando menos mulheres querem engravidar?

Quem ganha quando menos mulheres querem engravidar?

Especialistas desvendam as mudanças sociais e econômicas geradas pelas gravidezas tardias ou pela diminuição do número de filhos
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É cada vez comum encontrar mulheres que planejam engravidar mais tarde ou que optam por não ter filhos. Os motivos para este comportamento são muitos, e vão desde questões financeiras à sobrecarga de responsabilidades que nascem junto com o bebê – e que, na maioria das vezes, cai apenas sobre o colo da mãe.

Com os novos rumos da sociedade, como as empresas podem se adaptar e evitar que mais mulheres saiam prejudicadas deste cenário?

Rejeição da maternidade é uma quebra de paradigmas

Carolina Haddad, ginecologista especialista em Reprodução Humana pelo Hospital Sírio Libanês e diretora de patrocínio da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), comenta que as mudanças culturais e religiosas, assim como o empoderamento feminino, tornaram a maternidade uma opção, e não uma obrigação.

“Muitas mulheres nunca quiseram ser mães, mas antes eram obrigadas a aceitar o padrão sociocultural. A partir da geração dos millenials, muitos casais optaram por não ter filhos para não abrir mão da liberdade e não terem que se preocupar com as responsabilidades relacionadas à criação de filhos, pois uma criança envolve muito mais do que alimentação e moradia”.

Outro ponto que merece atenção é o acúmulo de tarefas. A mulher que tem filhos muda sua rotina e se sobrecarrega com trabalhos maternos, domésticos e profissionais. As dificuldades econômicas e o medo do futuro também são fatores relevantes, assim como o medo de não conseguirem oferecer aos seus filhos o que é considerado necessário emocionalmente e financeiramente. “Ao mesmo tempo que o empoderamento feminino possibilitou a inserção das mulheres no mercado de trabalho, diversas são as exigências que fazem a mulher adiar ou desistir da maternidade, pois muitas querem se aperfeiçoar nos estudos, se estabilizar na carreira e aproveitar uma vida livre de obrigações impostas pela maternidade”, complementa a médica.

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A maternidade não espera a vida inteira

Não há idade ideal para engravidar, mas, quanto mais tarde, maiores os riscos de complicações. “Ao longo do tempo, observamos algumas tendências nas mulheres: declínio gradual da fertilidade, com queda mais significativa após os 35 a 40 anos de idade, maior dificuldade de engravidar pelo declínio da reserva ovariana, e riscos maiores de abortamento, diabetes gestacional, hipertensão e risco de anormalidades genéticas”, pontua Carolina Haddad.

Além da chance do aparecimento de doenças aumentarem com a idade, a gravidez leva a modificações no organismo materno, como aumento do débito cardíaco, diminuição da imunidade, alterações respiratórias, alterações do sono, entre muitas outras, que podem descompensar doenças já existentes.

No âmbito profissional, também não existe um melhor momento para decidir engravidar. Para Emily Ewell, CEO e cofundadora da Pantys, primeira marca de calcinhas absorventes da América Latina, a decisão de quando ter filhos é altamente pessoal e deve ser baseada nas necessidades e desejos individuais da mulher, bem como em sua situação financeira, social e emocional.

“Para muitas mulheres, um momento crítico na carreira é entre os 25 a 35 anos, que são as ‘idades ideais’ para ser mãe. Por isso, as empresas também devem implementar políticas que apoiem as mulheres que desejam ser mães e continuarem avançando em suas carreiras”, comenta.

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Maternidade x carreira: escolha ainda persiste

Mesmo com tantos debates acerca dos direitos femininos na vida contemporânea, ainda existem muitos desafios que as mulheres precisam enfrentar para equilibrar a maternidade e a carreira. “Embora haja um aumento gradual da licença-maternidade remunerada e outras políticas de apoio à maternidade em diversos países, muitas mulheres ainda sentem a pressão de escolher entre o trabalho e os filhos. Além disso, existem preconceitos e estereótipos de gênero que ainda persistem em algumas empresas e setores, o que torna ainda mais difícil para as mulheres conciliarem estes lados”, salienta Emily Ewell.

A discriminação de gênero na contratação ou promoção com base no potencial para engravidar é ilegal e uma forma de discriminação de gênero. No entanto, há preconceitos inconscientes que influenciam as decisões de contratação e promoção de mulheres em idade fértil. A CEO da Pantys acredita que o cenário melhorou em comparação às décadas passadas, mas ainda é necessário reconhecer como isso impacta não só as mulheres, mas as famílias e o futuro da sociedade.

“Ser mãe não deveria afetar a vida profissional, porque a maternidade não é uma escolha que as mulheres fazem em detrimento de suas carreiras. As mulheres têm o direito de escolher se querem ser mães ou não. A maternidade é uma parte da vida das mulheres, mas isso não significa que elas sejam menos capazes ou menos comprometidas com suas carreiras do que os homens”, acrescenta.

Como resultado, muitas vezes as mulheres enfrentam discriminação no local de trabalho e têm menos oportunidades de promoção ou aumento salarial. Isso é conhecido como o “teto de maternidade”, uma barreira invisível e limitadora da ascensão das mulheres no mercado de trabalho após terem filhos.

Muitas mulheres conseguem equilibrar suas responsabilidades como mães e suas carreiras com sucesso, demonstrando uma grande capacidade de gerenciamento de tempo e priorização de tarefas. “No entanto, é importante destacar que cada vez mais mulheres estão lutando por seus direitos e pela igualdade de oportunidades no mercado de trabalho e há progressos significativos sendo feitos em muitos lugares”, diz Emily Ewell.

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Como uma empresa pode apoiar uma mulher que
engravidou ou deseja engravidar?

É importante lembrar que a maternidade não é uma desvantagem, e as empresas podem se beneficiar ao oferecerem políticas que permitam que mulheres possam conciliar suas vidas pessoais e profissionais. As companhias podem apoiar mulheres que engravidam oferecendo opções como trabalho remoto, horários flexíveis e licença maternidade adequada.

A CEO da Pantys também ressalta que programas de mentoria e treinamento para mulheres que planejam engravidar ou que já são mães podem ajudá-las a manter sua carreira em ascensão. “É importante também que as empresas ofereçam apoio para a amamentação, como locais apropriados e horários flexíveis, para que as mães possam cuidar de seus bebês”.

Além de ajudar a tornar a menstruação uma experiência mais confortável e segura, as empresas de produtos menstruais desempenham um papel importante em relação à decisão das mulheres de não quererem ser mães. Com o crescente interesse na escolha de não ter filhos, muitas empresas de produtos menstruais passaram a incluir informações sobre contraceptivos e planejamento familiar em suas embalagens e sites.

Embora a decisão de não querer ser mãe seja pessoal e única, as empresas de produtos menstruais podem ajudar a tornar essa escolha mais acessível e apoiada. Com informações claras e precisas sobre métodos contraceptivos e planejamento familiar, as mulheres podem tomar decisões informadas sobre sua saúde reprodutiva.



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