O final das férias escolares se aproxima e, com ele, o início de um novo ciclo. A volta às aulas representa mais do que a continuação de um ano letivo, é sinônimo de novos aprendizados, inclusive em casa. Um deles que coloco em destaque é a educação financeira, sendo ensinada a partir de uma ferramenta muito importante: a mesada.
São muitos questionamentos que os pais se fazem sobre esse tema: será que a mesada é mesmo eficaz? Qual é a idade recomendada para iniciar? Quanto se deve dar? Além dessas dúvidas, muitos adultos se perguntam se é certo associar o ato de conceder mesada como troca por bom comportamento ou desempenho escolar, por exemplo, ou ainda por realização de tarefas domésticas.
Não há nada de errado em querer ensinar seu filho a ter responsabilidade ou mostrar a realidade da vida, no entanto, na minha visão, a mesada tem outro papel a desempenhar. Por meio dela, é possível fazer com que as crianças e os jovens se insiram nesse universo das finanças, preparando-se para saber utilizar de maneira correta os recursos financeiros que receberá ao longo de sua vida. Estudo e boas maneiras não devem ser ensinados tendo o dinheiro como base.
Além da noção de administração e economia, a mesada também pode ser associada a questões como sustentabilidade, meio ambiente, consumo e outros temas, auxiliando amplamente na formação de um ser humano mais completo e consciente.
Sobre com quantos anos se deve começar a receber, cada um sabe o nível de maturidade e poder de entendimento da sua criança (seja filho, sobrinho, neto). No entanto, uma idade bastante propícia é entre sete e oito anos, quando já está mais familiarizada com o dinheiro e compreendem o seu papel no dia a dia.
Em relação a valores, uma boa orientação é que se anote, durante 30 dias, todos os gastos dessa criança, até mesmo aquele dinheiro que ela pediu esporadicamente. Analise se não está ocorrendo exageros e, quando chegar a um valor coerente, dê metade dele como mesada. A partir disso, sente e converse, explicando que vocês vão colocar a mesma quantia de dinheiro em uma poupança, para realizar alguns sonhos dela.
Então, por exemplo, se o valor total for 200 reais, dê 100 reais e aplique os outros 100 reais. Dessa maneira, ela vai passar a entender que dinheiro não é uma finalidade, mas sim um meio para se conquistar sonhos e também perceberá a importância de poupar antes de gastar. Por isso, acreditem: a mesada é um ótimo começo para formar uma sociedade menos endividada, inadimplente e frustrada por não conseguir alcançar seus objetivos.
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Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e da Editora DSOP, autor do best seller Terapia Financeira e dos lançamentos Sabedoria Financeira e Papo Empreendedor.





