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Quando uma promoção da Pepsi promete avião e envolve imprensa, justiça e até o Pentágono

Quando uma promoção da Pepsi promete avião e envolve imprensa, justiça e até o Pentágono

Ao lançar promoção, em 1995, Pepsi criou programa de troca de pontos, mas não esperava ter brincadeira com o maior prêmio levada a sério.
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A disputa pela preferência entre as “colas” está há décadas no mercado. Porém, essa guerra teve um marco com uma promoção da Pepsi, em 1995. A marca lançou a campanha “Drink Pepsi Get Stuff”. Em resumo, ao comprar os refrigerantes o consumidor conseguia pontos, que poderiam ser trocados por prêmios. Eram itens comuns, como camisetas, jaquetas e bonés.

Porém, a campanha sugeriu também a possibilidade de ser premiado com o Caça Harrier, que poderia ser trocado por sete milhões de pontos, um número alto e difícil de alcançar. À época, uma garrafa de dois litros, que custava cerca de um dólar, representava um ponto. No caso das latas, cada pack com 24 valia quatro pontos. Em resumo: ganhar o caça não seria algo tão fácil.

Por outro lado, a promoção possibilitava que o consumidor que tivesse 15 pontos da Pepsi poderia comprar um número ilimitado de pontos, que seriam usados para conseguir qualquer um dos itens desejados US$ 0,10 o ponto. Diante dessa proposta, o caça poderia ser comparado por US$ 700 mil. E aí a polêmica começou.

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Um estudante determinado a ganhar

Ao assistir a publicidade da Pepsi pela televisão, o estudante universitário John Leonard se viu tentado pelo anúncio. À época, era alpinista, e ter um caça o ajudaria em suas aventuras. Ele então passou a fazer as contas de quantos refrigerantes deveria consumir e quantos rótulos teria que guardar para conseguir ganhar o caça. O avião, que tinha um valor aproximado de US$ 23 milhões, custaria US$ 4 milhões a Leonard pela promoção. Em resumo, ainda sairia “barato” em comparação ao valor real do caça.

Destinado a ganhar, Leonard apresentou sua ideia ao milionário Todd Hoffman, um amigo que o alpinismo lhe deu. Por sua vez, Hoffman mostrou as chances de o plano dar errado, porque no tempo que levaria para juntar todos os rótulos, a promoção poderia acabar.

Porém, quando estava perto de desistir, Leonard viu no catálogo da Pepsi a opção de comprar os pontos.

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Como o Pentágono foi envolvido na promoção da Pepsi?

Antes de enviar a Pepsi sua proposta para adquirir o caça, Leonard e Hoffman buscaram comprovar a legalidade de ter um jato. Sendo assim, Leonard ligou para o Pentágono com a alegação de buscar informação para um projeto escolar. Ele falou com Kenneth Bacon, que à época era o principal porta-voz do Pentágono. Após ter sua afirmação sobre ser legal comprar o caça, desde que sem armamento, Leonard seguiu com seu objetivo.

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A carta enviada à Pepsi

A dupla de amigos fez planos. Após conseguir o caça, ele seria usado para shows aéreos e outros negócios. Leonard e Hoffman poderiam, por exemplo, usar o jato para boas oportunidades, como com produtoras e anunciantes.

Após vários meses, Leonard e Hoffman enviaram à Pepsi o cheque no valor de US$ 700 mil e os 14 pontos, para surpresa da empresa, que não esperava ver o maior prêmio da campanha ser levado a sério pelos consumidores. Na carta enviada junto ao cheque tinha também o endereço de Leonard, que aguardava a chegada da aeronave em sua casa.

Para sua decepção, isso nunca aconteceu.

A Pepsi, por sua vez, não descontou o cheque e retornou a carta com a explicação de que o jato se quer estava incluso à promoção ou no catálogo de prêmios. A empresa explicou a intenção cômica por trás do anúncio veiculado na televisão e presenteou o estudante com cupons que garantiriam duas caixas de Pepsi. Começou assim uma luta que envolveu desde a imprensa, a justiça. O caso tomou a mídia, e os dois consumidores envolvidos na história foram chamados para contar a versão que lhes cabia.

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Processo judicial e mudança na quantidade de pontos da campanha

Com a negativa, Leonard contatou seu advogado para dar uma resposta à empresa. No comunicado, dizia que a transferência deveria acontecer em até 10 dias úteis, caso contrário, seria iniciado um processo judicial contra a Pepsi. Diante da situação, a empresa iniciou a batalha legal e venceu.

O mais forte argumento dizia ser ilegal alguém realmente ter um jato do modelo anunciado para empresa, informação contrária a passada pelo representante do Pentágono. Ou seja, se não há legalidade, também não há legitimidade na oferta.

Depois, a Pepsi aumentou o número máximo de pontos da campanha para 700 milhões, e ainda deixou descrito no comercial que se tratava de uma brincadeira.

Mas, a disputa judicial conhecida como “Leonard x PepsiCo” se estendeu por anos. Até mesmo uma oferta foi feita a Leonard, que recusou.

O caso foi encerrado em 1999, com a conclusão de que “nenhuma pessoa razoavelmente objetiva poderia ter concluído que o anúncio realmente oferecia um caça Harrier aos consumidores”. A história seguiu emblemática e, inclusive, debatida em salas de aula das faculdades de direito.



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