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Por que o poder de consumo das mulheres não resulta em representação?

Por que o poder de consumo das mulheres não resulta em representação?

No WRC, foi discutido o espaço das mulheres nas empresas de varejo. Confira o que as participantes do painel falaram sobre o assunto
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Os números não mentem. Mulheres ocupam apenas 20% dos cargos de marketing nas empresas varejistas. O numero é inferior nas outras áreas da administração. Inacreditáveis 1,9% constituem a presença feminina no “board” das empresas do setor nos EUA. Por outro lado, elas respondem por 70 a 80% de todo o consumo nas mais diversas categorias de produto. Uma situação que persiste há décadas, desde os primeiros movimentos em torno da igualdade de gênero. Está na hora do varejo enfrentar esse desafio, vital para a perenidade das empresas.

Esse senso de urgência foi explorado no WRC, no painel “Mulheres no varejo – mudando a cara da sala de reunião“, que reuniu Eva Sage-Gavin, do Boston Consulting Group, Neela Montgomery, Diretora executiva para varejo e multicanalidade da Crate&Barrel/Otto Group e Suzie Wokabi, Fundadora e Diretora de Criação da Suziebeauty.

Por que afinal, o poder de consumo da mulher não significa uma representação maior no varejo? No Otto Group, segundo Neela, há várias políticas para atração de talentos femininos. Mas há obstáculos para a evolução da carreira das mulheres no varejo. Infelizmente, muitos dos novos cargos na direção das redes varejistas são para a área digital, que é dominada amplamente pelos homens.

E o que dizer então da mulher afro-americana? Suzie Wokabi observa que no Quênia, por exemplo, há mais mulheres empreendedoras do que nos EUA. Ela questiona por que as mulheres não se permitem dar esse salto no sentido de buscar postos mais altos.

Há novos perfis de carreira surgindo, novas habilidades que são procuradas e precisam ser desenvolvidas. Eva Sage diz que já teve a oportunidade de ser a primeira mulher em um board de empresa, em uma função digital. E é possível que essa experiência se estenda para outras mulheres e empresas?

Neela diz que mulheres exercem seu senso de prioridade continuamente. Há sempre a questão dos filhos e o valor real de estar no board de uma companhia. Eva pergunta a Suzie se as mulheres devem realmente se descolarem dos perfis do passado e impor uma nova forma de atuação profissional. A executiva diz que o próprio aprendizado pode ser uma forma de divulgar esse novo perfil.

Eva Sage enfoca o clichê de que as mulheres ocupam diversas funções. Até que ponto a consumidora mais atuante entra em conflito com a executiva de alto nível? Segundo Neela, ela foi a primeira mulher no board de uma rede de varejo na Alemanha, mas ela não representa exatamente o perfil da mulher consumidora, justamente por que o trabalho consome tempo demais.

Será que há pressões demasiadas para o empoderamento feminino? No entender de Suzie, o cenário aponta para um crescimento expressivo de mulheres empreendedoras e negócios criados por mulheres.

A tendência aponta que quanto mais o varejo incorpore tecnologia, menos atraia as mulheres. É possível que elas realmente estejam presentes no setor como empreendedoras e simplesmente estejam fora do negócio nas grandes corporações.

Dentro de seus princípios, é lógico que as mulheres prefiram seguir o caminho do empreendedorismo, do negócio próprio. Para Suzie, há todo um processo de educação para reduzir essa forte presença masculina nas companhias.

A movimentação nas redes sociais é intensa, coletivos feministas pipocam em todos os ambientes, mas curiosamente, quase não vê-se grupos de varejo. Omissão, segundo Eva Sage é que essa discussão estenda-se do varejo para outros setores, Venture Capitals e fundos de investimento também registram medíocre participação feminina.

Há todo um esforço de conscientização que precisa ser considerado. A participação feminina depende de uma mudança cultural, mas é necessária. Ao conversarmos com Eva Sage ao final do painel, ambos ficamos chocados ao perceber que esse mindset ainda prevalece em pleno ano de 2017. Em certo sentido, a revolução digital não acelerou a mudança de velhos preconceitos. Até quando?

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