A farmacêutica americana Pfizer fechou um acordo de US$ 10 bilhões para adquirir a Metsera, startup desenvolvedora de medicamentos para obesidade. A aquisição encerra uma das disputas mais acirradas do setor de biotecnologia neste ano. A operação garante à Pfizer uma entrada estratégica em um dos mercados mais lucrativos da indústria farmacêutica. Isso mesmo que os tratamentos da Metsera ainda levem anos para chegar ao mercado.
A decisão da Metsera foi anunciada após a empresa aceitar a proposta revisada da Pfizer e rejeitar a oferta concorrente da Novo Nordisk. A companhia dinamarquesa desistiu oficialmente da disputa no sábado, citando que “continuará a avaliar oportunidades de desenvolvimento de negócios e aquisições que impulsionem ainda mais os seus objetivos estratégicos”.
O movimento encerra uma acirrada disputa entre a Pfizer e a Novo Nordisk, responsável pelo desenvolvimento de canetas emagracedoras como o Wegovy e o Ozempic. A Metsera, que inicialmente considerava a proposta da Novo Nordisk mais atraente, acabou optando pela oferta revisada da Pfizer, citando riscos antitruste nos Estados Unidos.
Corrida pela próxima geração de medicamentos
A aquisição reforça os investimentos da Pfizer em um mercado que movimenta bilhões de dólares e cresce em ritmo acelerado, impulsionado pela busca global por tratamentos contra a obesidade. A condição afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo a OMS.
Mesmo que os medicamentos da Metsera ainda estejam em desenvolvimento e possam levar anos para chegar ao mercado, o acordo posiciona a Pfizer para competir diretamente com Eli Lilly e Novo Nordisk, as duas líderes atuais do setor.
Em nota, a Pfizer informou que pagará US$ 86,25 por ação, valor que representa um prêmio de 3,69% em relação ao fechamento da Metsera na sexta-feira (7). O pacote inclui US$ 65,60 por ação em dinheiro e um direito de valor contingente de até US$ 20,65 por ação, que dependerá do desempenho futuro dos produtos.
Riscos regulatórios pesaram na decisão
Segundo a Metsera, a escolha pela Pfizer foi motivada pelos “riscos legais e regulatórios inaceitavelmente altos” da proposta da Novo Nordisk. A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA teria expressado preocupação de que o negócio com a Novo Nordisk poderia violar leis antitruste, dado o domínio da empresa no segmento de medicamentos para emagrecimento.
A Novo Nordisk, por sua vez, afirmou em comunicado acreditar que sua proposta estava em conformidade com a legislação americana e reiterou que continuará investindo em novas terapias para obesidade, além de seguir avaliando oportunidades de fusões e aquisições que se alinhem à sua estratégia de longo prazo.
Guerra das big pharmas
A disputa entre Pfizer, Novo Nordisk e Eli Lilly ilustra a corrida global por terapias inovadoras contra a obesidade, que deixou de ser tratada apenas como uma questão estética e passou a ser considerada uma doença crônica com impacto direto na saúde pública.
Para os consumidores, a movimentação sinaliza que a próxima geração de tratamentos pode chegar ao mercado com mais opções, tecnologia e possivelmente preços mais competitivos. Embora o desafio regulatório e o acesso ainda sejam pontos críticos.





