No Dreamforce, evento de tecnologia organizado anualmente pela Salesforce, em São Francisco, Califórnia, Peter Schwartz, renomado futurista e estrategista de negócios, atualmente Chief Futures Officer na Salesforce, conversou com jornalistas sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) em nossas vidas.

Peter (78) está à frente do Salesforce Futures LAB, que promove discussões e ideias sobre o futuro dos negócios com clientes da Salesforce. Além de seu trabalho em planejamento estratégico, Peter é autor de livros, um deles: “The Art of the Long View“, considerado uma obra seminal sobre planejamento de cenários. Ele também atuou como consultor de roteiro em filmes como “Minority Report” “War Games” e “Deep Impact”, refletindo sua ampla capacidade de prever tendências e seu impacto na sociedade.
Formado em engenharia aeronáutica e astronáutica pela Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, no estado de New York, Peter não se considera especialista em tecnologia. “Não sou o cara do software. Sou engenheiro astronauta, sou literalmente um cientista de foguetes”, disse durante o evento da Salesforce.
Peter diz que ainda não considera a Inteligência Artificial que conhecemos hoje como uma inteligência, de fato. “Temos uma IA capaz de agir, mas ela ainda atua apenas em um mundo digital. Ela pode fazer reservas, pode organizar um trabalho para você etc. Mas tudo o que ela faz até agora está no reino digital e baseado em tarefas. A próxima etapa é quando os agentes IA se conectarem ao mundo real”.
IA e robótica: o grande salto
“Através de sensores e de inúmeros robôs andando por aí, a IA começa a ingressar num momento em que ela passa a ter mais contexto e uma compreensão maior do que está acontecendo no mundo ao seu redor e não apenas no mundo digital. Sons, visão, toque e etc. Então você tem essa soma: IA mais agentes, mais o mundo real e mais robôs. É aí que teremos o próximo grande salto com IA”.
Ainda não é inteligente
“Inteligência Artificial não seria exatamente o termo correto para o que vemos agora. É mais como ‘inteligência geral sintética’. Não é realmente inteligência humana. Os modelos que temos atualmente não contêm um modelo cognitivo. Mas eles podem se tornar cada vez mais inteligentes e mais capazes à medida que a matemática se torna mais poderosa e os dados se tornam mais robustos e os impulsionarem. Mas pelo menos no cenário atual já estamos muito à frente de uma API”.
IA e a oportunidade de educação contínua
“Há uma enorme oportunidade com a IA para realmente revolucionarmos a educação. Agentes IA poderão auxiliar nessa jornada não apenas na escola, mas ao longo da nossa vida. Acredito que essa é uma das grandes revoluções que estão por vir com a IA e agentes: a capacidade de proporcionar educação contínua para cada indivíduo durante toda a sua vida. Não só auxiliando no seu conhecimento, mas permitindo que as pessoas desfrutem mais da vida”.
Os riscos de falsas informações
“Os riscos com IA são reais. Mas francamente eu não me preocupo muito com alucinação da IA. Acho que vamos resolver esse problema em breve. Para mim, o maior risco é realmente a informação falsa, tanto deliberada quanto inadvertidamente. E acho que esse é o desafio: precisamos encontrar as ferramentas certas para gerenciar isso. Já estamos nesse mundo de informações falsas há vários anos, e agora de forma mais poderosa. Portanto, é uma guerra — uma guerra técnica, política e regulatória”.
Regulamentação: o início de uma jornada
“Estamos nos estágios iniciais sobre IA e regulamentação. É muito cedo para projetar um regime regulatório que seja altamente eficaz. Isso é realmente desafiador e acho que haverá debates e discussões contínuas sobre qual é a maneira certa de regular. Não há dúvida de que precisamos disso. Mas suspeito que passaremos por vários estágios, onde haverá regulações no curto prazo sobre problemas mais restritos. É o que já temos visto”.
IA e o futuro do trabalho
“Um dos trabalhos que certamente vejo com IA no futuro é no gerenciamento de processos extremamente complexos. Digamos na química, para criar dois tipos de materiais. Imagine que você é um cientista com uma equipe de IAs capazes de manipular moléculas de novas maneiras para criar um novo tipo de material que ninguém jamais construiu antes, que seja leve, forte e assim por diante. Penso nessa tarefa de lidar com complexidades no futuro da IA para o trabalho. Sermos capazes de usar um conjunto de ferramentas e informações complexas de forma mais eficiente”.
O jornalista Marcelo Brandão viajou a convite da Salesforce para São Francisco.
*Fotos: Dreamforce/Salesforce.






