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CM Responde: Por que comparar preços importa ainda mais com o avanço do digital?

CM Responde: Por que comparar preços importa ainda mais com o avanço do digital?

Em meio a preços elevados e que variam de um local para outro, Procon-SP estreia monitoramento online para orientar consumidores.
Em meio a preços elevados e que variam de um local para outro, Procon-SP estreia monitoramento online para orientar consumidores.
Foto: Shutterstock.
O Procon-SP identificou variações de preços que chegam a 200% entre supermercados online, mesmo para produtos idênticos. O levantamento mostra que comparar preços é essencial para economizar, já que disponibilidade e competitividade variam muito entre as redes. A pesquisa reforça que planejar e monitorar preços deixou de ser “mesquinharia” e se tornou necessidade financeira.

No Brasil, ainda existe um estigma enraizado: quem compara preços é visto como “muquirana”, “mão de vaca”; “pão duro” ou excessivamente econômico. Mas a verdade é que, diante da alta do custo de vida, acompanhar a variação de preços deixou de ser uma prática opcional – é uma estratégia de sobrevivência financeira. E a mais recente pesquisa do Procon-SP evidencia exatamente por quê no mais novo Monitoramento on-line de preços de itens essenciais.

No levantamento, a instituição avaliou 77 produtos de alimentação, higiene e limpeza em 12 grandes redes de supermercados digitais. A pesquisa revela que, mesmo com a inflação dentro da meta, a distância entre os preços praticados no varejo pode ser enorme – e ignorar isso significa pagar muito mais por produtos idênticos.

Por que prestar atenção aos preços ?

Tradicionalmente, fomos acostumados a associar o ato de pesquisar preços a alguém avesso a gastar. No entanto, esse olhar precisa mudar. Em um ambiente econômico volátil, no qual alimentos e itens básicos têm reajustes frequentes, pesquisar preços é – mais do que nunca – uma ferramenta de autonomia do consumidor.

Planejar, comparar e monitorar não é ser “mão de vaca”. É entender seu próprio poder de compra e evitar que diferenças injustificáveis corroam o orçamento da família. Nesse ínterim, o levantamento do Procon-SP deixa isso claro: entre os mesmos produtos, vendidos nas mesmas condições, a variação pode ser surpreendente. E não estamos falando de centavos, mas de diferenças que beiram 200%.

Pesquisar vale (muito) a pena

Alho foi o produto que mais apresentou variação de preço.

Os dados revelam disparidades impressionantes entre supermercados online. Alguns exemplos:

  • Alho a granel: variação de 200,85% – de R$ 19,90 a R$ 59,87.
  • Batata: diferença de 155,56%.
  • Cebola: 151,26%.
  • Sabonete Johnson’s: 150,31%.
  • Papel higiênico Personal (4 unidades): 129,10%.

Em síntese, são produtos básicos, comprados rotineiramente, e que impactam diretamente o custo mensal da casa. Por consequência, se o consumidor não compara, paga mais – simples assim.

O estudo analisou itens exatamente iguais (marca, embalagem, peso), garantindo uma comparação real e transparente.

Mudança nos hábitos

Com a popularização das compras online – que agora incluem até as tradicionais “compras do mês” – ficou ainda mais fácil gastar por impulso. A praticidade dos aplicativos, somada à falta de visualização comparativa entre lojas, pode levar a escolhas pouco vantajosas.

Por isso, o Procon-SP inaugurou essa nova frente de monitoramento digital. Analogamente, a ideia é oferecer parâmetros de preço que ajudam o consumidor a fazer escolhas conscientes, especialmente em um período em que o varejo opera com preços elevados e oscilações frequentes.

Além de auxiliar quem compra, o levantamento serve de insumo para que redes varejistas acompanhem a competitividade de seus próprios preços. Por consequência, fica mais fácil compreender os novos padrões de consumo.

Como foi feito o monitoramento?

Nos dias 30 e 31 de outubro, especialistas do Procon-SP coletaram preços de 77 produtos essenciais em 12 supermercados que vendem online. Veja abaixo:

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Foram considerados apenas preços para pagamento à vista no cartão de crédito. O valor exclui frete, taxas, cupons ou promoções específicas. Confira a tabela de comparação:

Avaliação da pesquisa

O cenário dos supermercados online revela informações interessantes sobre a disponibilidade e competitividade de preços. Um dos dados que se destaca é a diferença na quantidade de produtos encontrados em cada rede. O Andorinha lidera com 91% dos itens disponíveis, ou seja, 70 de 77 produtos que conseguimos localizar. Logo atrás estão o Nagumo, com 79%, o Trimais, com 73%, e o Extra Mercado, que conta com 71% dos itens. Por outro lado, o Mambo tem a menor taxa de disponibilidade, com apenas 57% dos produtos encontrados. Essa variação é crucial, pois uma maior variedade de itens reduz a necessidade de ir a outros mercados, o que pode significar evitar pagar mais caro por um produto que estava indisponível na primeira loja visitada.

Além da variedade, a competitividade de preços também é um fator importante. O levantamento identificou quantos itens cada supermercado oferece pelo mesmo preço ou abaixo da média do mercado. Nesse aspecto, Tenda e Atacadão se destacam, com 48 e 47 itens, respectivamente, que estão com preços iguais ou inferiores à média. O Andorinha também não fica atrás, apresentando 43 produtos nessa condição. Esses três mercados estão no topo da lista quando se trata de oferecer preços competitivos.

Por outro lado, o Pão de Açúcar, mesmo com 52 itens disponíveis, só tem 7 com preços iguais ou abaixo da média, e apenas um item que é mais barato. Hirota e Mambo também não se destacam, com pouquíssimos produtos abaixo da média, o que sugere que os preços nessas lojas podem ser mais altos.

Itens que custam menos

Ao focar apenas nos itens que custam menos do que a média geral, a liderança do Atacadão se confirma, com 20 produtos nessa condição. O Tenda aparece logo em seguida, com 16 itens. O Andorinha e o Nagumo empatam com 9 produtos mais baratos que a média. Por outro lado, o Mambo é o único supermercado que não apresenta nenhum item abaixo da média, o que indica que seus preços são, de modo geral, mais altos.

Essas informações são extremamente relevantes para os consumidores. Elas mostram que o mesmo produto, adquirido no mesmo dia, pode ter preços bastante variados dependendo do supermercado escolhido. A combinação entre a disponibilidade de itens, a quantidade de produtos com preços competitivos e a quantidade de itens abaixo da média evidencia que a economia não está concentrada em um único lugar. Por isso, é fundamental que os consumidores façam comparações constantes para realmente encontrar os melhores preços e economizar nas compras.

Ao comparar e comprar:

  • Compare preços entre supermercados e avalie qualidade, peso e custo do frete.
  • Verifique validade, integridade das embalagens, peso e frescor dos itens ao receber.
  • Confira a política de troca, especialmente para perecíveis.
  • Lembre-se: compras online podem trazer produtos menos frescos, dependendo da seleção e logística.
  • Só finalize o recebimento após checar tudo.
  • Produtos preparados pelo estabelecimento devem trazer informações completas (validade, ingredientes, alergênicos).

Importante:

Para compras online, o Código de Defesa do Consumidor garante o direito de arrependimento em até 7 dias, a contar da compra ou do recebimento.

Cuidado com impulsos

A digitalização do varejo trouxe comodidade, mas também desafios. Aplicativos incentivam compras rápidas e acréscimos ao carrinho com um clique e, somado às variações de preço entre lojas, isso pode comprometer o equilíbrio financeiro da família.

O monitoramento do Procon-SP reforça: planejar, comparar e observar as variações entre marcas e redes é indispensável. Não é mesquinharia. É responsabilidade financeira.

A pesquisa, na íntegra, pode ser vista clicando aqui.

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