No Brasil, ainda existe um estigma enraizado: quem compara preços é visto como “muquirana”, “mão de vaca”; “pão duro” ou excessivamente econômico. Mas a verdade é que, diante da alta do custo de vida, acompanhar a variação de preços deixou de ser uma prática opcional – é uma estratégia de sobrevivência financeira. E a mais recente pesquisa do Procon-SP evidencia exatamente por quê no mais novo Monitoramento on-line de preços de itens essenciais.
No levantamento, a instituição avaliou 77 produtos de alimentação, higiene e limpeza em 12 grandes redes de supermercados digitais. A pesquisa revela que, mesmo com a inflação dentro da meta, a distância entre os preços praticados no varejo pode ser enorme – e ignorar isso significa pagar muito mais por produtos idênticos.
Por que prestar atenção aos preços ?
Tradicionalmente, fomos acostumados a associar o ato de pesquisar preços a alguém avesso a gastar. No entanto, esse olhar precisa mudar. Em um ambiente econômico volátil, no qual alimentos e itens básicos têm reajustes frequentes, pesquisar preços é – mais do que nunca – uma ferramenta de autonomia do consumidor.
Planejar, comparar e monitorar não é ser “mão de vaca”. É entender seu próprio poder de compra e evitar que diferenças injustificáveis corroam o orçamento da família. Nesse ínterim, o levantamento do Procon-SP deixa isso claro: entre os mesmos produtos, vendidos nas mesmas condições, a variação pode ser surpreendente. E não estamos falando de centavos, mas de diferenças que beiram 200%.
Pesquisar vale (muito) a pena

Os dados revelam disparidades impressionantes entre supermercados online. Alguns exemplos:
- Alho a granel: variação de 200,85% – de R$ 19,90 a R$ 59,87.
- Batata: diferença de 155,56%.
- Cebola: 151,26%.
- Sabonete Johnson’s: 150,31%.
- Papel higiênico Personal (4 unidades): 129,10%.
Em síntese, são produtos básicos, comprados rotineiramente, e que impactam diretamente o custo mensal da casa. Por consequência, se o consumidor não compara, paga mais – simples assim.
O estudo analisou itens exatamente iguais (marca, embalagem, peso), garantindo uma comparação real e transparente.
Mudança nos hábitos
Com a popularização das compras online – que agora incluem até as tradicionais “compras do mês” – ficou ainda mais fácil gastar por impulso. A praticidade dos aplicativos, somada à falta de visualização comparativa entre lojas, pode levar a escolhas pouco vantajosas.
Por isso, o Procon-SP inaugurou essa nova frente de monitoramento digital. Analogamente, a ideia é oferecer parâmetros de preço que ajudam o consumidor a fazer escolhas conscientes, especialmente em um período em que o varejo opera com preços elevados e oscilações frequentes.
Além de auxiliar quem compra, o levantamento serve de insumo para que redes varejistas acompanhem a competitividade de seus próprios preços. Por consequência, fica mais fácil compreender os novos padrões de consumo.
Como foi feito o monitoramento?
Nos dias 30 e 31 de outubro, especialistas do Procon-SP coletaram preços de 77 produtos essenciais em 12 supermercados que vendem online. Veja abaixo:

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Foram considerados apenas preços para pagamento à vista no cartão de crédito. O valor exclui frete, taxas, cupons ou promoções específicas. Confira a tabela de comparação:

Avaliação da pesquisa
O cenário dos supermercados online revela informações interessantes sobre a disponibilidade e competitividade de preços. Um dos dados que se destaca é a diferença na quantidade de produtos encontrados em cada rede. O Andorinha lidera com 91% dos itens disponíveis, ou seja, 70 de 77 produtos que conseguimos localizar. Logo atrás estão o Nagumo, com 79%, o Trimais, com 73%, e o Extra Mercado, que conta com 71% dos itens. Por outro lado, o Mambo tem a menor taxa de disponibilidade, com apenas 57% dos produtos encontrados. Essa variação é crucial, pois uma maior variedade de itens reduz a necessidade de ir a outros mercados, o que pode significar evitar pagar mais caro por um produto que estava indisponível na primeira loja visitada.
Além da variedade, a competitividade de preços também é um fator importante. O levantamento identificou quantos itens cada supermercado oferece pelo mesmo preço ou abaixo da média do mercado. Nesse aspecto, Tenda e Atacadão se destacam, com 48 e 47 itens, respectivamente, que estão com preços iguais ou inferiores à média. O Andorinha também não fica atrás, apresentando 43 produtos nessa condição. Esses três mercados estão no topo da lista quando se trata de oferecer preços competitivos.
Por outro lado, o Pão de Açúcar, mesmo com 52 itens disponíveis, só tem 7 com preços iguais ou abaixo da média, e apenas um item que é mais barato. Hirota e Mambo também não se destacam, com pouquíssimos produtos abaixo da média, o que sugere que os preços nessas lojas podem ser mais altos.
Itens que custam menos
Ao focar apenas nos itens que custam menos do que a média geral, a liderança do Atacadão se confirma, com 20 produtos nessa condição. O Tenda aparece logo em seguida, com 16 itens. O Andorinha e o Nagumo empatam com 9 produtos mais baratos que a média. Por outro lado, o Mambo é o único supermercado que não apresenta nenhum item abaixo da média, o que indica que seus preços são, de modo geral, mais altos.
Essas informações são extremamente relevantes para os consumidores. Elas mostram que o mesmo produto, adquirido no mesmo dia, pode ter preços bastante variados dependendo do supermercado escolhido. A combinação entre a disponibilidade de itens, a quantidade de produtos com preços competitivos e a quantidade de itens abaixo da média evidencia que a economia não está concentrada em um único lugar. Por isso, é fundamental que os consumidores façam comparações constantes para realmente encontrar os melhores preços e economizar nas compras.
Ao comparar e comprar:
- Compare preços entre supermercados e avalie qualidade, peso e custo do frete.
- Verifique validade, integridade das embalagens, peso e frescor dos itens ao receber.
- Confira a política de troca, especialmente para perecíveis.
- Lembre-se: compras online podem trazer produtos menos frescos, dependendo da seleção e logística.
- Só finalize o recebimento após checar tudo.
- Produtos preparados pelo estabelecimento devem trazer informações completas (validade, ingredientes, alergênicos).
Importante:
Para compras online, o Código de Defesa do Consumidor garante o direito de arrependimento em até 7 dias, a contar da compra ou do recebimento.
Cuidado com impulsos
A digitalização do varejo trouxe comodidade, mas também desafios. Aplicativos incentivam compras rápidas e acréscimos ao carrinho com um clique e, somado às variações de preço entre lojas, isso pode comprometer o equilíbrio financeiro da família.
O monitoramento do Procon-SP reforça: planejar, comparar e observar as variações entre marcas e redes é indispensável. Não é mesquinharia. É responsabilidade financeira.
A pesquisa, na íntegra, pode ser vista clicando aqui.





