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Pandemia impulsiona ofertas de atendimento em domicílio

Pandemia impulsiona ofertas de atendimento em domicílio

Levar o produto até o cliente ajudou as empresas a se manterem presentes nas vidas dos consumidores durante o isolamento e moldou novos formatos de trabalho

Distanciamento social, comércio não essencial fechado, lockdown. Os efeitos da pandemia foram devastadores para o mercado e as empresas, profissionais liberais e prestadores de serviço em geral se viram desafiados a encontrar soluções para sobreviver.

Aqueles que já haviam diversificado a forma de atender o seu público, vendendo e se comunicando em diferentes canais, saíram na frente, buscando apenas melhorar o serviço de entrega e o contato pelo telefone e pelas redes sociais. Outros precisaram adaptar ou até repensar totalmente o negócio e o atendimento em domicílio surgiu como solução para empresas dos mais variados segmentos se manterem em atividade.

Por exemplo, segundo dados do Grupo Sabin de medicina diagnóstica, presente em todo país, houve um aumento de 43% no serviço de coleta domiciliar para exames laboratoriais durante a pandemia. A empresa chegou a destacar uma equipe especializada para realizar testes de coronavírus em domicílio.

No setor automobilístico, ainda no começo da pandemia no país, a Caoa Chery, montadora das marcas Hyundai e Chery no Brasil, criou um novo formato de atendimento no qual um vendedor qualificado vai até a casa do cliente interessado e pode oferecer até um test-drive com segurança. Para isso a empresa criou protocolos de higienização dos veículos e procedimentos especiais para os colaboradores.

Não ficar parado esperando uma melhora da situação foi determinante para as organizações que buscaram essa solução.

Leia também: Personalização da vendas: o poder dos algoritmos para melhorar resultados 

Da recepção para o atendimento em domicílio

Se para algumas empresas a adaptação necessária para se manterem presentes no mercado foi a simples criação de um processo de entrega ou atendimento, para outras foi preciso repensar o negócio.

Proprietário do Márcia & Marô Recepções, um buffet tradicional do interior paulista, Leonardo Maronezi conta que assim que percebeu que a pandemia não acabaria tão cedo começou a pensar em possibilidades e, em junho, criou um serviço de delivery de alimentos.

“Não precisamos adaptar nada na nossa parte estrutural, mas tivemos que fazer ajustes para oferecer o serviço. Embora envolva comida, como um buffet, praticamente é um novo negócio, que não tem relação com o que a gente fazia”, afirma.

Segundo o empresário, iniciar o novo serviço foi trabalhoso, pois foi necessário aprender a lidar com as quantidades certas de alimentos e uso de insumos para que não houvesse desperdício. Além disso, a empresa – cujos clientes possuem um ticket médio alto para o segmento de delivery de alimentos tradicional – queria buscar um diferencial.

“Foi como conhecer um novo negócio. Precisamos pensar a maneira de lidar com nosso cliente, ajustar as entregas e organizar a logística para que ele pudesse fazer o pedido e o alimento chegasse com toda qualidade na hora certa”, explica.

A decisão valeu a pena. Leonardo Maronezi revela que tinha uma boa expectativa quando lançou o novo serviço por conta do nome da empresa, mas a recepção por parte dos consumidores foi melhor do que ele imaginava, com o cliente aceitando pagar um valor mais alto.

A pandemia moldando um novo negócio

Criar uma conexão com o público durante um período de crise levando o seu produto ou serviço até sua residência, mais do que uma estratégia de sobrevivência, é uma ação que pode deixar uma marca positiva no cliente e ajudar a criar uma nova empresa no pós-pandemia.

Para Leonardo Maronezi seu produto criado durante a crise do coronavírus deve continuar existindo após o término da pandemia porque trouxe muitos elementos positivos. “Conseguimos ter um desenvolvimento de produtos em relação à comida que era até então impensável. Já tínhamos uma qualidade interessante, mas pudemos aprimorar isso. Hoje temos produtos melhores do que tínhamos antes da pandemia”, exemplifica.

“Vou lembrar da pandemia como alguns dos anos mais difíceis que passamos, mas que não trouxe só coisas negativas”, conclui o empresário.

O economista e consultor empresarial Ricardo Rocha segue o mesmo raciocínio. Segundo ele, o processo de flexibilização do atendimento durante a pandemia foi doloroso para muitas empresas que tiveram que mudar forçadamente sua cultura e formato de trabalho, mas trouxe bons resultados.

“Algumas organizações passaram por mudanças radicais neste período, mas estão conseguindo gerar faturamento e receita até maiores do antes, quando era tudo presencial”, conta.

Ricardo Rocha acredita que a pandemia deixa uma lição importante para o mercado em geral. “Quanto mais a empresa se planeja, inova seu processo de gestão, sua forma de atender o cliente e oferecer seu produto e serviço, mais está preparada para enfrentar situações difíceis como essa”, afirma.

“O empresário, independentemente da existência de uma crise como a pandemia tem que sempre ter um planejamento em mãos e estar preparado para enfrentar qualquer tipo de desafio”, conclui.


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