/
/
Orquestração e IA agêntica são as apostas para mudar o patamar de CX na América Latina

Orquestração e IA agêntica são as apostas para mudar o patamar de CX na América Latina

O panorama de adoção da IA agêntica no Brasil e na América Latina revela nosso País como epicentro regional de maturidade e experimentação tecnológica.
O panorama de adoção da IA agêntica no Brasil e na América Latina revela nosso País como epicentro regional de maturidade e experimentação tecnológica.
Foto: Shutterstock.
No Genesys Xperience, em Las Vegas, executivos da Genesys apontaram o Brasil como mercado de vanguarda em experiência do cliente na América Latina. Enquanto a média global tem CX como prioridade para 35% dos executivos, no país esse índice sobe a 57%. Segundo Amanda Andreone e Julio Cerasi, o avanço é puxado por dois vetores: redução de custos via automação e geração de nova receita a partir do atendimento.

Durante o Genesys Xperience, realizado no início de setembro, em Las Vegas, EUA, o mentor da CX Brain, Jacques Meir, conversou com diversos executivos da nova entrante no clube das Big Techs globais de CX. Uma conversa, em particular, trouxe uma análise bastante sólida do atual estágio de adoção da Inteligência Artificial agêntica nos mercados da América Latina e do Brasil.

No bate-papo com Amanda Andreone, VP de Sales e líder de Experiência do Cliente para a América Latina, e Julio Cerasi, country manager Brasil da empresa, Jacques coletou mais insumos para demonstrar que a experiência do cliente não é mais tema de nicho e movimenta mais de US$ 22 bilhões somente no nosso mercado.

A expansão das atividades relacionadas à experiência do cliente permeia praticamente todas as verticais de negócio, ainda que em estágios de maturidade distintos. O setor financeiro segue como o mais avançado na adoção de tecnologia, enquanto saúde caminha alguns passos atrás, mas já em movimento acelerado. A Colômbia concentra ainda operações mais tradicionais de Contact Center; o Chile se destaca pela alta concentração de market share da Genesys; o México mantém um perfil mais conservador. Já o Brasil, na leitura da executiva e do country manager Brasil, ocupa lugar de vanguarda. É o mercado mais criativo e mais competitivo da região, o que amplifica a pressão por diferenciação via experiência.

Cerasi reforça esse diagnóstico com dados do estudo global da Genesys, State of CX. Enquanto a maturidade média global aponta CX como prioridade para cerca de 35% dos executivos, no Brasil esse número sobe a 57%. Segundo ele, as duas alavancas centrais que vêm movendo o mercado nos últimos 12 meses são redução de custo (automação e eficiência) e aumento de receita, com a experiência do cliente atuando cada vez menos como discurso “intangível” e cada vez mais como variável direta desses dois resultados.

De ferramenta a orquestrador: a filosofia por trás da plataforma

Um dos pontos mais produtivos da conversa foi a insistência dos dois executivos em posicionar a Genesys como orquestradora de jornadas, capaz de conectar pessoas, processos e sistemas em torno de um resultado de negócio, e não da tecnologia em si. “Tecnologia é meio, não é fim”, resume Julio. Essa visão explica a ênfase da companhia em ajudar clientes a extrair mais valor do que já foi investido, em vez de estimular reinvestimentos sucessivos em novas ferramentas.

Casos citados durante a conversa, como o dos agentes virtuais agênticos da Riachuelo e a transformação de processos na Bradesco Seguros (que veremos em breve publicados no Portal Consumidor Moderno) foram usados como evidência de que a adoção no Brasil já avançou da fase de piloto para escala, ainda que de forma desigual entre indústrias. Efetivamente, o País ocupa posição de vanguarda como early adopter de tecnologias, e isso em um continente que já tem como característica ser precursor no uso dessas soluções.

Jacques procurou trazer à mesa um ponto controverso: a validade das atuais métricas tradicionais de CX. Isso porque indicadores como o NPS oferecem uma “leitura fotográfica” e pouco discriminante da base de clientes, ignorando quem, de fato, atua como promotor ativo da marca. Um exemplo de métricas mais finas é a taxa de resolutividade virtual e também o NAPS (Net Active Promoters Score), capazes de capturar o valor real gerado pela IA agêntica, algo que hoje poucas empresas monitoram de forma estruturada.

Barreiras: cultura, legado e compliance

Ambos os executivos da Genesys reconhecem que a adoção de IA agêntica não é puramente um desafio tecnológico. Amanda descreve resistências recorrentes ligadas a cultura organizacional, orçamento, legado de sistemas e, de forma mais aguda, compliance e governança de dados, especialmente diante do risco de alucinação em ambientes regulados.

A resposta da Genesys passa por confinar decisões críticas a fluxos mais determinísticos (NLU) antes de avançar para arquiteturas plenamente agênticas, e por atuar como “advisor” que às vezes recomenda ao cliente não usar IA generativa quando o problema é, na prática, um gargalo de processo.

Por outro lado, Julio Cerasi aponta que a antiga visão do atendimento como centro de custo está ultrapassada. Na visão da Genesys, compartilhada por outros fornecedores e inúmeros executivos do Brasil, América Latina, Europa e Ásia, participantes do evento, o erro estratégico mais comum nas empresas é concentrar esforço e investimento apenas na retenção da base existente, negligenciando o potencial de geração de receita nova a partir da mesma operação de atendimento.

BPOs: parceiros, não concorrentes

Questionados sobre o papel dos BPOs, segmento que, segundo dados do Mapa do CX (a ser lançado no CONAREC 2026), está estagnado há uma década em patamar inferior a US$ 3 bilhões, ambos foram enfáticos: a Genesys não compete com BPOs, pois não oferece atendimento humano como serviço. A relação é vista como complementar, com BPOs atuando tanto como clientes diretos quanto como parceiros que adotam a plataforma exclusivamente, ganhando eficiência competitiva. Um dos exemplos citados por Amanda Andreone envolveu uma operação colombiana que venceu uma concorrência apresentando um ganho de eficiência de 60% baseado na configuração Genesys.

Sem detalhar números de crescimento para o recorte Brasil (dado não divulgado publicamente), os executivos indicam que o plano estratégico global da companhia segue orientado a expansão, mantendo a nuvem como diretriz arquitetural única, sem planos de diversificação para outros modelos. A prioridade dos próximos 12 meses é ajudar clientes a aproveitar melhor a tecnologia já adquirida, evitando “reinventar a roda”, e ampliar a adoção de orquestração como camada que integra IA própria do cliente, IA do BPO e soluções de terceiros num único ecossistema de jornada.

*Análise da CX Brain exclusiva para Consumidor Moderno.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Oito em cada dez jovens se preocupam com o futuro financeiro, mas só um terço se prepara
Pesquisa do Instituto Locomotiva para a Abrapp mostra que a geração de 18 a 30 anos reconhece a importância da previdência, mas toma decisões com horizonte de até seis meses
Gustavo Albanesi, cofundador e CEO do Buddha Spa
O plano do Buddha Spa para transformar massagem em rotina
Com Smart Fit como sócia minoritária, Buddha Spa aposta em pacotes, membership e produtos para casa para fazer do bem-estar um hábito
Mantecorp SPFW ou São Paulo Fashion Week: aonde você vai em 2027?
A Mantecorp comprou os naming rights da principal semana de moda do País por sete anos. Até onde uma marca pode rebatizar estádios, eventos e espaços sem apagar a memória de quem os construiu?
DHL Supply Chain aposta em armazéns compartilhados, orquestração de transportadoras e robôs para cumprir os prazos de marcas de diferentes segmentos.
Como a DHL Supply Chain se prepara para movimentar 37 milhões de itens na Peak Season
DHL Supply Chain aposta em armazéns compartilhados, orquestração de transportadoras e robôs para cumprir os prazos de marcas de diferentes segmentos

Webstories

SUMÁRIO – Edição 298

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Vice-Presidente Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadora
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Keds volta ao Brasil após 22 anos e aposta na nostalgia para crescer Prime Video aposta em vídeos curtos e amplia funções do streaming Do clique ao dano: quem responde nas novas relações de consumo? Menos estímulos, mais experiência?