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Nobel propõe taxação de super-ricos para erradicar pobreza

Nobel propõe taxação de super-ricos para erradicar pobreza

Esther Duflo argumenta que as crises climáticas afetam, principalmente, a população mundial de baixa renda na Febraban Tech 2024.
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Foto: Bianca Alvarenga

Muito se debate sobre os caminhos para o fim da pobreza. Mundialmente, milhões de pessoas vivem em situação de extrema pobreza. Quando falamos em pobreza, é essencial ter um olhar que vá além da questão financeira e considerar fatores como as condições climáticas extremas, a desigualdade racial e a fome. Foi nesse contexto que Esther Duflo, economista vencedora do Prêmio Nobel de Economia em 2019, abriu o painel “Transformando vidas, como pequenas ações reduzem a pobreza mundo afora” na Febraban Tech 2024.

A economista chamou a atenção para as condições climáticas extremas, uma vez que as altas temperaturas, secas e enchentes impactam diretamente a vida das pessoas em situação de pobreza. Esther atribuiu as recentes inundações no Sul do Brasil às mudanças climáticas. “A crise climática não é mais uma ameaça distante, mas uma realidade que já estamos enfrentando hoje. A recente inundação no Sul do Brasil não apenas alterou o clima local, mas também impactou diretamente a vida de muitos alunos, com várias escolas ainda fechadas”, pontua.

Em regiões onde as temperaturas são elevadas, a falta de acesso a recursos básicos como água potável e alimentos frescos torna-se ainda mais crítica, dificultando ainda mais a vida dessas populações. “A crise climática não altera apenas as temperaturas, mas provoca uma série de mudanças que afetam a todos, ricos e pobres. No entanto, são os mais pobres que sofrem desproporcionalmente, especialmente em regiões como a África, onde temperaturas extremas colocam em risco a vida e os meios de subsistência”, destaca.

De acordo com a economista, projeções indicam que, até 2100, aproximadamente 6 milhões de pessoas poderão morrer de doenças infecciosas exacerbadas pelas mudanças climáticas, principalmente em áreas pobres. “Não podemos aceitar essa desigualdade; é imperativo agir agora”, enfatiza.

Proposta de ação global

Diante da crise econômica, social e ambiental, Esther defende a taxação dos mais ricos do mundo e o aumento da tributação de multinacionais, de acordo com a economista, com essa proposta é possível arrecadar cerca de 500 bilhões de dólares para ajudar os mais pobres e mitigar os impactos da crise climática “Os governos dos países pobres estão exaustos de serem vítimas das mudanças climáticas. A responsabilidade de agir é de todos, especialmente daqueles com recursos. O G20 deve liderar esse esforço, encontrando soluções eficazes”, defende.

Outro ponto levantado foi sobre a importância da educação para avançar de forma rápida. Na visão de Esther, é preciso sair um pouco do ensino tradicional e personalizar mais a educação, fazendo com que o ensino seja focado nas necessidades individuais das crianças. “Assim, elas poderão aprender matemática avançada e, ao chegarem ao ensino médio, poderão se tornar profissionais qualificados”, argumenta. “Crianças têm muita intuição para a matemática e criam uma ponte para que possam atingir seu potencial. Mas ninguém ainda prestou atenção nelas”.

Quem é Esther Duflo

Esther Duflo é economista franco-americana, cofundadora e diretora do Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel (J-PAL), e professora de Economia de Alívio à Pobreza e Desenvolvimento no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em 2019, Esther conquistou o Prêmio Nobel de Economia defendendo uma “abordagem experimental para aliviar a pobreza global”, ao lado de seu marido, Abhijit Banerjee, e de Michael Kremer.

Segundo a Academia Real Sueca de Ciências, responsável pela premiação, graças ao estudo, mais de 5 milhões de crianças indianas se beneficiaram pelo programa de reforço escolar, além de contribuírem para a reformulação da área da economia do desenvolvimento.

Segunda mulher agraciada com o Prêmio Nobel de Economia e a mais jovem até então, com apenas 46 anos na época, Esther Duflo foi reconhecida por seus trabalhos de redução de pobreza.

Em 2013, a professora do MIT foi selecionada pela Casa Branca para aconselhar o então presidente Barack Obama em questões de desenvolvimento, e participou do recém-criado Comitê para o Desenvolvimento Mundial. Ao longo de sua carreira, Duflo recebeu diversos prêmios, incluindo a medalha John Bates Clark em 2010, concedida aos economistas nos Estados Unidos com menos de 40 anos, em reconhecimento ao seu trabalho.

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