Diante da sobrecarga emocional, desigualdade de renda e responsabilidades múltiplas a que são expostas a enorme maioria das mulheres do nosso País, o crédito pessoal tem se tornado uma ferramenta essencial para lidar com emergências, reorganizar o orçamento e garantir o básico.
Mas o cenário não as favorece: mais de três em cada quatro brasileiras não têm reserva financeira. “Em muitos casos, o crédito é o que garante itens básicos como arroz, feijão e até o gás de cozinha”, afirma Isadora Simons, gerente sênior de Operações da 99Pay.
Para entender melhor essa realidade e o papel do crédito – sobretudo entre mulheres das classes C e D –, a 99Pay, carteira digital integrada ao aplicativo 99, encomendou uma pesquisa para o Instituto Locomotiva e compartilhou os principais insights com a Consumidor Moderno. Confira!
Crédito como airbag: o raio X da vulnerabilidade financeira feminina
Consumidor Moderno: A pesquisa mostra que 76% das mulheres não têm nenhuma reserva financeira. O que esse dado revela sobre a vulnerabilidade econômica feminina no Brasil?
Isadora Simons: Muitas mulheres enfrentam jornadas duplas ou triplas – cuidam da casa, dos filhos, apoiam financeiramente familiares e ainda administram o orçamento doméstico. Com uma renda geralmente menor, sobra pouco, ou nada, para poupar. Nesse contexto, o crédito funciona como um verdadeiro airbag: amortiza impactos e garante alguma estabilidade diante de imprevistos.
CM: Apesar da renda menor e da instabilidade, as mulheres lideram na contratação de crédito. Como entender esse movimento?
Isso mostra que o crédito é uma ferramenta de sobrevivência para muitas delas. A análise de dados da 99Pay confirma essa tendência, especialmente nas classes C e D: 53% das solicitações são feitas por mulheres. E os motivos são claros – pagar contas, investir no pequeno negócio, fazer reformas ou quitar dívidas. Muitas vezes, é o que garante o básico no fim do mês.
Classes C e D: demanda alta e crédito responsável
CM: A pesquisa mostrou alta adesão ao crédito entre pessoas das classes C e D. Que desafios isso impõe ao mercado?
Esse cenário exige soluções simples, seguras e claras. Na 99Pay, por exemplo, atuamos como Correspondente Bancária oferecendo empréstimos de R$ 500 a R$ 12 mil, com parcelas fixas e contratação 100% digital. Mas, para tornar o assunto acessível e conectado à vida real das pessoas, vimos a necessidade de levar informação, por isso também investimos em educação financeira com ações como a plataforma $implificando, criada com o Me Poupe!.
CM: Os dados mostram que as mulheres usam o crédito principalmente para emergências e dívidas, enquanto os homens citam mais reformas e bens duráveis. Como interpretar isso?
Isso reflete realidades diferentes. Para muitas mulheres, o crédito é o que garante itens essenciais: alimentação, saúde, contas básicas. Os homens, por outro lado, tendem a usá-lo para objetivos mais estruturais. Ou seja, não estamos falando de consumo impulsivo – estamos falando de sobrevivência.
Digitalização e novos hábitos financeiros
CM: A maioria das mulheres disse preferir canais digitais para contratar crédito. Como vocês enxergam essa mudança de comportamento?
É uma escolha por praticidade, transparência e menor burocracia. O digital permite autonomia: contratação rápida, menos surpresas e mais controle. Segundo a pesquisa, 57% das pessoas que planejam contratar crédito, em breve pretendem fazê-lo via bancos digitais. Isso mostra que não se trata apenas de falta de opção, mas de uma preferência consciente.
CM: A contratação de microcrédito por app cresce na era da digitalização, mas ela, de fato, tem democratizado o acesso?
Sim. A digitalização permite que mais pessoas – especialmente quem está fora do sistema bancário tradicional – tenham acesso a soluções de crédito simplificadas. Ainda há desafios de inclusão digital, mas o avanço das contas digitais tem reduzido barreiras, com mais autonomia e menos burocracia.
Crédito consciente: necessidade e planejamento
CM: A facilidade de acesso pode ser aliada ou risco. Que cuidados o consumidor precisa ter?
Avaliar se realmente precisa do crédito, entender o custo total da operação, comparar opções e garantir que a parcela caiba no orçamento. É importante evitar o rotativo do cartão ou os juros altos do cheque especial. Crédito estruturado, como o empréstimo pessoal com parcelas fixas, é mais saudável. Mas, tudo começa com educação financeira.
CM: Em tempos de inflação e renda apertada, como o crédito pode ajudar – e não piorar a situação?
Quando bem utilizado, o crédito reorganiza as finanças: ajuda a pagar dívidas caras, a organizar o orçamento ou a viabilizar um plano. Mas é preciso contratar com clareza de propósito. Por isso a transparência nas condições e a orientação são essenciais para evitar o efeito bola de neve.
Educação financeira e próximos passos
CM: Especialmente com o advento das fintechs, o Brasil avançou em educação financeira, mas a informação sobre a disciplina ainda é considerada baixa. Nesse cenário, qual deve ser o papel das empresas do setor?
Além do investimento em educação com conteúdos simples, aplicáveis à rotina e que ajudem as pessoas a tomar decisões melhores, é fundamental oferecer produtos compatíveis com o perfil do usuário. A empresa não pode só vender crédito — precisa apoiar o uso consciente.
CM: Quais os planos da 99Pay para ampliar a inclusão financeira?
Já concedemos mais de R$ 3,5 bilhões em empréstimos, com foco nas classes C e D. Vamos seguir investindo em tecnologia para garantir um processo transparente, seguro e acessível. Também buscamos novas parcerias para fortalecer a educação financeira e expandir nosso alcance com soluções sustentáveis que promovam autonomia real aos usuários.





