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CM Indica: de tédio ninguém morre

CM Indica: de tédio ninguém morre

Novo livro de Michel Alcoforado, antropólogo e sócio-diretor do Grupo Consumoteca, traz coletânea de textos que exploram o cotidiano pela lente da antropologia.
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Qual é o espírito do nosso tempo? Se jogarmos coronavírus, Inteligência Artificial, redes sociais, Geração Z, conflitos globais e consumo no mesmo tacho, podemos chegar a algum consenso. E um deles é inegável: no Brasil e no mundo, hoje, de tédio ninguém morre. É com essa ideia que Michel Alcoforado, antropólogo e sócio-diretor do Grupo Consumoteca, reuniu diferentes colunas publicadas no portal UOL entre 2018 e 2023 para explorar algumas pistas da contemporaneidade.

“Comecei a escrever em 2018, peguei um Brasil em ebulição – tanto no campo da política quanto no campo da economia, da crise sanitária, e de saúde”, conta Michel. “Foi um momento importante para usarmos o Brasil como tubo de ensaio. Brinco que são textos que foram publicados no passado, mas não morrem, porque falam da cultura, do tempo, desse movimento de longa duração que continua apesar do atravessamento dos experimentos cotidianos”.

“De tédio ninguém morre: pistas para entender os nossos tempos” (Telha) é uma coletânea de algumas dessas análises que levam a leitura da antropologia de forma leve e dissecada. Logo no início do livro, há uma espécie de prefácio que traz, justamente, essa dúvida do trabalho da antropologia: quando disse que queria ser antropólogo, sua avó o questionou sobre o que responderia quando lhe perguntassem o que Michel fazia:

“Já sei. Toda vez que ninguém tá entendendo nada, não sabe explicar alguma coisa, a televisão chama um antropólogo para falar. É isso que você vai fazer, né? Explicar o que ninguém tá entendendo”. Ao menos, é isso que Michel, de fato, faz.

Fenômenos híbridos

Michel Alcoforado, antropólogo e sócio-diretor do Grupo Consumoteca.

Um bom exemplo desse papel de Michel Alcoforado está no primeiro texto do livro: “5 coisas que eu aprendi sobre coronavírus até ficar preso na Índia”. Nele, o autor destaca os chamados “híbridos” – fatos, problemas e processos que fogem de classificação dada sua complexidade. Na leitura de Michel, a Covid-19 é um desses híbridos. O problema é que não foi tratado desde início como tal.

Durante a leitura, embarcamos em uma viagem para chegar a Tel-Aviv, com uma escala em Roma, bem no dia em que a Organização Mundial da Saúde nomeou a doença, no dia 11 de fevereiro. Na conexão na capital italiana, é recebido com uma enxurrada de perguntas: quando foi a última visita à Europa, se esteve recentemente na Coreia do Sul, quantas horas ficaria no país, temperatura corporal.

Como destaca Michel, todo esse processo de cuidado nas fronteiras da Itália estava focado em pacientes que já apresentavam os sintomas da doença, sendo que o vírus estava sendo espalhado também por indivíduos que ainda não apresentavam nenhum sinal da Covid-19. Ou seja: as autoridades tinham a informação pela metade, sem as ferramentas necessárias para fazer uma leitura mais apropriada do fenômeno.

Não só isso, mas a Covid-19 trouxe novos problemas: sociais, econômicos, políticos. Enxurradas de informações e fake news passaram a habitar o consciente coletivo da população mundial, criando mais um problema a ser combatido.

“Os híbridos, por serem tão complexo, imprevisíveis e não adaptáveis aos velhos padrões, fazem do futuro um jogo tão aberto que nenhum de nós sabe o que será do amanhã”, explica o autor no livro. “Tensos com um presente que muda a cada segundo e sem chance de fazer planos porque não há futuro, eles nos cobram que abandonemos todas as âncoras para surfarmos de acordo com as marés. Haja estômago!”.

Exercício antropológico

“Escrever uma coluna quinzenal ou semanal é um exercício enlouquecedor”, afirma. Segundo Michel, enquanto pode acontecer de se deparar com muitos assuntos para pouca coluna, também pode ser que não encontre temas para discorrer em um espaço grande.

“Isso dá uma elasticidade interessante de levar a antropologia para um público-alvo de um jeito fácil, mas também de tentar construir análises de conjuntura”, explica. “Foram cerca de 200 colunas publicados nesses cinco anos, que transformamos em 50 para o livro. O recorte fundamental foi selecionar os textos nos quais eu conseguia acionar o pensamento antropológico para pensar o cotidiano, trazendo autores para conversar com os acontecimentos do dia a dia”.

São essas e outras leituras de cenário que Michel Alcoforado apresenta em sua coletânea. São os efeitos do isolamento social no pós-pandemia e nas relações interpessoais, o papel das tecnologias e das redes sociais no varejo e nas relações de consumo – tudo forma um novo momento da sociedade. Momento esse que foi explorado em suas colunas com análises perspicazes e reveladoras sobre um mundo em que de tédio, de fato, ninguém morre.

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