Em 2020, o estudo Martech 20230 previa as principais tendências para essa tecnologia de marketing até 2030. Cinco anos depois, essas previsões continuam atuais e já influenciam diretamente muitas das práticas contemporâneas de marketing. Com a rápida evolução da Inteligência Artificial e o surgimento constante de novas ferramentas, essas direções estratégicas ganham ainda mais relevância.
Em um cenário marcado por transformações aceleradas e novas experiências de mercado, revisitar essas tendências é essencial para entender o presente e antecipar o que ainda está por vir.
Ascensão do “No-Code”

Até 2030, as ferramentas no-code consolidarão a criação de soluções digitais, permitindo desenvolver aplicações e automatizar processos sem programação avançada. Essa evolução tornará o marketing mais ágil e eficiente, exigindo que mais profissionais aprendam a construir e gerenciar essas ferramentas, mesmo sem formação técnica.
O impacto pode ser comparado à popularização do PowerPoint: antes restrito a especialistas, hoje é usado por milhões. No martech, o mesmo acontece com automações, formulários, sites, conteúdos interativos, chatbots e até vídeos, agora possíveis com plataformas intuitivas e apoiadas por Inteligência Artificial.
Vale destacar que, nesse cenário, o fator humano vem aliado ao digital. Como destaca a McKinsey em estudo sobre o raio-x do uso da IA no mundo, 65% das empresas já estão usando a IA globalmente, e mesmo com tanta tecnologia, a criatividade e a visão estratégica continuam sendo atributos exclusivamente humanos. A ferramenta é tecnológica, mas o diferencial segue sendo humano.
Não por acaso, uma pesquisa lançada esse ano pela instituição aponta que funcionários de áreas como vendas e marketing respondem por aproximadamente três quartos do potencial econômico total da IA. Embora o otimismo autodeclarado desses profissionais seja mediano, com os colaboradores tendo uma visão mais realista sobre os benefícios e limitações dessa tecnologia.
A economia do ecossistema
Sabemos o quanto o ambiente digital exige estruturas organizacionais ágeis e adaptáveis. Nesse cenário, plataformas, redes e marketplaces ganham cada vez mais projeção. Para o marketing, essa realidade significa que marcas e agências competirão ativamente dentro desses ecossistemas, buscando serviços sob demanda para maior agilidade, escala e otimização de custos.
Dessa forma, martech torna-se a infraestrutura digital fundamental que permite criar estruturas próprias e integrar diferentes plataformas. O objetivo principal é capacitar profissionais gerando experiências mais conectadas e relevantes para os clientes. A dinâmica da economia de ecossistemas moldará de forma decisiva as estratégias e operações do setor.
Boom dos aplicativos e a importância dos dados
Com baixo investimento, novos negócios e soluções digitais surgem impulsionando a inovação no marketing. E a digitalização se integrará a todos os aspectos da vida, por exemplo, com aplicativos que otimizam a experiência de compra física e aumentam a autonomia do cliente. Apesar de todos os desafios enfrentados sobretudo no auge da pandemia, muitas organizações de todos os tamanhos puderam se adaptar rapidamente.
Muitas empresas implementaram, em questão de semanas, novas formas de interagir com seus clientes por meio de canais digitais e novas formas de operar internamente, com equipes trabalhando remotamente. Não por acaso, 73% dos consumidores utilizam múltiplos canais durante suas jornadas de compra, aponta a Harvard Business Review.
Nesse cenário, a distinção entre anúncios e serviços digitais em tempo real se tornará cada vez mais sutil, pois a IA personalizará essas interações. Profissionais de marketing e agências precisarão adotar uma visão estratégica focada no desenvolvimento de software e na experiência do consumidor. Com mais dispositivos conectados será possível oferecer experiências cada vez mais inteligentes, dinâmicas e interativas. Paralelo a isso, os dados se tornam poderosos quando usados com propósito para experiências notáveis ao cliente. A eficácia operacional será o eixo principal de vantagem competitiva.
A década dos Big Ops
Uma vez que o desafio era lidar com o volume e variedade do Big Data, agora o ponto central é dominar o Big Ops, que gerenciará a crescente complexidade de aplicativos, automações e fluxos de trabalho. Organizações que transformam dados em insights e os ativam em tempo real alcançarão vantagem competitiva. Para isso, profissionais de marketing precisarão se tornar mais alfabetizados em dados e operações. Com 68% dos dados empresariais inexplorados, a missão do Big Ops é trazer todos os dados relevantes à luz, exigindo criatividade para segmentar e personalizar, integrando as regulamentações de privacidade.
A Inteligência Artificial torna-se cada vez mais estratégica no dia a dia dos profissionais, redesenhando funções, automatizando tarefas e liberando tempo para atividades analíticas e criativas. Com o avanço da tecnologia, crescem os desafios ligados à qualidade dos dados, à eliminação de vieses e à ética no uso de algoritmos.
Nesse contexto, o marketing entrará em uma fase de maior responsabilidade, exigindo atenção redobrada às fontes e às decisões baseadas em dados – papel em que a martech será essencial para lidar com a complexidade de forma confiável.
Criatividade, intuição e liderança ética seguirão insubstituíveis. A IA deve amplificar o talento humano, unindo a estratégia e a sensibilidade das pessoas à velocidade e escala das máquinas, formando o “profissional de marketing aumentado”.





