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Marcas do futuro precisam ter um propósito

Marcas do futuro precisam ter um propósito

O futuro das marcas não reserva lugar para a estagnação. Reinventar-se com propósito é mais que uma opção; é uma necessidade
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Legenda da foto

“Não podemos enxergar as marcas do futuro sem considerar uma transformação social. Mais da metade dos consumidores busca empresas com propósito. Não estamos mais falando apenas de resultados financeiros, mas sim do impacto transformador. As empresas que despertam para a responsabilidade social e têm um propósito claro estão mudando tudo e crescendo no mercado.” Foi dessa forma que Alcione Albanesi, presidente da Amigos do Bem, que desenvolve projetos educacionais, de geração de trabalho e renda, água, saúde e moradia no sertão do Nordeste, iniciou sua fala no CONAREC 2024.

Na oportunidade, ela, que conduziu o painel “Visão, paixão e inovação: lições de sucesso”, explicou que já está mais do que na hora de as marcas alinharem seus valores internos às expectativas externas, promovendo práticas sustentáveis e éticas. Além disso, o engajamento com a comunidade e a transparência nas operações se tornam essenciais para conquistar a confiança do público.

As empresas que se adaptam a esse novo cenário não apenas atraem consumidores mais conscientes, mas também se posicionam como líderes em inovação. A implementação de estratégias que integram a responsabilidade social ao core business é um diferencial competitivo que pode gerar lealdade e diferenciação no mercado.

“É fundamental que essas ações sejam autênticas e não meros discursos de marketing. As organizações que efetivamente integram o compromisso social em sua cultura organizacional e nas suas práticas diárias são aquelas que realmente se destacam”, comenta Alcione, que destaca o quanto os consumidores estão cada vez mais atentos, “prontos para reconhecer e valorizar as marcas que fazem a diferença”.

Espírito empreendedor

Alcione conta que sempre teve um espírito empreendedor. Desde os 7 anos, rifava seus presentes de aniversário para juntar recursos. Aos 14 anos, foi para os Estados Unidos, o que era bem mais desafiador do que é hoje. Ao voltar para o Brasil, com 17, já era proprietária de uma confecção com 80 funcionários.

Depois disso, Alcione adentrou no ramo de materiais elétricos e, aos 25 anos, gerenciava uma loja na Santa Ifigênia, um ambiente majoritariamente masculino. Enfrentou grandes desafios para vender e alcançar seus objetivos.

Trabalhar desde tão jovem moldou não apenas sua carreira, mas também sua visão de mundo. Ela aprendeu a valorizar o esforço e a dedicação, conceitos que carrega até hoje. A responsabilidade aumentou rapidamente, e ter uma equipe sob sua supervisão exigiu liderança e determinação. Com o tempo, percebeu que o empreendedorismo vai muito além de abrir e gerir um negócio. É sobre inovação, adaptação e, principalmente, sobre resolver problemas. Enfrentar desafios e encontrar soluções se tornou uma habilidade fundamental.

Lâmpada mágica

Compreendendo a importância da percepção e da visão que temos sobre o mundo ao nosso redor, Alcione foi, em 1992, para a China, em busca de compreender e identificar tendências. Na época, a barreira da língua era um desafio constante. “Eu me lembro de olhar para os pratos à minha frente, tentando decifrar o que havia neles, enquanto sorriam e tentavam me ajudar com gestos. A experiência foi um verdadeiro teste de adaptabilidade, mas também uma oportunidade valiosa de crescimento”, lembra.

Na ocasião, ela fez um “negócio da China” e comprou 10 contêineres de lâmpadas. Porém, quando chegou ao Brasil, viu que 330 mil lâmpadas não funcionavam. O que fazer? Aceitar a derrota era uma opção, mas não para Alcione, que vendeu seu apartamento para voltar para a China. “Não quero acumular experiências ruins e contabilizar coisas negativas. Nessa nova viagem, encontrei a lâmpada econômica, que substituiria as lâmpadas incandescentes. Essa marca se tornou a número 1 do Brasil, com quase 40% de market share e filiais em todo o País.”

Lições valiosas para a vida

Ao longo da sua trajetória, Alcione aprendeu lições valiosas e compartilhou algumas com o público no CONAREC 2024:

  • Trabalho árduo: “Não podemos falar de trabalhar 14 horas por dia, pois vivemos em uma geração que valoriza saúde”, enalteceu a empreendedora. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é essencial para garantir um desempenho sustentável e eficaz. O foco deve ser na qualidade do trabalho realizado, e não apenas na quantidade de horas dedicadas.
  • Persistência: “Nunca desistir. Mesmo quando tudo parece dar errado, siga em frente. É comum parar no meio do caminho, mas é essencial continuar.” Segundo ela, cada desafio enfrentado se torna uma oportunidade para crescimento e autodescoberta. É importante lembrar que a jornada é tão significativa quanto o destino. Manter o foco, estabelecer metas claras e celebrar pequenas conquistas são práticas que ajudam a sustentar a motivação.
  • Agilidade: “Para vencer as multinacionais, precisamos ser mais rápidos e melhores. Essas gigantes são como navios enormes, difíceis de manobrar. As marcas que vencem são como lanchas rápidas.” Ou seja, as lanchas rápidas conseguem mudar de direção rapidamente, adaptar-se às condições do mercado e atender às necessidades dos clientes com agilidade. Essa flexibilidade permite que as empresas menores ou em crescimento se destaquem, oferecendo inovações constantes e um atendimento mais personalizado. Para manter essa agilidade, é fundamental que as organizações adotem uma cultura de aprendizado contínuo, na qual a equipe é incentivada a experimentar, falhar rapidamente e aprender com as experiências.
  • Construir relações: “Sempre tive amigos e relações. Sozinhos, não conseguimos nada”, expõem a fundadora da Amigos do Bem, cujo lema é “Se não posso fazer tudo o que devo, devo ao menos fazer tudo o que posso”. É fundamental reconhecer que as conexões interpessoais desempenham um papel crucial no nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Através da colaboração e do compartilhamento de ideias, conseguimos alcançar objetivos que, de outra forma, seriam inatingíveis. Cada amizade, cada parceria é uma oportunidade de aprendizado mútuo, onde cada indivíduo traz consigo um conjunto único de experiências e habilidades.
  • Cuidar das pessoas: “Nunca tive problemas judiciais, sempre mantive um bom relacionamento com todos. Sabia como estavam meus funcionários, incluindo o porteiro”, comenta Alcione, ressaltando o quanto é fundamental conectar-se com a equipe, pois essa interação positiva é a base para um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
  • Semear a transformação: “Aqui começa minha verdadeira história, minha jornada de mudança e autodescoberta”, enfatiza a empreendedora. Desde o momento em que decidiu dar o primeiro passo, ela percebeu que a transformação não se trata apenas de alterar circunstâncias externas, mas de uma profunda renovação interna. Cada experiência, cada desafio superado, moldou o seu caráter e ampliou a sua minha visão de mundo.

Crescimento espiritual

Em 1993, após um grande crescimento material na China, Alcione viajou para o sertão nordestino e viveu um crescimento espiritual. Lá, percebeu a realidade de muitas comunidades: pessoas sem energia, sem alimentos, sem água… Ao voltar para São Paulo, reuniu amigos e disse: “Aquela que foi não é mais a mesma que voltou. Consolidei o crescimento de minha empresa com meu crescimento pessoal”.

Assim nasceu a Amigos do Bem, após a venda de uma empresa líder de mercado. “Hoje, passo de 10 a 14 dias por mês no sertão, e temos promovido grandes transformações. Ao meu ver, a indignação deve ser acompanhada de ação. A mudança depende de nós. Atitudes mudam vidas. Não é fácil fazer o bem, mas somos os maiores beneficiados.”

Hoje, a Amigos do Bem, rompendo um ciclo de miséria secular, conta com 11 mil voluntários e atende 150 mil pessoas em 300 povoados mensalmente. Esses voluntários se dedicam a oferecer educação, saúde e oportunidades de emprego, buscando promover a autonomia das comunidades atendidas. Por meio de programas estruturados, a Amigos do Bem atua na formação de cidadãos mais capacitados e conscientes de seus direitos.

A organização oferece, ainda, assistência na área de alimentação e moradia, essenciais para melhorar a qualidade de vida dos beneficiados, além de atendimento médico, perfuração de poços artesianos e construção de residências.

“A miséria tem solução, e essa solução depende de nós. Não podemos continuar com a omissão. As marcas do futuro precisam priorizar sua responsabilidade social. O ESG não deve ser apenas uma formalidade, mas sim, uma consciência genuína”, afirma Alcione. “As metas dos negócios precisam ser alcançadas com propósito. Com esse propósito, engajamos nossas equipes e transformamos nossas empresas.”

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