O Boticário participou do Festival de Inverno de Campos do Jordão. A ativação marca o lançamento de Malbec Pure Gold, sua nova fragrância da linha de perfumaria masculina. Mas, mais do que uma estreia, o objetivo foi reforçar a conexão com o público por meio de uma experiência que convida os visitantes a explorar os sentidos. Assim, a proposta teve como foco em celebrar os diferentes invernos vividos em cada região do País, reforçando uma estratégia que valoriza a diversidade cultural e regional brasileira.
“Neste ano, marcamos presença em cidades com características distintas, o que fortalece a nossa narrativa. A escolha de Campos do Jordão foi estratégica em oferecer ao público uma experiência sensorial completa, que une a estação ao lançamento de Malbec Pure Gold, uma fragrância que simboliza a presença masculina sofisticada e versátil, adaptável a todos os estilos de inverno”, comenta Jacqueline Tobaru, diretora de Marketing Regional de O Boticário.
Experimentação e regionalização
Com conceito criativo ancorado na campanha Inverno Boticário 2025 e no mote “Chega. Esquenta. Conquista.”, a ativação apresentou ao público a nova fragrância Malbec Pure Gold, desenvolvida com a tecnologia exclusiva Goldsense. Inspirada no calor afrodisíaco do mel, a composição amadeirada âmbar entrega notas envolventes e licorosas, prometendo despertar o desejo em apenas cinco segundos.
Campos do Jordão, conhecida por seu charme invernal e apelo turístico, torna-se o ponto alto da estratégia 360º do Boticário, que inclui ativações em outras cidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A campanha aposta na regionalização para dialogar com diferentes perfis de consumidor, exaltando a diversidade cultural do Brasil.
Além disso, no Parque Capivari, os visitantes tiveram acesso gratuito a uma jornada de descobertas olfativas e interações sensoriais. A experiência começa com uma exposição da linha Malbec e suas intensidades, seguida de uma área dedicada à experimentação dos ingredientes-chave da nova fragrância. Uma cabine de fotos em formato de elevador proporcionava um momento instagramável. Ao apertar o botão, luzes se acendem simbolizando os cinco andares – referência aos cinco segundos para a conquista – e a cabine se aquecia, representando a presença de Malbec Pure Gold. A ativação contou ainda com o Quiz Malbec, em que os participantes testam seus conhecimentos sobre a marca.
Além do perfume
A perfumaria é uma arte que não se vê, mas se sente. Para César Veiga, perfumista do Grupo Boticário, essa é justamente a sua força. “Vivi toda a evolução da perfumaria nacional. Sou apaixonado pelo que faço. A perfumaria é algo muito emocional, muito sensorial. É uma arte intangível: você não vê, você sente. A perfumaria é envolvente, mas com interpretações muito pessoais, pois está conectada à memória de cada um”, afirma.
Para ele, todo mundo tem um cheiro marcante na vida – ou vários. O cheiro do café quentinho pela manhã antes de ir para a aula, ou do material escolar. Tudo isso desperta memórias. Com o avanço da ciência, hoje é possível comprovar essa conexão entre cheiro e lembrança de forma técnica. Com métodos modernos, é possível identificar exatamente onde esses estímulos atuam no cérebro. Tecnologias como ressonância magnética e eletroencefalograma ajudam a mapear as áreas cerebrais ativadas por uma fragrância, algo fundamental para validar os claims dos produtos, como o de despertar desejo em até cinco segundos.
“O Boticário sempre esteve na vanguarda, desde o lançamento de Acqua Fresca, em 1977, que foi um marco na perfumaria nacional, rompendo com fragrâncias importadas que não se adequavam ao nosso clima. Apostamos numa perfumaria acessível, mas com signos internacionais”, relembra.
Hoje, o setor avança com o conceito de perfumaria funcional, que ganhou força especialmente durante a pandemia, quando as pessoas passaram a usar fragrâncias mesmo sem sair de casa. Ou seja, o perfume que abraça, que conforta, que traz calor ou que lembra alguém querido. “A perfumaria funcional é isso: vai além do perfume. Traz aconchego, felicidade, presença”, frisa César.
Malbec Pure Gold: ciência, sedução e memória

Em 2004, o Grupo Boticário lançou uma fragrância que se tornaria um divisor de águas na perfumaria nacional. Criado para um público masculino conservador e em processo de descoberta dos cuidados pessoais, Malbec foi pensado como símbolo de força, identidade e sedução.
“Começamos há 21 anos com o desafio de conquistar um público masculino mais humilde, conservador, que estava se abrindo aos cuidados pessoais”, lembra César. O perfumista recorda ainda que, na época, era raro ver homens falando sobre perfumes, muito menos construindo coleções. “O homem estava em busca de reafirmar sua identidade, sem abrir mão de sua masculinidade. Foi aí que Malbec surgiu: com notas amadeiradas, que simbolizam força, mas de forma mais suave, misturadas a especiarias e nuances defumadas, permitindo que o homem se sentisse representado, sem sentir que perdia sua essência.”
Agora, duas décadas depois, O Boticário apresenta Malbec Pure Gold, nova leitura olfativa do clássico, que combina tradição e inovação com o uso de uma tecnologia desenvolvida para criar uma sensação de empoderamento imediato. A tecnologia por trás da fragrância se apoia em três pilares: testes com neurociência, sensações conscientes e dados objetivos.
“Essa é a perfumaria do presente e do futuro: ciência, memória, emoção e identidade”, afirma o perfumista. “Você se sente mais atraente e chama mais atenção. No relatório dos testes, as pessoas saíam e falavam: ‘Eu senti que os outros perguntavam’. Usamos perfume justamente para isso: chamar atenção. A pessoa se sente mais empoderada, mais segura.”
Segundo o perfumista, a ousada promessa de despertar desejo em até cinco segundos é sustentada por evidências científicas. “É ousado? É ousado. Mas, com toda a ciência da psicologia, conseguimos sustentar essa afirmação. A neurociência exige um conjunto de testes para comprovar os resultados”, reforça.
Para isso, o time utilizou três métodos principais: o IRT (Resposta Implícita por Tempo de Reação), que avalia reações automáticas diante de imagens ou palavras; o EEG (eletroencefalograma), que mapeia a atividade cerebral; e os questionários conscientes, que captam a percepção voluntária do consumidor.
Reprodução sintética de ingredientes
Em termos olfativos, Malbec Pure Gold traz uma combinação que reforça o universo sedutor da marca: madeiras, âmbar e mel vegano. Este último é a reprodução do cheiro do mel, uma vez que a marca não usa o ingrediente como matéria-prima de fato.
“Hoje, conseguimos reproduzir cheiros sem extrair os ingredientes diretamente da natureza”, pontua. Uma das técnicas usadas para isso é o headspace, que capta o cheiro de ambientes ou materiais e permite sua reprodução sintética em laboratório.
O âmbar, uma nota quente e balsâmica, também é sintético. Originalmente, ele era extraído de um cálculo biliar da baleia cachalote. Uma pedra que flutuava no mar até alguém encontrar e dizer: ‘Isso tem um cheiro bom, vamos fazer perfume com isso’ – algo raríssimo. Por questões éticas, a perfumaria contemporânea não usa mais ingredientes de origem animal. Essa mudança na forma de criar perfumes não compromete a qualidade, mas exige precisão. Hoje, César Veiga tem cerca de 6.500 ingredientes à disposição para suas criações.
A base de Malbec continua sendo as notas amadeiradas, marca registrada da linha. “É o DNA de Malbec, essa força que traz uma pegada contemporânea. Por isso, estudamos a evolução olfativa do homem para criar algo conectado com esse universo”, destaca. “O olfato é nosso principal sentido de conexão com o mundo.”
Os bastidores da criação de um perfume
Criar uma fragrância vai muito além de misturar essências agradáveis. É um processo longo, técnico e, ao mesmo tempo, profundamente sensível. Essa jornada envolve arte, ciência e empatia. Em média, um lançamento leva cerca de 18 meses para ser finalizado – isso considerando que o frasco e o conceito do produto já estejam definidos. Quando se trata de um flanker (uma nova versão de uma fragrância já existente), o processo é mais rápido, pois o foco está na criação da fragrância.
Nos três primeiros meses, o trabalho é focado no desenvolvimento criativo da fragrância, com ajustes contínuos. Em seguida, começam os testes internos, com um painel formado por mais de três mil voluntários, entre funcionários e pessoas da comunidade. Essas pessoas recebem o produto de manhã e voltam à tarde para avaliação. É um termômetro inicial. Comentários como “não está fixando” ou “tem uma nota que incomoda” são levados em consideração e podem levar o produto de volta à bancada de desenvolvimento.
Depois, vêm os testes com o público-alvo, feitos em regiões específicas onde o perfil de consumidor está bem representado. Essa etapa, conduzida por institutos especializados, leva cerca de 45 dias. Além da aprovação sensorial, o perfume precisa passar por testes técnicos, que incluem estabilidade, compatibilidade e performance.
“Temos um protocolo com critérios mínimos exigidos por marca e por objetivo. Se a durabilidade for inferior a oito horas com nota abaixo de cinco, é reprovado. Deu 4,9? Volta para retrabalho”, relata. Além disso, a escuta ativa do consumidor é fundamental. “Temos muito cuidado em testar bem e ouvir o consumidor. Não fazemos fragrância para nós. E, como perfumista, preciso pensar na história que quero que o consumidor viva com aquela fragrância. Essa é a parte mais difícil. Porque cada um tem uma história, uma memória, um gosto pessoal.”
Perfumaria e masculinidade
O que define o “cheiro de homem”? A resposta varia conforme a época, o país e até a geração. Mas, com o avanço da globalização, essas fronteiras estão se tornando mais tênues. Os códigos de masculinidade e as preferências olfativas são culturais, mas têm passado por transformações profundas. “Está cada vez mais difícil diferenciar, justamente porque hoje vivemos lançamentos simultâneos, conectados pela internet. É quase como nos anos 90, com tudo acontecendo ao mesmo tempo em todos os lugares”, explica.
Historicamente, os Estados Unidos associaram o “cheiro de homem” a uma sensação de limpeza extrema, com perfumes cítricos, lavanda e madeiras leves, algo próximo ao pós-barba. Segundo César, o mercado americano não aceitava notas doces ou provocativas, porque existe uma ideia de respeito ao espaço pessoal. Se uma fragrância invade esse espaço e incomoda, ela é descartada. Já a França, berço da alta perfumaria, seguiu um caminho oposto.
“Os franceses foram os primeiros a adotar notas adocicadas. São mais vanguardistas, gostam do diferente. As fragrâncias lá são mais pesadas, orientais, ambaradas, com especiarias. Eles valorizam o impacto, a personalidade olfativa”, diz. Já na América Latina, os perfumes refletem o calor humano típico da região. “É muito da nossa cultura: o toque, o abraço, o calor. Nosso cheiro também reflete isso. É uma mistura de culturas: indígena, africana, europeia… A nossa perfumaria é mais quente e tropical. Buscamos frescor, cítricos, notas que remetem à leveza e ao nosso clima.”
César também conta que as noções de masculinidade variam e evoluem de país para país. Na Ásia, as fragrâncias masculinas costumam ser discretas, quase imperceptíveis. A cultura é intimista. A perfumaria lá é “segunda pele”. Eles valorizam não invadir o espaço do outro, não se expor. Enquanto nos EUA há uma abordagem pragmática, quase binária, os asiáticos optam por algo mais sutil.
A geração também faz diferença. O perfumista aponta que os jovens têm ampliado os limites da perfumaria, buscando originalidade e rompendo com padrões. “Mesmo na China, existe o ‘jovem chinês’, que pinta o cabelo, se veste de forma diferente e quer se expressar. Na perfumaria, ele também se expressa. Vai para nichos de nichos, fragrâncias com cheiro de vela, churrasqueira, pizza. Querem fugir do padrão e se destacar”, aponta.
Perfumaria como reflexo da sociedade
Diante dessa multiplicidade, é cada vez mais difícil definir uma tendência única. As diferenças culturais ainda existem, mas estão se diluindo. Hoje, com a globalização, tudo se mistura. A perfumaria capta isso: filosofia, antropologia, contexto cultural. Assim, em vez de verdades absolutas, o que vemos são recortes e convivência de tendências distintas.
“Criar uma tendência única hoje é quase impossível. O que temos são múltiplas tendências convivendo, cada uma com seu momento e espaço. No momento, por exemplo, há uma tendência forte pelo frescor, pelo floral fresco. Mas, ao mesmo tempo, vemos o mercado árabe trazendo opulência, volume. Então, é tudo um recorte. E precisamos olhar para o que está acontecendo na sociedade naquele instante. A perfumaria é, sim, um reflexo da sociedade”, finaliza.






