A LVMH, Louis Vuitton Moët Hennessy pode estar prestes a vender a grife Marc Jacobs por cerca de US$ 1 bilhão, segundo informações reveladas pelo Wall Street Journal. A gigante francesa do luxo estaria em negociações com diversos interessados, incluindo a Authentic Brands Group, proprietária da Reebok, além da Bluestar Alliance, dona da Brookstone, e da WHP Global, controladora da marca Vera Wang.
Fontes próximas ao assunto afirmam que o acordo pode ser fechado em breve, embora ainda exista a possibilidade de as negociações fracassarem. A venda acontece em um momento em que o grupo liderado por Bernard Arnault tenta reposicionar a Marc Jacobs, apostando na redução do portfólio de produtos para tornar a marca mais desejada.
Com um portfólio que inclui Dior, Celine, Fendi e o conhaque Hennessy, a LVMH tem adotado uma postura mais seletiva em relação às suas marcas. A possível saída da Marc Jacobs sinaliza uma reavaliação estratégica em meio a um mercado de luxo que atravessa um momento de estabilidade e reorganização global.
Mercado de luxo em compasso de espera
Após anos de crescimento acelerado, o setor de luxo começa a dar sinais de desaceleração. De acordo com a Bain & Company, o gasto global com bens e experiências de luxo totalizou € 1,48 trilhão em 2024, uma leve queda de 1% a 3% em relação a 2023, considerando o câmbio atual.
O levantamento, feito em parceria com a Fondazione Altagamma, destaca que o setor deve permanecer estável no curto prazo, com expectativas positivas até o fim deste ano e no longo prazo, até 2030, puxado principalmente por mercados emergentes.
Entre os destaques regionais, a América Latina segue em trajetória de crescimento, alavancada por países como Brasil e México. Já nos EUA, o mercado dá sinais de recuperação trimestre após trimestre. O Japão lidera o crescimento global, favorecido por um iene fraco e aumento do turismo, enquanto a China enfrenta desaquecimento por conta da baixa confiança do consumidor.
Um setor cada vez mais polarizado
A desaceleração também tem provocado uma forte polarização no desempenho das marcas. Enquanto entre 2021 e 2022, 95% das empresas de luxo registraram crescimento, esse número caiu para 65% em 2023 e deve atingir apenas um terço em 2024.
A rentabilidade média também recuou, impactada pelos limites de aumento de preços e pelos custos crescentes com marketing, tecnologia e distribuição. Essa pressão pode estar incentivando grandes conglomerados, como a LVMH, a reverem seus portfólios e a apostarem em marcas com maior margem e apelo global.
No radar do setor, além da possível venda da Marc Jacobs, em abril, a Prada anunciou a aquisição da Versace, do conglomerado Capri Holdings, por quase US$ 1,4 bilhão. É mais um sinal de que a consolidação ainda é um caminho relevante no luxo, mesmo em tempos de cautela.






