?A mulher é livre, leve e louca?. Esta é a afirmação do CEO da Loungerie, Eduardo Padula. E é com essa definição que a marca, hoje com 30 lojas próprias, quer expandir via franquias. A ideia, segundo o executivo, é aproveitar um mercado que ainda não é explorado no Brasil. Por aqui, as brasileiras encontram lingeries em lojas de magazine, a um bom preço, mas com qualidade nem sempre adequada e com um mix de produtos limitado. Ou, é possível comprar em boutiques premium, com estoque também limitado, alta qualidade, mas com preços mais salgados.
A proposta da Loungerie é focar no meio: alta qualidade, estoque e diversidade. O diferencial: a experiência. ?Nossa loja precisava refletir uma mulher com vários momentos, de maneira que ela sentisse que estava em um grande closet da casa dela, onde ela pudesse estar com prazer?, afirma o executivo.
A loja, explica, foi trabalhada com base na ideia de que o ponto de venda é mais do que um ponto de contato transacional. ?Nossa ideia é fortalecer o relacionamento da marca com nossos consumidores. A plataforma de varejo tem uma importância de relacionamento com os consumidores e também de geração de valor?, explica Padula. ?O projeto tem uma participação grande na construção da marca. Nossa loja é nossa grande personalidade?, afirma em entrevista à NOVAREJO. Confira a entrevista completa com Padula.
Eduardo Padula, CEO da empresa: foco da marca é investir em experiência
A empresa tem 30 lojas próprias e agora investe em franquia. Por que?
Um novo projeto de franquia era um dos desejos da companhia mesmo antes de eu entrar. E entrei muito por conta disso, porque participei da estruturação do projeto da Puket, da Hope. Estou nesse universo de franquias há mais de quinze anos. Na Loungerie, os donos tomaram a decisão de franquear o projeto quando ele estivesse pronto e validado. Eles queriam definir uma plataforma, criar toda a estrutura, ter a certeza de que o negócio é economicamente viável para expandir com o modelo de franquia. Esse projeto não vem para substituir a expansão com as lojas próprias.
Quais cuidados vocês estão tendo para a expansão com franquias?
Apesar de o projeto de franquia ser importante para o negócio, estamos fazendo com cuidado a escolha de cada franqueado, de cada investidor para ter uma velocidade de crescimento sustentável como prioridade. Primeiro pensamos em quem eu quero ser e para quem eu quero ser. O que a consumidora espera com a minha marca, o que eu posso oferecer que o mercado ainda não oferece? A reposta foi experiência de compra, variedade de produto, atendimento com excelência.
Lingerie é um produto commoditie. Quais são os pilares e os diferenciais do negócio que fazem com que ele não seja mais um no mercado?
De fato: operação de varejo de lingerie tem um monte no mercado. O grande desafio a que a Loungerie se propôs é ser a primeira marca no segmento que teve a coragem de testar um modelo que não tinha no Brasil. Você comprava nos grandes magazines, de low price, um produto com qualidade dentro dos limites desse preço; ou em alguns players mais premium e do tipo boutique, com melhor qualidade, mas com mix com variedade e portfólio reduzido. Tivemos a coragem de montar uma loja de até 240 metros quadrados, com amplo portfólio de produtos, com uma consultora de atendimento, para gerar uma experiência de compra. Temos um faturamento que chega a ser o dobro das demais lojas. E são vários os fatores que nos levam a isso: a nossa cliente gostou de ter um provador que é um lounge, que é confortável, esse foi o grande diferencial. É um grande espaço para que a mulher escolha com prazer. Temos um departamento para treinar as vendedoras, que atuam como consultoras. Elas ajudam a encontrar o sutiã perfeito, por exemplo. Temos cinco vezes mais estoque do que qualquer outro concorrente. Outro diferencial é a operação da empresa: existe uma área de inteligência que fornece dados e indicadores para melhoria do funcionamento da loja e isso está disponível para o franqueado. Com base neles, já sabemos que o Brasil tem potencial para 100 operações desse modelo.
Com a franquia, o que muda na gestão do negócio?
A mudança principal é que a gente tem focado cada vez mais em mão de obra e na gestão da informação. Outro ponto é na comunicação visual: cada vez mais a gente vai focar a nossa loja não apenas como negócio, mas como ponte para fortalecimento do relacionamento da marca com nossos consumidores, porque a plataforma de varejo tem uma importância muito maior do que simplesmente negócio. Ela tem uma importância de relacionamento e de geração de valor. Há mais para ser feito do que simplesmente construir uma relação transacional. A gestão está calcada nesses pilares: capital humano, curadoria e relacionamento para geração de valor para nossa consumidora ? experiência de compra.
Como a arquitetura e o design da loja conversam com esses pilares? Como eles traduzem esses pilares?
O projeto hoje é assinado pela Be.Bo, um escritório do Rio Janeiro. E eles conseguiram traduzir a alma da marca no projeto. A marca representa o que a gente entende que está no subjetivo da mulher. Internamente, a gente tem uma busca: a mulher hoje é linda, leve e louca. Eu estou falando da mulher que não perde o lado romântico, o lado lúdico que permeia a vida dela. Ser mãe, esposa e executiva é um desafio. E essa mulher multitarefa precisa de praticidade e de uma lingerie que tenha tudo isso. E tem o momento dela como mulher, que quer exercer uma sensualidade. Ela quer estar bonita para ela mesma. E nossa loja precisava refletir isso tudo, para uma mulher com vários momentos. A gente queria que a loja fosse intimista, de maneira que a mulher sentisse que ela estava em um grande closet da casa dela, onde ela pudesse estar com prazer. E que ela encontrasse produtos para cada um desses momentos da vida dela. O projeto tem uma participação grande na construção da marca. Nossa loja é nossa grande personalidade.
Quanto o negócio tem crescido? A crise tem afetado o negócio?
Crescemos 58% em 2014. E no primeiro semestre já crescemos 28% de same store e 36% geral, quando englobo novas loas. Estamos trabalhando para fechar 2015 com crescimento de 25% em same store. A gente tem conseguido sobreviver a esse cenário até agora, porque a gente percebe que existem três principais produtos de indulgência da mulher: calçados, chocolate e lingerie. Tem um lado de indulgencia forte e nosso produto tem um valor absoluto baixo para a qualidade que ele oferece. E independente da crise, é um produto que a mulher não corta. Ainda estamos preservados. Há outros cortes na frente antes de chegar na gente. A mulher hoje não compra lingerie no magazine, que tem um preço bacana, mas pouca qualidade, mas principalmente sutiã tem uma função maior do que ser fashion, porque ele tem de suportar peso, e ele gera desconforto e incomôdo ao longo do dia. E nesse modelo intermediário, com qualidade e experiência ? estou oferecendo mais do que magazines, com qualidade de boutique.












